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Diario do Sul
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Obra resulta da tese de doutoramento do investigador do CIDEHUS

Livro de Fernando Luís Gameiro destaca as particularidades do Liceu de Évora

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redação

06 Novembro 2017

A relação entre as elites e a educação nos contextos europeu e português, com destaque para o caso do Liceu de Évora, é o ponto fulcral do novo livro de Fernando Luís Gameiro.
Investigador do Centro Interdisciplinar em História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora (CIDEHUS), o autor escreveu a obra “Elites e Educação - o Liceu de Évora”, que foi apresentada no dia 20 de outubro, numa sessão realizada na Pousada Convento dos Loios, na cidade alentejana.
O livro foi editado pela Colibri, tendo sido patrocinado pelo CIDEHUS e pela Direção Regional de Cultura do Alentejo, contando ainda com o apoio do Grupo Pestana.
A apresentação esteve a cargo dos professores da Universidade de Évora Fátima Nunes e Hélder Fonseca, tendo este último escrito o prefácio da obra.
À margem da sessão, Fernando Luís Gameiro explicou que “trata-se de um trabalho que aborda o Liceu de Évora de uma forma aprofundada, desde as suas origens em 1841 até ao final do Estado Novo”.
Adiantou que “tem uma dimensão de enquadramento no sistema de ensino em vigor nos vários períodos que estudámos e faz a comparação com os casos europeus e outras instituições congéneres a nível nacional”.
Para além disso, “estuda em profundidade a instituição, nomeadamente os professores, os reitores e os alunos”, referiu o investigador.
Reforçou que “no caso dos alunos, reconstitui as suas trajetórias, desde a permanência no Liceu, ou seja, o seu percurso escolar, e depois o seu percurso profissional até se fixarem no desempenho de profissões ou cargos”.
De acordo com o autor, “o Liceu de Évora tem características próprias, uma delas é o facto de estar instalado no espaço da antiga universidade”.
Acrescentou que “em 1841, instala-se no espaço do Colégio do Espírito Santo e permanece ali durante 137 anos”, frisando que “isso faz muita diferença em relação às outras instituições que no geral mudaram de local”.
Na sua perspetiva, “isto deu-lhe uma identidade muito própria, que tem muito a ver também com a permanência de tradições académicas, como é o caso da Tuna do Liceu de Évora, que atuou no final da apresentação do livro”.
Outro aspeto que evidenciou foi “o próprio estatuto que os professores adquiriram no contexto da sociedade eborense e que de alguma forma também está relacionado com esse espaço”.
Fernando Luís Gameiro realçou que “em relação às outras instituições, temos aqui algumas particularidades”, exemplificando com “a existência de um colégio privado muito próximo do Liceu, situado na Pousada dos Loios”, precisando que “era um colégio muito similar aos colégios ingleses que os alunos frequentavam em regime de internato e depois iam ter aulas no Liceu”.
Segundo o autor, “este livro tem na sua base um trabalho académico mais dilatado até do que aquilo que é apresentado na obra”.
Questionado acerca do interesse por este tema, disse que “não fui aluno do Liceu de Évora, mas comecei a interessar-me muito pelas questões particulares do Alentejo logo que vim estudar para cá, nomeadamente a questão da alfabetização”.
Focou que “a minha tese de mestrado foi sobre a alfabetização, também tenho um livro publicado sobre o ensino técnico (neste caso sobre a Escola Gabriel Pereira) e agora debrucei-me sobre o ensino liceal”.
Relativamente ao facto do Liceu de Évora ter mudado de local depois do Estado Novo, o investigador evidenciou que “teve a ver com o regresso dos estudos superiores a Évora”, recordando que “a universidade nesta cidade tinha encerrado em 1759”.
Lembrou ainda que “no início dos anos 60 do século XX, começa a haver pressão para o Liceu abandonar o Colégio do Espírito Santo, para que o edifício volte a colher a universidade, o que acaba por acontecer depois de 1975, mudando para as atuais instalações da Escola Secundária André de Gouveia”.

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