Diario do Sul
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Conferência promovida pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre

Convento de Santa Clara recuou até 1452 quando as Clarissas chegaram a Évora

A Ordem das Clarissas, filhas espirituais de Santa Clara de Assis, chegou a Portugal via Coimbra. Mais tarde as religiosas fixaram-se em Lisboa e Lamego, antes de serem recebidas em Évora.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção D.S.

21 Outubro 2016

Seria o bispo da Diocese D. Vasco Perdigão quem desenvolveu os contactos para trazer o movimento para o Alentejo. Em 1452 avançou a construção da “casa” para receber a Ordem. Eram lançadas as primeiras pedras daquele que haveria de ser batizado como Convento de Santa Clara. Abriu portas em 1459. Por lá continua em pleno centro histórico de Évora, tendo recebido uma conferência promovida pela delegação da AIS (Ajuda à Igreja que Sofre), inserida na celebração do seu primeiro aniversário, na qual recordou a carga histórica deste património.

O padre David Barbosa Sampaio começou por recordar a vida de clausura de Santa Clara, contemporânea de Francisco de Assis no século XIII, dando origem à Ordem das Clarissas que haveria de se espalhar por toda a Itália, antes de chegar a países como Portugal, dando entrada no Convento que Évora tinha construído para receber esta congregação.

“O bispo Vasco Perdigão interessou-se mais pelo mosteiro dedicado a Nossa Senhora do Espinheiro, onde até está sepultado, mas depois veio o bispo D. Jorge da Costa (mais conhecido por cardeal de Alpedrinha), que dá prioridade a este convento e procede a obras de grande envergadura”, explicou.

É já no século XVI que o Convento de Santa Clara acaba por ter a atual configuração, usufruindo do facto de estar próximo da Igreja de São Francisco, que funcionava à época como Palácio Real, juntando muitas vezes a Corte. “As senhoras da nobreza acabaram por conseguir aqui alojamento. Umas entraram como religiosas e outas apenas se serviram do alojamento. Como eram pessoas da média e alta nobreza acabaram por dar muitas benesses ao convento, tendo vindo a alcançar grande pujança”, recorda o conferencista.

Mas em 1834 todos os religiosos são expulsos deixando o convento devoluto até à República em 1911, quando o Regimento de Infantaria 16 ali entra, ocupando o edifício até 1916. Em 1950 o convento é entregue ao Ministério da Educação, tendo sido instalada a Escola Industrial e Comercial, que ali funcionou ao longo de 20 anos. Mais tarde foi a vez da Escola André de Resende e nos últimos anos tem funcionado no Convento a Escola Preparatória de Santa Clara.

“São paredes que transpiram história”, admite o padre. A começar pela igreja principal do Convento, de nave única. Mais atrás funcionavam os coros baixo e alto, onde as religiosas se posicionavam separadas por uma rede de ferro. A rede do coro alto perdeu-se mas a do coro baixo ainda por lá está. Já o retábulo é do tempo de D. João V (Rei de Portugal desde 1706 até à sua morte), que o ofereceu ao convento. “É barroco, as paredes são de uma beleza incrível, de azulejos policromados, e o teto tem a forma de berço”, assinala. De resto, o Convento de Santa Clara “tinha as mesmas coisas que os outros tinham”, sublinha, referindo-se ao claustro e à cerca , onde as clarissas tinham as hortas e espaços sagrados para meditar.

Outro detalhe entre as religiosas da Ordem passava pela vocação para a confeção de doces e da junção de plantas destinadas a curar maleitas. “Como eram requisitadas pela nobreza laboraram muito a doçaria conventual, mas também tinham aqui uma botica com muitas ervas que tinham fama de cura. Sabiam curar por meio de experiências de plantas. Muita gente entrava aqui para conseguir cura e elas também forneciam hospitais, pobres e peregrinos para curar pequenas doenças”, resume o padre David Barbosa Sampaio.

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