merida enamora 2
Diario do Sul
Twitter rectangular

Voos low cost

Alentejo é beneficiado com aeroporto no Montijo? Só se for o turismo

27 Fevereiro 2017

A decisão definitiva sobre a localização do futuro aeroporto no Montijo, destinado a voos low cost está condicionada à conclusão de um relatório sobre o impacto da migração de aves naquela zona, nomeadamente para a segurança migratória. A avançar, esta infraestrutura aeroportuária passará a ser a mais próxima de vários concelhos do Alentejo. Que efeitos terá na região? Voz aos deputados eleitos pelo distrito de Évora.

João Oliveira, da CDU, admite que o impacto estará mais associado ao número de turistas, que continuam em crescendo no nosso país. “Claro que isso vai beneficiar também o Alentejo. Mas parece-me que do ponto de vista da extensão que é feita do aeroporto da Portela para Montijo não acrescenta muito relativamente aos impactos que podem daí advir para a região”, diz o parlamentar, admitindo que se a solução passasse por Alcochete, acompanhada da terceira travessia do Tejo e da ligação ferroviária por TGV a Espanha seria possível “termos outro tipo de aproveitamento para a região”.

João Oliveira faz uma ressalva, subinhando que “independentemente das decisões que se tomem relativamente ao aeroporto de Lisboa, que isso não ponha em causa a necessidade de aproveitamento do aeroporto de Beja e da capacidade instalada que já existe. A rede aeroportuária nacional tem que funcionar como tal”, resume.

Já António Costa da Silva (PSD) tem parcas perspetivas sobre o impacto do aeroporto. “São linhas de low cost e não acredito que tenham grande eficácia ou efeito na região”, diz, recordando que existe um “conjunto enorme de obstáculos para resolver”, como é o caso dos estudos de impacte ambiental e concursos públicos.

“Para o Alentejo, não acredito que tenha efeito em termos de empregabilidade ou dinâmica económica. Terá sim efeito no país, no seu todo, porque se tivermos melhores condições para receber turistas, o país fica beneficiado”, justifica o deputado social democrata. E resume: “A região terá aqui o aeroporto mais próximo e alguns low cost poderão vir para cá, mas não acredito que seja o efeito principal, tendo em conta as características do turismo que temos”.

Já para Norberto Patinho (PS), a solução do Montijo é encarada como uma forma de resolver um velho problema. “Já poderia ter sido resolvido há uns anos com o projeto e os estudos que foram realizados, mas que foram abortados pela governação anterior do PSD e CDS”, sublinha, acrescentando que perante aquilo que se conhece e face aos condicionalismos económicos com que o país se defronta, “Montijo poderá ser solução equilibrada, com menos custos e mais rápida, beneficiando também o Alentejo e o Sul do país”.

Também o deputado socialista não esquece o aeroporto de Beja. “Espero que também venha a ter uma utilização dentro daquilo que é o plano do que poderão ser os transportes aéreos e rentabilização das infraestrututas de que dispomos”.

Recorde-se que neste momento já existe um acordo com a ANA - Aeroportos de Portugal, sendo necessário aprofundar o estudo relativamente ao impacto de ser uma zona de migração de pássaros. Até os estudos estarem concluídos não haverá, segundo o próprio primeiro-ministro, António Costa, uma decisão definitiva, embora, seja possível já “concentrar a nossa avaliação relativamente a uma das várias soluções possíveis e ir desenvolver o trabalho nesse sentido”, insistiu o chefe do Executivo, admitindo que a “segurança aeronáutica” pode conflituar com esse percurso migratório de aves, que passa pelo Montijo.

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) pede cautelas, alertando para a necessidade de ser feito um estudo de impacte ambiental, alegando que “existe um histórico de acidentes com aves na Base Aérea do Montijo (BA6), com a utilização militar que tem”, diz o diretor executivo da SPEA, Domingos Leitão, alegando que existe «um maior risco com uma utilização civil». Para a SPEA está ainda em causa “uma das mais importantes zonas húmidas da Europa com duzentas mil aves a passarem por ali todos os anos”, acrescenta Domingos Leitão.

Há cerca de um ano que o presidente da ANA Aeroportos, Jorge Ponce de Leão, já apontava a base do Montijo como a solução mais viável para vir a acolher as companhias low cost no Montijo, justificando que “todas as partes já concordaram” ser a alternativa que menos vai custar aos contribuintes.

Recorde-se que há muitos anos que a capacidade do aeroporto da Portela começa a chegar ao limite, tendo justificado Jorge Ponce de Leão que “neste momento a solução da margem sul não é melhor só para a ANA. É para a cidade de Lisboa para continuar a suportar o fluxo de tráfego e é também melhor para o país porque é a solução que exigirá menos esforço para os contribuintes”.

O projeto passará por terminar com o conceito Portela+1, vindo antes a pista do Montijo e da Portela a operarem como uma espécie de aeroporto único. Ou seja, a Base nº6 também passará a integrar o Aeroporto de Lisboa, pelo que o investimento a realizar terá em vista o “longo prazo”, assegurando a utilização da pista por mais tempo.

 

 

Dê-nos a sua opinião

Incorrecto
NOTA: As opiniões sobre as notícias não serão publicadas imediatamente, ficarão pendentes de validação por parte de um administrador.

NORMAS DE USO

1. Deverá manter uma linguagem respeitadora, evitando conteúdo malicioso, abusivo e obsceno.

2. www.diariodosul.com.pt reserva-se ao direito de eliminar e editar os comentários.

3. As opiniões publicadas neste espaço correspondem à opinião dos leitores e não ao www.diariodosul.com.pt

4. Ao enviar uma mensagem o utilizador aceita as normas de utilização.