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Garantia dada pelas Infraestruturas de Portugal

14 comboios/dia passarão por Évora sem isolar bairros e com passageiros

Nenhum bairro vai ficar isolado ao longo do troço ferroviário com cerca de 1700 metros que irá atravessar Évora, segundo garantia dada por Cândida Castro, técnica das Infraestruturas de Portugal (IP) durante uma audição na qual a Assembleia Municipal analisou o projeto.

Roberto Dores

17 Novembro 2016 | Fonte: Redacção D.S.

Recorde-se que a contestação se instalou na cidade contra o traçado da linha ferroviária, que aproveita um canal já existente na parte oriental da cidade, receando os moradores pelos impactos negativos que a passagem dos comboios possa provocar nos bairros.

“Há sempre pessoas afetadas”, admitiu a mesma responsável, considerando que a situação mais preocupante se prendia com a rua da Saudade. O projeto impedia as pessoas de acenderem às suas casas de carro. “Nunca faríamos uma coisa dessas”, assegurou, após revelar que perante as preocupações da população e autarquia as IP optou por avançar com algumas alterações.

Cândida Castro deixou ainda claro que os 14 comboios que diariamente deverão passar na cidade - sete em cada sentido - traduzidos em locomotivas elétricas, irão ser sujeitos a velocidade controlada, enquanto o próprio ruído será “mitigado” através da utilização de uma “manta resiliente”. Segundo a tutela, entre as medidas está o facto de os carris serem constituídos por barra longa soldada que não provoca qualquer atrito com os rodados dos comboios, bem como a colocação de uma “manta vibratória” entre o carril e as travessas, que absorve as vibrações e o ruído provocado pela passagem das composições.

Também as preocupações lançadas pelo movimento de cidadãos sobre o hipotético transporte de mercadorias perigosas, vindas dos terminais petroleiro e petroquímico de Sines, mereceram o reparo desta técnica das IP, alertando que as mercadorias vão ser contentorizadas ou a granel pelo que não haverá lugar ao transporte de produtos perigosos. Coube ainda a Cândida Castro confirmar o que já tinha sido avançado pelo “Diário do Sul” relativamente ao transporte de passageiros na ligação a Espanha, que poderá colocar Évora e Badajoz à distância de 30 minutos.

Pinto de Sá quer
Alentejo no projeto

Antes da intervenção da representante das IP já o presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá, tinha sublinhado a importância estratégica do projeto ferroviário para o país mas também para o desenvolvimento económico da região. Defendeu por essa via que o projeto não deverá considerar apenas o arco Sines, Setúbal e Lisboa, mas também “Évora e o Alentejo Central”

O autarca quer um cais que permita “levar e trazer” mercadorias para o Alentejo Central, defendendo que a futura ferrovia terá que se “adaptar a Évora e saber conviver com uma cidade que é património da humanidade. Tem que valorizar Évora, porque Évora também pode valorizar este projeto”, avançou o edil logo na abertura dos trabalhos.

Depois Carlos Pinto de Sá reiterou as questões sobre o traçado, defendendo que a “qualidade de vida” das populações tem que ser garantida. Daí que autarquia se tenha insurgido contra a opção “de cortar a cidade”, disse, assegurando que o concelho dispõe de “território para encontrar uma boa solução”.

Na sessão que teve lugar no Palácio D. Manuel participaram os vários partidos políticos com assento na Assembleia Municipal de Évora. Pela CDU esteve Manuela Cunha, pelo PS Elsa Teigão, o PSD marcou presença com José Policarpo, enquanto o Bloco de Esquerda foi representado pelo deputado Heitor de Sousa. Todos usaram da palavra, bem como os representantes empresariais.

Paragem de quatro anos
e impactos na construção

Entretanto, Duarte Silva, em nome do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas, recordou os quatro anos em que o projeto esteve parado, sendo colocado em risco. Sublinhou que perante o risco de perda de fundos comunitários é hora de andar depressa, ressalvando que que essa urgência “não impede de tentar responder à preocupação legitima das populações”. Prosseguindo, aliás, as orientações da tutela assim que tomou conhecimento pela autarquia das reservas em torno do traçado.

O mesmo representante reforçou a importância do projeto ferroviário, destacando a sua “grande capacidade” ao nível da maior eficiência no transporte. “Tem muito mais capacidade para movimentar. Um comboio transporta o equivalente a 30 camiões. Estamos a falar de ter poucos comboios mas muita carga a ser escoada, não só entre Sines e Espanha, mas desejavelmente ao longo do itinerário nas regiões que atravessa”, acrescentou Duarte Silva, admitindo ainda que as ligações de passageiros vão potenciar a procura. Mas há mais. Apontou o impacto económico durante a fase de construção “com criação de emprego”, disse, enquanto Luís Marques, também na qualidade de represente das IP sustentou que o investimento na modernização da ferrovia vai permitir ligar todo o país à Europa.

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