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Dados revelados pelo Serviço Nacional de Saúde

Alentejo gastou 15 milhões de euros com contratação de médicos tarefeiros

Os encargos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com a contratação de médicos à hora aproximaram-se dos 15 milhões de euros na região, em 2016. A Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano chegou aos 4,5 milhões, seguindo-se a Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano com valor semelhantes, enquanto os restantes hospitais e centros de saúde dos distritos de Évora e Beja absorveram o restante. A totalidade do valor traduz um aumento face a 2015.

04 Abril 2017

Uma das maiores despesas foi registada na área da Medicina Interna, enquanto a anestesiologia é das especialidades que concentra grande fatia dos gastos entre as várias unidades de saúde dos três distritos. Já a Medicina Geral também está em foco no topo da lista.

Os dados que reportam a despesa com os prestadores de serviços médicos foram divulgados no Portal do Serviço Nacional de Saúde, avançando que até final de dezembro os hospitais da região contrataram mais de meio milhão de horas médicas para tapar buracos nas escalas.

Aliás, mais de 50% do dinheiro despendido com estes “tarefeiros” em 2016 serviu para assegurar as escalas das urgências, sendo quase unânime entre médicos e gestores que o recurso a estes profissionais tem reflexos na qualidade do trabalho e dos cuidados prestados, sobretudo porque a maioria dos profissionais não têm especialidade e estão desintegrados das equipas.

Alguns hospitais da região chegaram a recrutar médicos para assegurar a escala das urgências - em períodos do ano - oferecendo 50 euros por hora (três vezes mais do que ganham os médicos do quadro) e turnos de 12 e 24 horas, embora tanto o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) como a própria Ordem tenham alertado que que nem a possibilidade dos tarefeiros auferirem 1200 euros num só dia – quase metade do rendimento mensal dos colegas que pertencem ao quadro – assegura atendimento aos utentes.

“Temos vários sítios no país a fazerem o mesmo, mas há falhas, porque os tarefeiros não estão integrados nas equipas”, diz o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha, numa altura em que hospitais que recorrem aos “tarefeiros” justificam ser este o caminho mais curto para colmatarem as férias dos médicos fixos e o aumento de população, sobretudo, nas zonas turísticas.

O Ministério da Saúde já reagiu, afirmando que em 2016 a opção foi “garantir o acesso dos portugueses ao SNS minimizando as dificuldades ocorridas nos anos anteriores”. Este ano, acredita a tutela, “com a reposição progressiva do valor do trabalho extraordinário e a prossecução da estratégia de recrutamento de profissionais esse objetivo já será bem percetível”.

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