Diario do Sul
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“Saúde Mental sem Tabus” na RTA

Importância da integração familiar para a saúde mental na infância

“Saúde mental na infância: a importância da integração familiar” foi a temática que esteve em destaque na última edição de “Saúde Mental sem Tabus”, um programa emitido mensalmente na Rádio Telefonia do Alentejo (RTA), em parceria com a MetAlentejo.

Autor :Marina Pardal

20 Junho 2017

"Projeto Viver Sénior"

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Conferência sob o tema: "Évora, meio século de Pastoral extra-muros"

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"ROTA DOS MÁRMORES(R)” 2017 - VII Passeio de Primavera

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Diário do SUL apresenta hoje como "capa falsa" o Suplemento Imobiliário Century 21 - Porta do Alentejo

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Diário do SUL apresenta hoje como "capa falsa" o Suplemento Imobiliário Century 21 - Porta do Alentejo

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Exposição "Mirar Portugal"

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As questões relacionadas com este tema foram abordadas pela médica interna de Psiquiatria Teresa Reis, presidente da MetAlentejo; e pelo psicólogo clínico Alberto Magalhães, integrado na equipa da Saúde da Infância e Adolescência do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE).

Teresa Reis começou por salientar que “está demonstrada a evidência do retorno económico do investimento em saúde mental sabendo-se que por cada euro gasto em saúde mental existe um retorno aproximado de quatro euros”.

Sublinhou ainda que “a evidência deste retorno é particularmente notória quando aplicada às idades mais precoces, ou seja, a taxa de retorno do investimento em populações desfavorecidas/de risco é elevada nas intervenções em idade precoce, mas mais baixa em intervenções mais tardias”.

A presidente da MetAlentejo realçou também que “sabe-se que ser filho de pais que sofrem de doenças do foro mental envolve um considerável risco ao nível da vinculação e da saúde mental”.

Nesse sentido, considerou que “torna-se premente e extremamente importante valorizar a saúde mental desde as idades mais precoces, intervindo cedo com as famílias numa perspetiva preventiva e de promoção da saúde”.

As ideias feitas que existem em relação aos comportamentos das crianças e os diferentes tipos de famílias foram alguns dos pontos focados por Alberto Magalhães.

Uma dessas ideias é a de que “a culpa das alterações do comportamento é das mães e da forma como lidam desde as idades mais precoces com as crianças”.

Sobre essa premissa, o psicólogo clínico apontou que “houve alturas em que pareceu que sim”, citando autores como “Freud, inventor da psicanálise, e duas seguidoras (a inglesa Mélanie Klein e a francesa Françoise Dolto), que são os principais responsáveis”.

Esclareceu ainda que “mais tarde, Baldwin (anos 40) e sobretudo Diana Baumrind (1967) fazem a questão evoluir para o conceito de estilos parentais”.

A esse respeito, o psicólogo referiu que “esta última realça a importância de quatro dimensões, sendo eles o controlo parental, as exigências de maturidade intelectual e pessoal, a clareza da comunicação e o carinho”.

De acordo com Alberto Magalhães, “daqui surgem vários possíveis estilos parentais, como o assertivo, permissivo ou autoritário, com variantes tipo superprotetor, estimulante, hiperexigente, distante, negligente ou rejeitante /maltratante”.

No entanto, o mesmo especialista fez notar que “os genes também são importantes”, lembrando que “nós somos fruto da interação entre os nossos genes e o meio em que nos desenvolvemos”.

Evidenciou ainda que “vemos muitas vezes pais que educam um filho, ou uma filha, sem grande dificuldade e debatem-se angustiados com a educação de outra criança a quem tentam aplicar a mesma ‘receita’”, constatando que “aqui entra o conceito de temperamento”.

Focando a questão das crianças institucionalizadas, questionámos Alberto Magalhães sobre a vinculação. “Este é um conceito fundamental, pois trata-se do estabelecimento de um vínculo, uma ligação especial entre o bebé e os seus principais cuidadores, normalmente a mãe, mas também o pai e outras figuras presentes e marcantes”.

Sublinhou também que “a criança, a partir dos 7 meses e até por volta dos 3 anos, começa a distinguir entre as pessoas de quem depende e os estranhos”, apontando que “a criança precisa de se ‘agarrar’, de se tornar dependente das pessoas que, paradoxalmente, lhe darão a segurança necessária para se tornarem, pouco a pouco, autónomas”.

Impõe-se então perguntar e quando as figuras cuidadoras não dão segurança? “Quando as figuras cuidadoras são frias, insensíveis, más, negligentes ou imprevisíveis, ou quando simplesmente não existem, a criança pode sofrer sérios problemas de saúde mental, problemas de socialização, dificuldades de amar em liberdade, dificuldades de inserção social, entre outros”, advertiu Alberto Magalhães.

Quanto a “erros” comuns na educação das crianças que possam pesar mais na sua saúde mental, o mesmo psicólogo clínico destacou que “existem regras básicas a que os educadores devem ‘obrigar-se’ para se conseguir estabelecer com a criança regras e limites que garantam a sua segurança (desobedecer pode ser perigoso) e lhe permitam adquirir valores e atitudes de respeito por si própria e pelos outros”.

Nesse sentido, adiantou que “os adultos devem manter a sua palavra; não prometer nada que não queiram cumprir; devem elogiar os bons comportamentos e dar atenção e mimo à criança, mas não quando ela faz birra ou se porta mal; não devem dar ordens inúteis e se dão vinte vezes a mesma ordem, não se devem admirar se a criança aprender que as primeiras 19 não são para obedecer; também não devem desautorizar-se uns aos outros à frente da criança”.

Alberto Magalhães alertou ainda que, “para além destas regras, temos de ter presente que as crianças, por definição, não são, estão em mudança permanente, por isso, não faz sentido dizer a uma criança ‘és mau’ ou ‘és preguiçoso’, devendo dizer-se ‘estás a portar-te mal’ ou ‘não estás a cumprir o teu dever’”.

Outro ponto que focou foi que “é preciso educar para a responsabilidade e para ser responsável, a criança tem de aprender a escolher a opção correta, o que implica ter liberdade de escolha (poder escolher mal) e sofrer as consequências de uma má escolha”.

Para Alberto Magalhães é ainda “fundamental não pôr nos ombros da criança responsabilidades que não lhe cabem (o que comer, a que horas se deitar, com quem dormir, se a mãe pode ter namorados, por exemplo), marcando fronteira entre gerações e não ‘parentificando’ a criança”.

A médica interna de Psiquiatria, Teresa Reis, presidente da Direção da MetAlentejo; e o psicólogo clínico Alberto Magalhães, do HESE.

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