Diario do Sul
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Alentejo viu a sua paisagem modificada nos últimos vinte anos

Alqueva veio dar grande ânimo à agricultura, mas preço da água tem que baixar

27 Fevereiro 2017

O slogan “celeiro de Portugal” referindo-se à região Alentejo esteve sempre no centro de algumas discussões. Hoje, em pleno século XXI, o território continua a apostar em agricultura de sequeiro com impacto na dinâmica agrícola e económica, mas já não é somente isso. A água de Alqueva veio revolucionar não só a paisagem desta vasta planície, mas também o modo de fazer agricultura resultante do regadio. Hoje, os agricultores querem um setor mais competitivo, capaz de fazer frente aos grandes mercados europeus, marcando presença também com as exportações dos produtos que aqui são produzidos. A “sede de água” a preços acessíveis continua a existir, sendo uma das reivindicações dos homens e mulheres que se dedicam ao trabalho da terra e de onde tiram o seu rendimento. Água a baixos custos e mais territórios com acesso ao regadio continuam a ser as maiores reivindicações a que o ministro da Agricultura, Capoulas Santos responde afirmando que, no que concerne à redução do preço da água de Alqueva, espera ter novidades em breve.

O dirigente da Associação de Agricultores de Serpa, Sebastião Rodrigues afirmou, em entrevista exclusiva ao “Diário do Sul”, que houve uma mudança “brutal” na agricultura no Alto e Baixo Alentejo com a construção de Alqueva. “Uma grande zona de área e de regadio fez com que a região se tivesse transformado completamente com a introdução de novas plantações, novas culturas, permitindo em simultâneo que as propriedades se modernizassem no sentido de conseguirem competir de uma maneira forte com outros países europeus”, sustentou.

O agricultor lembrou, contudo, que isto também implicou custos acrescidos. “O custo da água e da energia são agravados. Está na ordem do dia, os nossos pedidos para que a água seja mais barata para que possamos ser mais competitivos”, reiterou, acrescentando crer que “chegaremos a bons resultados nesta nossa batalha”. Não obstante afirmou que “Alqueva nunca estará cem por cento concluída. A EDIA continua a fazer estudos para expandir a área de regadio”.

Na opinião do dirigente associativo, o Alentejo é uma região que tem uma agricultura completamente modernizada, topo de gama, sendo muito competitiva no olival, onde tem uma produção histórica e com uma elevada exportação. “Ficaram para trás os cereais porque a terra é muito mais forte noutro tipo de plantações, como já referi o olival, mas também outras culturas que desconhecíamos e onde hoje somos os melhores a produzir, nomeadamente a papoila e a cebola”, frisou.

No entanto, não esqueceu as culturas de sequeiro que permanecem na região e que também elas têm vindo a transformar-se pouco a pouco. “Continuamos a ter ótimos olivais de sequeiro que produzem uma quantidade fabulosa de azeite com variedades autóctones”, sustentou.

Agricultores voltaram a ser respeitados pelo trabalho de produção

Sebastião Rodrigues fez questão de tocar num ponto que envergonhou durante muito tempo os agricultores que eram vistos como subsídio-dependentes. “A imagem dos subsídios, triste e muito complicada, tem vindo a mudar pelo trabalho dos agricultores e pelo peso que o setor tem no panorama nacional. Os agricultores em Portugal são agora respeitados”, vincou.

Atualmente, têm ajudas à produção, acrescentou, “mas esses apoios são ínfimos no peso de uma casa agrícola”, afirmando que estes financiamentos são canalizados para as colheitas. “Com o crescimento da população mundial é necessário produzir e é isso que estamos a fazer no Alentejo, daí a classe dos agricultores representar um papel fundamental no nosso território”, admitiu.

Em conclusão, o dirigente da Associação de Agricultores de Serpa garantiu que o setor agrícola transformou-se para melhor e, hoje em dia, a maioria dos agricultores tem conhecimento técnico do que vai produzir, o que é decisivo para contribuir para uma agricultura mais dinâmica e atenta às necessidades do mercado global.

 

 

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