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Diario do Sul
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11.º Congresso das Açordas iniciou-se com sessão debate sobre produtos biológicos

O sabor e o cheiro dos produtos das nossas avós devem voltar à gastronomia

A produção biológica que não é mais do que aquela que os nossos avós faziam está na moda de novo. Hoje em dia, há muitos produtores a dedicarem-se exclusivamente a estes produtos que são, cada vez mais, requisitados pelos chefes de cozinha que buscam uma cozinha tradicional autêntica e de qualidade.

04 Abril 2017

Aliás, foi precisamente essa a temática da sessão debate que deu início, na passada sexta-feira, à 11.ª edição do Congresso das Açordas em Portel. Os oradores falaram sobre a certificação destes produtos, considerando que não esta autenticidade não deve fazer aumentar os preços para que possam ser acessíveis a todos, contribuído para uma alimentação mais saudável com impacto na melhor qualidade de vida da população.

O regresso às origens, aos sabores, aos cheiros que estão na nossa memória e fazê-los chegar agora aos nossos filhos é o contributo que a Câmara Municipal de Portel quer dar para que a tradição da gastronomia alentejana seja preservada. A explicação foi feita pelo presidente do executivo que apontam a importância dos produtos biológicos terem viabilidade económica.

José Manuel Grilo salientou que “quando existe uma estratégia nacional para a agricultura biológica, o nosso ambiente pode melhorar, bem como a nossa saúde por termos uma alimentação mais saudável”, frisou. A seu ver, a aposta e os incentivos que existem para a produção biológica poderão levar ao desenvolvimento do mundo rural “com a finalidade de ciar emprego que é aquilo que mais necessitamos”.

Um desenvolvimento em que o agricultor Alfredo Cunhal Sendim acredita há muitos anos, uma vez que apenas se dedica à produção de bens biológicos. “Há cada vez mais especialização dos agricultores, o que faz com que muitos tenham conhecimentos e optem por praticar uma agricultura limpa de produtos químicos, mostrando que conseguem produzir em quantidades suficientes ou até mais para as necessidades do mercado”, salientou.

Esta opinião levantou algumas questões, nomeadamente as desvantagens que também foram admitidas existirem neste tipo de produção. José Veiga, representante da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Alentejo, lembrou que quem obedece às regras é que consegue obter a certificação, mas isso acaba por encarecer o produto. “Embora haja pessoas que produzem de forma biológica prescindem de os autenticar para ter maior escoamento, conseguindo escoá-los, por exemplo, nos mercados locais”, explicou. 

Consciente da realidade do aumento dos preços praticados está Susana Nonato, chefe na Escola Profissional da Região Alentejo (EPRAL) que afirmou que cozinhar com os produtos biológicos “está cada vez mais na moda, sobretudo por apresentarem uma maior qualidade nutricional”. E acrescentou: “Nós utilizamos, sempre que possível, os produtos da nossa região, mas sabemos que não é toda a gente que pode comê-los na restauração porque os preços dos pratos sobem muito na carta”.

Silvina Ferro Palma, representante da Confraria Gastronómica do Alentejo sublinhou a qualidade dos produtos com garantia de origem, considerando que “o mais importante é garantir a qualidade, preservar a história e a tradição dos nossos produtos como forma de valorizar ainda mais a nossa gastronomia”.

Manuela Fialho, da associação Terras Dentro, realçou a existência dos subsídios para poderem ajudar os pequenos agricultores, “visto que sem ajuda financeira não conseguiriam suportar as suas produções”. Em seu entender, há algo que falta ainda fazer e que é “educar o consumidor a preferir os produtos biológicos”.

7.º Concurso “A Melhor Açorda” • Restaurante Panorâmico Amieira Marina venceu o primeiro prémio

O concurso “A Melhor Açorda” voltou a juntar vários concorrentes de restaurantes de Portel e da Vidigueira. O objetivo é premiar a melhor açorda e incentivar os cozinheiros a darem largas à sua imaginação, tendo como base do prato típico os produtos biológicos. De acordo com o júri, os “chefes aperfeiçoam-se e melhoram a qualidade das suas açordas. Todas elas eram de excelente qualidade, tendo o júri tido dificuldade em escolher as melhores”.

O primeiro prémio foi ganho pelo “Restaurante Panorâmico Amieira Marina” com a açorda de perdiz. O segundo prémio foi para a açorda de garoupa do Restaurante “Raposo”. O terceiro prémio foi para a açorda de cação do Restaurante “P-Jay – A Sirene”. Receberam ainda os prémios de participação o Restaurante “O País das Uvas” com a açorda de toucinho e o Restaurante “Herdade do Sobroso” com a açorda de tomate.

O presidente da Câmara Municipal de Portel explicou que a participação nestes concursos “não é o prémio que talvez seja importante, mas os cozinheiros ouvirem o júri, aprenderem com os seus conselhos de forma de confeção e, assim, melhorarem a sua prestação”.

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