Diario do Sul
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Debate público sobre políticas sociais para o futuro ocorreu em Évora

Estratégia nacional de combate à pobreza é a grande reivindicação

A erradicação da pobreza continua a ser um objetivo por concretizar. De acordo com os últimos dados estatísticos, em Portugal há mais de dois milhões e meio de pessoas a viverem no limiar da pobreza.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redacção D.S.

21 Outubro 2016

O Alentejo não foge à regra. Por isso, o Núcleo de Évora do Movimento Erradicar a Pobreza promoveu, na passada terça-feira ao final da tarde, na Sala de Docentes da Universidade, um debate público sobre este flagelo da sociedade. No final, a conclusão foi o anúncio da entrega de uma petição à Assembleia da República para insistir nas recomendações, que já foram efetuadas em 2008, para o Governo tomar medidas efetivas, nomeadamente definir e implementar uma estratégia nacional de combate à pobreza.

“Políticas Sociais – que desafios para o Futuro” foi a denominação do debate em que participaram como oradores, D. Januário Torgal Ferreira, bispo emérito das Forças Armadas e Segurança, o professor Silvério Cunha da Universidade de Évora e a moderação de Alexandre Varela, um dos membros do Núcleo de Évora do Movimento Erradicar a Pobreza que organizou este espaço de reflexão.

Esta iniciativa realizou-se a propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, reconhecido pela ONU em 1992, e porque “os números sobre a pobreza são muitos e frios, não conseguindo traduzir o drama diário dos que se confrontam com a impossibilidade de uma vida digna para si e para os seus familiares, particularmente os filhos. Como tal, consideramos que ninguém pode ficar indiferente a esta situação”, explicou Alexandre Varela.

O representante deste movimento em Évora salientou que a pobreza é uma forma de exclusão social, defendendo que tem que ser avaliada do ponto de vista multidimensional e não só do ponto de vista financeiro. E exemplificou: “A desigualdade de acesso à saúde, à educação e à cultura revertem em pobreza social”.

Alexandre Varela lembrou que, em 2008, houve uma resolução da Assembleia da República que recomendou ao Governo que tomasse medidas concretas para combater a pobreza no sentido de a erradicar. “Infelizmente com o decorrer da crise que, recentemente, nos abalou e também com as políticas de austeridade que, entretanto, foram executadas pelo anterior Governo, vimos um recrudescimento das situações de pobreza e da taxa de limiar de pobreza que está na ordem dos 20 por cento da população portuguesa e que atinge as crianças e os idosos, que são os mais prejudicados”, frisou.

O mesmo responsável sublinhou que há que mudar as mentalidades, sobretudo a de que “é a malga de sopa que vai resolver o problema”. Em seu entender, é preciso ter consciência de que existe uma dificuldade e não ser mascarada, mas enfrentada de uma vez. “Aquilo que se faz com os Rendimentos Sociais de Inserção e com os complementos solidários de dependência com os idosos é garantir a paz social, mas não é por aí que vamos ter uma sociedade mais saudável, mais justa e mais próspera”.

Bispo emérito das Forças Armadas
considera que falta “coragem”
para encontrar solução

D. Januário Torgal Ferreira também considerou imprescindível a execução de uma estratégia nacional, afirmando que “a Assembleia da República deve ter essa coragem porque já vetou o facto de a pobreza ser uma lesão dos direitos humanos”. Não obstante, disse acreditar haver hoje estruturas políticas, parlamentares e governamentais capazes de encontrar uma solução.

O bispo emérito das Forças Armadas e Segurança referiu que “há 50 anos quando me disseram que o Estado Novo nunca mais cairia, eu lembrei-me disso no 25 de Abril, quando me disseram que Timor nunca seria independente, afinal de contas foi independente, quando disseram que António Guterres poderia ser secretário das Nações Unidas, muitos pensaram que não, mas agora vai ser um missionário internacional da paz”.

Deste modo, D. Januário Torgal Ferreira entende que “é uma questão de experimentarmos fazer essa estratégia nacional”. E acrescentou: “Quando se fala em pobres fala-se em pessoas e essas têm que ser salvas e respeitadas. Há hoje muitas pessoas que não eram consideradas como tais, mas começaram a sê-lo a partir de um certo momento em que a política lhes deu lugar, se é que me faço entender…”.

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