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Simpósio “Posse e Uso da Terra no Alentejo” realizou-se em Évora

Região caracteriza-se por produção especializada e com explorações de maior dimensão

Perceber qual é a atual função social da terra foi o principal objetivo do simpósio desenvolvido pela Associação Povo Alentejano, na passada quarta-feira, no pólo da Mitra da Universidade de Évora.

Maria Antónia Zacarias

28 Outubro 2016 | Fonte: Redacção D.S.

De acordo com o presidente da associação, Abílio Fernandes, com esta iniciativa foi possível fazer a radiografia de um mundo que, a seu ver, tem vindo a ser descurado, mas que tem imensas potencialidades para explorar. Foram vários os investigadores e estudiosos que apresentaram as suas perspetivas, tendo-se concluído que ao nível da produção, a tendência dominante é a especialização técnico-económica das explorações. Quanto ao empreendimento de Alqueva é hoje, na sua vertente de regadio, o principal motor do desenvolvimento agrícola do Alentejo. No tema de quem trabalha a terra verifica-se uma diminuição da população agrícola e no que concerne à posse do solo verifica-se uma diminuição do número de explorações. Face a esta “radiografia”, Abílio Fernandes disse que a associação vai dar o passo seguinte com o aprofundamento da realidade agora conhecida e, seguidamente, pensar e apresentar políticas para melhorar o mundo agrícola da nossa região.

O presidente da associação Povo Alentejano salientou que, depois de tantas transformações que tivemos no Alentejo, em Portugal e na Europa, não é fácil que alguém se aperceba sobre o que está hoje a caracterizar a parte agrícola da nossa região. “Com esta primeira iniciativa quisemos procurar investigadores, estudiosos, técnicos que fossem capazes de nos transmitir o conhecimento desta realidade”, explicou. E isso, a seu ver, foi conseguido, uma vez que “é, agora, mais fácil caracterizar o setor rural do Alentejo. Tomámos conhecimento num patamar já muito reconhecido”.

Abílio Fernandes salientou que as principais conclusões ao nível da produção pautam-se por haver uma tendência dominante para a especialização técnico-económica das explorações, com o crescimento das de bovinos para carne, olival e vinha e diminuição das de bovinos de leite e cereais, oleaginosas e proteaginosas.

No que concerne à sustentabilidade ambiental, nomeadamente no montado e na sua versão silvo-pastoril “verifica-se um sistema capaz de sustentar o território, contribuindo para travar o processo de desertificação do interior”. O dirigente adiantou que, apesar das dificuldades que este sistema atravessa atualmente, existem soluções tecnológicas que permitem aumentar a sua produtividade e contribuir, simultaneamente, para o aumento da sua biodiversidade. “O investimento na recuperação da fertilidade do solo deve ser prioritário, sendo o acesso ao conhecimento o principal obstáculo à implementação de novas tecnologias”, advertiu.

Alqueva é motor
de desenvolvimento

No que diz respeito ao empreendimento de Alqueva, outro dos temas que esteve em debate, Abílio Fernandes sublinhou foi transmitido que cria riqueza e emprego, mas em contrapartida utilizam-se intensamente os fatores de produção, aumentando os riscos de insustentabilidade, quer económica, quer ambiental.

“As alterações climáticas aumentam as necessidades de água para rega, aumentando os custos de produção. As disponibilidades da albufeira de Alqueva são suficientes para garantir os abastecimentos na generalidade dos cenários agrícolas e climáticos futuros. Contudo, há algum risco num cenário agrícola que envolva novas áreas de regadio”, alertou.

A sustentabilidade do regadio alentejano exige, assim, ainda a aplicação de algumas tecnologias conservativas do solo e da água para combate à erosão e defesa dos solos regados contra riscos de salinização.

Mais empresas/sociedades agrícolas
em detrimento da produção familiar

“Quem trabalha a terra” foi outra das reflexões tendo-se concluído o que já não é novidade. Verifica-se uma diminuição da população agrícola, em particular da população agrícola familiar com particular relevância para diminuição do produtor singular. Em paralelo, nota-se um aumento do peso de produtores exercendo actividade igual ou inferior a 50 por cento, ao mesmo tempo que cresce o peso dos agricultores com formação ao nível do ensino superior.

O mesmo responsável adiantou também que, por outro lado, constata-se um aumento absoluto do número de “empresas/sociedades agrícolas e aumentos na produção da atividade agrícola (a preços no produtor) e do valor de negócios do setor agrícola”.

Quanto à “mão-de-obra agrícola não familiar - trabalhadores assalariados” há a realçar o crescimento da “mão-de-obra não contratada diretamente pelo produtor” .

Por fim, no que concerne ao tema que deu nome ao simpósio, “Posse e uso da terra”, Abílio Fernandes evidenciou que o número de explorações diminuiu drasticamente nos últimos 20 anos, com maior incidência nas mais pequenas. “A dimensão média aumentou significativamente, tendo-se verificado também uma maior concentração da propriedade no Alentejo”, acrescentou.

O presidente da associação Povo Alentejano apontou que se deu uma viragem profunda nas formas de uso da terra com o aumento substancial da área destinada às pastagens permanentes e uma considerável diminuição das terras aráveis.

Outro dado a salientar foi o facto de, nos últimos anos, ter aumentado muito o número de sociedades e as respectivas áreas de exploração e diminuíram as explorações por arrendamento. Em suma, consegue-se perceber que há uma maior concentração da terra.

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