merida enamora 2
Diario do Sul
diario jornal

Sabores da terra

O mundo das sopas que deliciou Montemor

A a equação da presidente da Câmara, Hortênsia Menino está dada: “em maio já fazemos a feira do pão e da doçaria, também para valorizar essa componente, mas é desafiante e estamos disponíveis para avaliar novas ideias, mas o formato deste festival está consolidado”, sublinha a edil.

Roberto Dores

17 Novembro 2016 | Fonte: Redacção D.S.

João, Rita e o filho Tomás estão prestes a provar a sopa de feijão com mogango feita há instantes. O casal admite ser um dos pratos preferidos lá de casa, mas receia que a criança possa não gostar da sugestão do ´chef´. Enganaram-se. À primeira colher - do alto dos seus seis anos - não hesita em dar o “ok” com o polegar esticado. “Muito boa”, avaliou o menor. Haveria de comer tudo o que estava na tigela.

A família Reis foi apenas uma das muitas que visitou o 13º Festival de Feira de Sopas em Montemor-o-Novo, onde os cheiros e sabores se misturaram a contento de quem aprecia os pratos alentejanos que foram sobrevivendo a evolução dos tempos. Por entre os 14 expositores lá estava a tomatada, as sopas de cação, espinafres, cogumelos, a canja de galinha de campo, mas também o ensopado de borrego. E mais, muitos mais.

Que o diga Ana Sousa. Ia destapando panelas para mostrar o cozido e a sopa parda, mas também o bacalhau com poejos. “São produtos desta terra. Os clientes adoram encontraram isto tudo neste espaço”, explica ao “Diário do Sul”, enquanto Carlos Saraiva chegava de Évora para sentar os dois filhos e três sobrinhos à mesa para quem pediu tomatada. “Todos gostam, mas tem que ter o ovo escalfado”, alertava o “patriarca”, enquanto na mesa ao lado Sílvia e Sónia Castro iam esvaziando um tacho de ensopado com a certeza de “foi tudo feito com produtos caseiros. Sabe mesmo ao ensopado que fazia a minha avó”, justificavam as duas irmãs.

Nídia Sousa sorria enquanto exibia o toucinho e linguiça que acompanhavam as suas sopas de tomate, mas recomendava “sopa na pedra” a quem quisesse um prato com mais conduto. “As ervilhas com ovos escalfados também têm boa saída”, dizia, elogiando o certame tendo em linha de conta o retorno que proporciona ao longo do ano. Tal como a vizinha do lado, Filipa Neto, alguns dos visitantes da feira que provam as sopas acabam por aparecer mais tarde nos restaurantes de Montemor.”Temos pessoas que vêm cá almoçar depois de experimentarem este contexto tão especial”, dizia Filipa.

Também por isto Custódio Leal elevava a fasquia e sugeria que a feira passasse a ser realizada duas vezes por ano. “Neste tempo vai bem uma sopa quentinha, mas no verão apetecem outras coisas”, justificava, admitindo que o certame tem alcançado uma simpática projeção mediática. Acaba por vir gente de Montemor, mas também de fora. Nos dias de hoje a publicidade faz muita falta”, insistia.

O desafio de Custódio Leal mereceu, pelo menos, a equação da presidente da Câmara, Hortênsia Menino. “Em maio já fazemos a feira do pão e da doçaria, também para valorizar essa componente, mas é desafiante e estamos disponíveis para avaliar novas ideias, mas o formato deste festival está consolidado”, sublinhava a edil, tendo na mão essa vitória do incentivo ao consumo da sopa enquanto parte integrante de uma alimentação saudável em sintonia com a vertente promocional do melhor que a gastronomia da região tem para levar ao prato. São saberes, afinal, que cruzaram gerações.

Cada vez mais gente
para provar as sopas

E quanto ao sucesso da feira das sopas? Hortênsia Menino não tem dúvidas. “Temos conseguido atrair cada vez mais visitantes. Além do montemorenses, vem muita gente de fora”, revela a autarca, alertando mesmo que as sopas acabam por ser chamariz para encher a hotelaria da terra, havendo quem aproveite para passar o fim-de-semana na região.

Até porque no pavilhão de exposições havia mais do que sopas e alguma doçaria. Também o vinho por lá andou, com direito à apresentação do roteiro do enoturismo e uma prova de brancos e tintos comentada pela Confraria do Enófilos do Alentejo. Já antes se tinha assistido a uma demonstração culinária de confeção de feijão com mogango, que contou com a participação do Movimento Democrático de Mulheres. Também as empadas haveriam de ter lugar de destaque com o levantar do véu sobre algumas receitas tradicionais. Quem assistiu ficou a conhecer alguns segredos desta “arte”. E até o verão de São Martinho ajudou à festa. 22 graus em meados de novembro não é todos os anos.

Dê-nos a sua opinião

Incorrecto
NOTA: As opiniões sobre as notícias não serão publicadas imediatamente, ficarão pendentes de validação por parte de um administrador.

NORMAS DE USO

1. Deverá manter uma linguagem respeitadora, evitando conteúdo malicioso, abusivo e obsceno.

2. www.diariodosul.com.pt reserva-se ao direito de eliminar e editar os comentários.

3. As opiniões publicadas neste espaço correspondem à opinião dos leitores e não ao www.diariodosul.com.pt

4. Ao enviar uma mensagem o utilizador aceita as normas de utilização.