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Reitora da Universidade de Évora critica este tipo de receção

“Senhores estudantes” proíbem imagens das praxes e testemunhos dos caloiros

“No foto, no foto!”. Há caloiros, na Universidade de Évora designados por “bichos” que correm para os transeuntes sempre que estes pegam numa máquina fotográfica para registar o momento da praxe. Tudo isto acontece em pleno espaço público.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redacção D.S.

17 Outubro 2016

Os “senhores estudantes”, alunos de terceiro ano que praxam disseram ao “Diário do Sul” que tiveram indicações dos “notáveis”, que podem designar-se como comissão de praxe, para não permitirem captações de imagens, nem sequer prestarem declarações à comunicação social. O certo é que a praxe acontece sobretudo no jardim público, na Praça do Giraldo, junto a igrejas e no Rossio à noite. A reitora da Universidade de Évora, Ana Costa Freitas admitiu que não vê sentido para a praxe, tendo afirmado que este ano recebeu apenas uma queixa, mas sempre que isso acontece de imediato reúne com os “notáveis”. A seu ver, a existir praxe defende que esta seja integradora e uma forma socializadora para os novos alunos desta instituição.

Os caloiros são praxados a todas as horas do dia, à noite e de madrugada. O Rossio de São Brás é o local de eleição para a praxe noturna, enquanto o jardim público de Évora é o escolhido para o dia, sobretudo à quarta-feira à tarde. Os “senhores estudantes” ensinam músicas com palavrões, os caloiros são “obrigados” a esmagarem ovos na cabeça uns dos outros, a colocar farinha, pasta de dentes, a ingerir bebidas alcoólicas. Tudo para quando terminarem a licenciatura possam envergar o traje académico e poderem queixar as fitas e ir ao banho. Muitos perguntarão: “Vale a pena tanto sacrifício?”. Uns disseram ao “Diário do Sul” que sim, outros responderam que não, obviamente fora do local da praxe porque quando estão no ritual “temos ordens para não falarmos e se nos perguntarem se queremos falar, temos que dizer que não queremos”.

É esta a praxe integradora que os “senhores estudantes” fazem cumprindo as regras do jogo dadas pelos “notáveis” com quem a redação quis falar, mas que nunca conseguiu até hoje. No entanto, os alunos praxantes da licenciatura em Gestão mostraram-se disponíveis para falar com a comunicação social, mas foram aconselhados a não fazê-lo, supostamente por dois “notáveis”, em pleno jardim público.

A reitora da Universidade de Évora, Ana Costa Freitas declarou, em exclusivo ao “Diário do Sul”, que esta situação é “um disparate e não pode acontecer. Estamos em espaço público e como tal não podem, de maneira nenhuma, impedir que alguém os observe ou fotografe. As pessoas têm direito a fazer o seu trabalho e a falarem com os caloiros quando entenderem”.

A responsável pela academia eborense afirmou que já falou com os notáveis e “já lhes disse que não podem impedir as pessoas de fazer fotos ou filmar”. Ana Costa Freitas sublinhou, contudo, que não pode, nem consegue controlar tudo, “mas quando passo na cidade sensibilizo logo os estudantes para não fazerem barulho e respeitarem os cidadãos”.

Reitora da UÉ não vê sentido
para a praxe e garante que é preciso
maior sensibilização

A reitora salientou que todas as conversas que teve com os “notáveis” e foram várias este ano letivo, “foi sempre no sentido de que a praxe não pode incomodar a cidade, tem que ser mais integrativa e acho, inclusive, que este ano a praxe tem sido mais calma. Ressalvei muito a situação de que não se pode incomodar as pessoas que aqui vivem”.

A mesma responsável adiantou que, até ao momento, recebeu apenas uma queixa, “mas assim que acontece, de imediato falo com os notáveis”. Mas frisou: “Se estes alunos quiserem continuar a querer praxar desta maneira, isto torna-se impossível. Os caloiros não devem fazer nada que não queiram”

Ana Costas Freitas afirmou: “Eu não vejo sentido para a praxe, arrasta-se por muito tempo, até ao 1 de Novembro”, defendendo que se os estudantes quiserem que a praxe se mantenha, “exige-se que seja verdadeiramente integrativa”.

Adiantou também que “a receção aos alunos decorreu durante três dias, um dos quais contou com a presença do presidente da Câmara, elementos da GNR e da PSP que sensibilizaram os alunos para a preservação do espaço público”. Durante este período, os alunos visitaram os centros da Universidade de Évora e todos os espaços para que ficassem a conhecer a instituição.

A reitora concluiu: “É preciso continuar a fazer muita, muita pedagogia”.

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