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Diario do Sul
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Veados escolheram o Alentejo para ficar

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redação

21 Dezembro 2017

Alguns exemplares começaram por cruzar o rio Tejo, a nado, vai para mais de 20 anos. Os veados deixaram Espanha para trás e optaram por se fixar do lado de cá da raia portuguesa. Sobretudo junto à linha de fronteira, não há propriedade onde o segundo maior cervídeo da Europa – a seguir ao Alce – não seja visto, sobretudo quando chega o final do dia ou logo após o nascer do sol. Mas este abrupto aumento populacional está a dar cabo dos nervos ao sector agrícola.

São os veados autóctones portugueses. Raros de avistar até à década de 80, mas que encontraram no território nacional comida, sossego e abrigo, deixando-se convencer a ficar por cá, tendo atraído outros membros do grupo.

Mas estão a causar prejuízos nas culturas agro-florestais, consumindo tudo o que conseguem alcançar e há muito que vão deixando os nervos em franja aos agricultores da região. A elevada presença de zonas de caça associativas e turísticas ajudou a fomentar o crescimento da população, também apoiada pelo facto de se tratar de uma espécie protegida, mas as queixas do sector agrícola avolumam-se, numa altura em que o veado ibérico passou mesmo a ser olhado como um mal-amado.

“Estamos a falar de uma espécie que não tem predador natural, porque já não há lobos. O veado é como a cabra selvagem. Come tudo o que está em espaço aberto e é claro que está a causar problemas a quem tem as suas terras cultivadas”, admite Paulo Sena, , que já trabalhou como encarregado florestal, revelando que há várias anos que as associações de caça apostaram em fazer o chamado controlo cinegético de espécie através do seu abate.

Além dos prejuízos na agricultura, o cervídeo é ainda responsável por vários problemas na vegetação arbórea. É que ao comer gomos e sementes provoca a morte ou raquitismo das plantas, sobretudo das mais jovens, sendo ainda o veado responsável pelo descasque dos troncos das árvores com as hastes e com os dentes.

Os principais sinais da presença massiva de veados no Alentejo, quando os animais estão recolhidos, são exibidos através dos excrementos, pegadas, mas também pela ausência de vegetação nas árvores em alturas superiores aos dois metros, entretanto consumida pela espécie. Os excrementos têm a forma de azeitona, enquanto as pegadas se assemelham às das ovelhas, mas em maior formato, podendo atingir os 9 centímetros de comprimento, no caso dos machos, e os seis, se se tratar de uma fêmea. Os juvenis, por não terem o casco das patas gasto, deixam pegadas mais profundas por onde passam.

Paulo Sena refere que a expansão dos veados nascidos em Espanha para Portugal pertence à ordem natural das coisas. “Eles têm muita facilidade em passar o rio e descobriram um local que estava livre de veados e onde não eram incomodados”, refere, alertando, contudo, para as constantes movimentações entre ambos os lados da fronteira, sobretudo, na época de acasalamento.

“Há veados que vão procurar parceiras a Espanha, mas são os veados de Espanha vêm procurar acasalar em Portugal”, justifica, sabendo-se que o macho tem uma elevada apetência sexual, acabando por constituir autênticos haréns, quanto maior forem as suas hastes, sendo o dominador entre mais de dez fêmeas, tornando-se bastante agressivo sempre que é confrontado com a presença de algum rival no território que considera ser seu.

Aliás, não é por isso difícil conseguir avistar lutas titânicas entre machos furiosos no período da reprodução ou da brama, como também é designado, que se pode estender até novembro. Os animais mais corpulentos – que são por inerência os que apresentam as maiores hastes - iniciam a desavença adotando uma postura de intimidação para com o rival. Solta bramidos a plenos pulmões, mas se nenhum se afastar, então a luta começa, sendo utilizadas as hastes, que, regra geral, acabam por se entrelaçar, sem ferir nenhum dos machos.

As hastes funcionam mais como uma espécie de ferramenta capaz de medir a força de cada um dos intervenientes e não como arma letal, havendo a curiosidades dos machos com hastes mais pequenas puderem ter apenas uma parceira sexual. As crias nascem oito meses depois, entre os meses de maio e junho. A esperança média de vida chega aos 20 anos.

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