Diario do Sul
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Há uma proposta para combater febre hemorrágica

Balanço da época de caça? Há falta de coelhos houve tordos

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção

09 Março 2017

“As aves migratórias acabaram por ter alguma relevância este ano”, avançou Jacinto Amaro, presidente da Federação Nacional de Caçadores (Fencaça), destacando “a quantidade apreciável de tordos, que permitiu algumas boas caçadas em algumas regiões”, citando alguns casos particulares de sucesso na região.
O mesmo não ocorreu em relação ao pombo torcaz, que deu apenas sinais de vida mais generosos na zona de Alcácer do Sal. “O clima nos seus países de origem, no norte da Europa, já não é assim tão frio que os obrigue a vir para cá fazerem a invernada. Depois há alterações na paisagem com a colocação de pivôs e o aumento da produção da área de milho para lá dos Pirinéus. Ou seja, não passam para o lado de cá”, lamenta Jacinto Amaro, para quem a maior contraridade para os caçadores continua ser a crise dos coelhos, atingidos pela febre viral hemorrágica, que também está a afetar as lebres.
“Neste momento assitimos a populações praticamente residuais, o que leva a que os caçadores se encontrem desanimados e estejam a abanadonar as zonas de caça”, lamenta o dirigente, revelando ao Diário do Sul já ter enviado uma proposta ao ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, solicitando a criação de um grupo de trabalho, constituído por várias entidades ligadas ao setor, que permite recuperar a população de coelhos e lebres.
“Estamos à espera de resposta positiva, como não pode deixar de ser, para que possamos avançar noutra linha de investigação, mais ligada aos suplementos alimentares”, explica Jacinto Amaro, depois de se concluir que a vacinação é um recurso inviável. “Nos coelhos domésticos resulta, porque é possível vaciná-los de seis em seis meses. Mas com os coelhos selvagens isso é impossível”, admite, sugerindo que a solução possa passar pelo fornecimento de ração com um composto habilitado a criar imunidade à febre hemorrágica.
“Tem que ser uma ração que seja atrativa para os animais que funcione como medida preventiva da doença”, explica o dirigente, que aproveita o balanço de mais uma época de caça para voltar a alertar para a praga de javalis nos campos do Alentejo, com interferência direta na escassez de animais.
“O javali está no topo da cadeia alimentar, sem predadores. Como, por exemplo, os ovos dos ninhos de perdizes, destrói o habitat dos coelhos, o que agrava o problema e provoca aqui um desiquilíbrio permanente”, denuncia Jacinto Amaro, reafirmando a necessidade de se “bater com força nas populações de javalis, para as controlar”, acrescentando ainda que também as raposas e saca-rabos deverão ser alvo de controlo, embora a caça da raposa esteja a ser alvo de contestação e vá este fim-de-semana ser alvo de uma manifestação em Lisboa(ver caixa).
 
Em defesa da raposa
 
Roupa preta, máscara de raposa e vontade de pôr fim à caça deste animal em Portugal. É este o apelo lançado por um movimento cívico que quer a abolição das batidas no país. O protesto está marcado para este sábado, na Praça do Comércio, em Lisboa. “Pelo menos 142.480 raposas foram mortas entre 2005 e 2015 e, apesar de em Portugal ser permitida a caça da raposa de acordo com a lei, as raposas fazem parte do ecossistema e por tal cresceu este movimento para a abolição da caça à raposa em Portugal e para procurar formas de convivência mútua e em equilíbrio natural”, explica em comunicado o movimento. “Este ano foram realizadas entre 15 a 20 batidas durante os meses de janeiro e fevereiro, precisamente durante a época de acasalamento, em que as raposas são mais suscetíveis de caçar”, adiantam ainda. Foi criada uma petição que já vai em mais de 7500 assinaturas e que os promotores pretendem entregar na Assembleia da República. A manifestação do próximo sábado é mais uma iniciativa para aumentar a sensibilização da população.

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