Diario do Sul
diario jornal

Sevilha

Terras sem Sombra apresenta temporada de 2017 em Sevilha e seduz com “geminação” de cante alentejano e flamenco

Embaixada Cultural do Alentejo na capital da Andaluzia

Fonte: Nota de Imprensa

31 Janeiro 2017

Feita a apresentação, em Serpa, do programa do festival para 2017, será a vez de Espanha – o país convidado deste ano (em 2016 foi o Brasil) – receber, em Sevilha, de 2 a 4 de Fevereiro, uma “Embaixada Cultural” do Alentejo. O lindíssimo Pavilhão de Portugal, Consulado-Geral do nosso país na capital andaluza, torna-se, durante esses dias, o epicentro de um intenso programa, apadrinhado por grandes nomes da música erudita, mas também do popular flamenco: o maestro Fahmi Alqhai, os cantaores ciganos Esperanza Fernández e Arcángel e o guitarrista Miguel Ángel Cortés.

Após ter revelado pela primeira vez o cante alentejano em Madrid, há um ano, no Círculo de Bellas Artes, local-chave da vida cultural e política da capital espanhola, o Terras sem Sombra avança, agora, para a metrópole da Andaluzia. O propósito é dar a conhecer o potencial de um território muito atractivo e que progride a bom ritmo, mas se mantém fiel à sua identidade e gosta de acolher quem vem de fora.
O gesto sedutor do festival português de música sacra une, no mais português dos palácios sevilhanos, dia 4 de Fevereiro, às 20 horas, a tradição alentejana e alguns dos principais vultos do cante jondo. Do Baixo Alentejo irão o Rancho dos Cantadores de Aldeia Nova de S. Bento, acompanhados por Pedro Mestre, e os Cantadores do Desassossego. Um “acto de geminação” entre o cante e o flamenco, duas manifestações artísticas distinguidas pela UNESCO, na mesma data, com o reconhecimento de Património Imaterial da Humanidade.
Esta operação, nunca antes imaginada, é um desafio que rasga fronteiras. Faz, de resto, todo o sentido. O flamenco, mais ainda do que o fado, possui uma forte e comovedora tradição religiosa, de que a Misa Flamenca é um dos pontos cimeiros. Daí que o Terras sem Sombra vá apresentar, na sua programação de 2017, peças tão surpreendentes como a copla popular (atribuída a S. João de Ávila), No me Mueve, mi Dios, ou o Kyrie com a melodia da famosa Niña de los Peines, e o Agnus Dei ao ritmo de soleá e seguiriyas.
Puro flamenco, de que a sevilhana Esperanza Fernández, o granadino Miguel Ángel Cortés ou Arcángel, filho de Huelva, mas intrinsecamente ligado à capital andaluza, são expoentes máximos. Sevilhano é também Fahmi Alqhai, filho de pai sírio e mãe palestiniana, um grande senhor da música antiga que ama as virtualidades expressivas do cante jondo. Uma vez que o cante alentejano espelha, também ele, uma espiritualidade arreigada e autêntica, o diálogo com os andaluzes fluirá com a mesma naturalidade que as populações de ambos os lados da raia se encontram e misturam, há muitos séculos.
O Terras sem Sombra é, assumidamente, o festival do território do Baixo Alentejo, e tem vindo a afirmar-se como um rosto e uma porta aberta para o conhecimento desta região. Música, património e biodiversidade dão o mote para divulgar a cultura, a paisagem, a gastronomia, a economia e o empreendedorismo locais. Em 2017, a programação artística valoriza a espiritualidade na arte, propondo uma viagem pela música dos séculos XVI a XXI, guiada por grandes intérpretes espanhóis e portugueses, mas também norte-americanos, húngaros e franceses. Como boa parte do público do TSS vem de Espanha, entende-se bem o desejo de lhe dar a conhecer, em primeira mão, tudo o que tem para mostrar este ano.

Uma característica que este projecto conseguiu ao longo dos anos prende-se com a articulação das forças vivas da região para levar a cabo tanto um festival de referência internacional como esta “embaixada”, a qual reúne, mais uma vez, a uma só voz, os municípios de Almodôvar, Sines, Santiago do Cacém, Ferreira do Alentejo, Odemira, Serpa, Castro Verde e Beja. Juntam-se-lhes a Direcção Regional de Cultura, a Direcção Regional da Conservação da Natureza e Florestas e a Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo, o que mostra o carácter transversal de uma iniciativa que parte da sociedade civil – é organizada pela associação Pedra Angular e pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja. Algo de certo modo único no nosso país.

Nas relações entre o Alentejo e a Andaluzia, as fronteiras são, hoje como ontem, meramente territoriais, revelando uma vivência de proximidade que se exprime também por outros legados, entre eles os do Caminho de Santiago e da transumância. Com o intuito de aprofundar os laços já criados, esta “embaixada” contempla ainda, sob a égide do Consulado-Geral de Portugal, um encontro entre autarcas e agentes culturais e económicos de ambos os lados da raia. A comitiva portuguesa será ainda recebida, entre outras autoridades, pelo “alcalde” de Sevilha e pelo presidente da Diputación Provincial.

Dê-nos a sua opinião

Incorrecto
NOTA: As opiniões sobre as notícias não serão publicadas imediatamente, ficarão pendentes de validação por parte de um administrador.

NORMAS DE USO

1. Deverá manter uma linguagem respeitadora, evitando conteúdo malicioso, abusivo e obsceno.

2. www.diariodosul.com.pt reserva-se ao direito de eliminar e editar os comentários.

3. As opiniões publicadas neste espaço correspondem à opinião dos leitores e não ao www.diariodosul.com.pt

4. Ao enviar uma mensagem o utilizador aceita as normas de utilização.