Diario do Sul
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Chuva continua sem cair no Alentejo

Só agora é que há coentros nos canteiros

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redação

26 Dezembro 2017

A seca extrema que tem castigado o Alentejo levou Joana Mateus a tomar medidas. Esta moradora de Juromenha optou por poupar na rega do quintal, pelo que só as laranjeiras têm passado ao lado da seca. Já os coentros, a salsa e a hortelã têm conhecido um ano difícil. Deveriam estar viçosos nos canteiros que Joana tem à porta de casa, logo desde a primavera. Mas não. Só agora é que viu rebentar as plantas aromáticas.

Conta ao Diário do Sul que deixou secar praticamente todas as plantas do quintal para evitar abusos no gasto de água, pelo que a maioria acabou por se perder. “Isto só dá quando se está sempre a regar. Mas, paciência, não podemos arriscar a gastar a água que faz tanta falta à vida”, resigna-se Joana Mateus, enquanto aponta para a terra seca e dura como uma pedra no canteiro onde deveria ter nascido a hortelã, tão apreciada por estas paragens para dar mais sabor aos pratos de peixe do rio Guadiana.

“Agora é que está a rebentar alguma coisa ali no outro canteiro”, diz de balde na mão, enquanto vai lançado alguns salpicos nos vasos onde a salsa já se deixa ver e nas flores que usufruíram da sombra da alpendurada que sempre dá para disfarçar o calor impróprio no pico outonal. “Rego só agora, porque se gasta muito menos água do que no verão. Há dias já choveu alguma coisa, não está tanto calor e o fresco sempre ajuda”, justifica, antes de dar de beber às laranjeiras, com uma quantidade mais generosa de água. As laranjas exibem uma cor entre o verde e o amarelo, próprio da época, anunciando o doce e o sumo de um ano normal. Também o jardineiro da câmara do Alandroal não perde de vista as laranjeiras da via pública, que precisam da rega como de pão para boca em pleno novembro para substituir a chuva. Quem diria? São regadas entre as 10.00 e as 11.00 da manhã.

Joana Mateus assume que vai continuar a regar pouco para poupar ao máximo. “Vamos lá ver se aproveitamos alguma coisa”, diz, admitindo estar a viver “algo anormal aqui. Noutros anos já não precisava de estar preocupada com a rega porque a chuva tratava de tudo”, sublinha, revelando que nasceu em Juromenha, onde viveu toda a vida, mas não se recorda de uma seca tão prolongada. Encontra algo parecido recuando até 1995, quando o Guadiana secou completamente, permitindo que até automóveis o cruzassem entre as margens de Portugal e Espanha.

“Essa seca teve mais impacto nas pessoas, porque viam o rio sem gota de água. Agora, como temos Alqueva, as pessoas não dão tanto pelo problema”, admite, embora se congratule com o facto de “nestes meios pequenos”, onde residem cerca de cem habitantes, “as pessoas estão mais sensibilizadas para a poupança de água”, acrescentando que o assunto é tema de conversa séria na aldeia, onde se pede a plenos pulmões que a chuva regresse.

Que o diga Maria Leonor, pastora no sopé da encosta da Juromenha, nas margens do Guadiana, que já devia ter o rebanho de 12 ovelhas a comer da novas pastagens desde setembro, mas que ainda vê os animais “a lamberem a lama”. A expressão a que recorre para explicar a dificuldade do rebanho em encontrar comida numa zona do leito do rio que a albufeira de Alqueva até já encheu, mas onde hoje a água apenas é visível lá ao fundo.

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