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Diario do Sul
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Pequenos agricultores deitam contas à vida

Hortas somam prejuízos sem chuva e muita geada

Os hortelões alentejanos estão a passar por dias difíceis. Dizem que a culpa é do clima. A juntar à falta de chuva que tem marcado este inverno surgem agora as fortes geadas a destruir coentros, ervilhas, salsa ou espinafres.

Roberto Dores

16 Janeiro 2017 | Fonte: Redação

As culturas apelidadas de “mais frágeis” estão a ficar pelo caminho e mesmo as que sobrevivem acabam por não se desenvolver. A criação de pequenas estufas seria a solução para este problema, mas nem todos os pequenos produtores alentejanos dispõem deste sistema.

“A situação vai-se degradando à medida que os dias passam e continua sem chover. A falta de humidade complica muito a vida a quem tem estas pequenas hortas”, alerta Joaquim Manuel Lopes, técnico agrícola e membro da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), que depois da seca que marcou os meses de outubro a dezembro - prosseguindo pelo que já levamos cumprido de janeiro - já receia o eventual aparecimento das chamadas “geadas negras” que poderão condenar a produção a zero.

“Se isto acontecer até a própria vinha será ameaçada, numa altura em que começa a rebentar porque tem havido dias quentes para a época do ano”, insiste o dirigente, para quem é chegada a hora dos hortelões começarem a “regar a pé”, uma vez que o atual estado das hortaliças já não permite a rega por aspersão.

Joaquim Manuel Lopes admite que isso se traduz numa dificuldade para algumas pessoas. “A maioria dos produtores já estão muito habituados ao aspersor e ao canhão de rega. De facto, este sistema da rega a pé não é fácil aos dias de hoje, mas é a melhor solução para fazer a água entrar por baixo da plantação e evitar que se deposite nas folhas”, explica o técnico da CNA, alertando para o risco da “formação de geada e presença de maresias que depois congelam” no caso da rega ser feita durante o dia com recurso a aspersores.

“Já a rega a pé é feita por alagamento. Até pode ser de mangueira, desde que não se ande por cima das culturas”, insiste Joaquim Manuel Lopes, esclarecendo que a melhor solução passa pela aposta na rega durante a noite, o que irá impedir a formação de gelo. “Quem tem isto mecanizado fará com mais facilidade, porque basta programar o relógio para que a rega se faça entre as duas ou três da manhã”, explica, admitindo que na região já existem bons exemplos em torno desta alternativa.

O sobe e desce
das barragens

Ainda assim, no final de dezembro - e comparativamente ao último dia do mês de novembro - o volume de água armazenado aumentou em oito bacias hidrográficas e desceu em quatro. Segundo o boletim mensal de armazenamento das albufeiras, na bacia do Guadiana, Alqueva encontrava-se a 78,2% do seu limite, cinco barragens estavam entre os 50 e os 80% e três estavam abaixo dos 50% da sua reserva máxima de água. A barragem do Enxoé estava acima dos 80% da sua capacidade máxima.

Já na Bacia do Sado uma albufeira estava acima dos 80%, outra entre os 50% e os 80% e oito abaixo dos 50% da capacidade limite. As barragens do Roxo e do Monte da Rocha são os casos mais preocupantes. As duas albufeiras têm uma reserva de água de apenas 14,6% da sua capacidade máxima.

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