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“História do Povo na Revolução Portuguesa 1974-75”

Historiadora Raquel Varela deu palestra na Biblioteca Geral da Universidade de Évora

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redação

15 Fevereiro 2018

A historiadora Raquel Varela foi a oradora de uma palestra na Biblioteca Geral da Universidade de Évora (UÉ), na qual foi focada a questão da “Democracia e Revolução na História - História do Povo na Revolução Portuguesa 1974-75”.
A sessão aconteceu no passado dia 5 de fevereiro e teve lugar na Sala das Bellas Artes, no Colégio do Espírito Santo.
À margem da iniciativa, Carla Santos, coordenadora da Biblioteca Geral da UÉ, recordou que “o paradigma das bibliotecas foi alterado e as bibliotecas não devem ser apenas um espaço físico (ou virtual) com livros, devem ser uma forma de intervir, interagir e de comunicar”, constatando que “o convite à Raquel Varela surgiu exatamente nesse espírito”.
Realçou ainda que “este género de eventos são uma forma da biblioteca interagir, não só com a comunidade académica, à qual já estamos mais habituados, mas também com a comunidade exterior”.
Por sua vez, Raquel Varela fez um resumo da sua intervenção, salientando que “é importante assinalar duas questões”.
Começou por referir que “os direitos sociais conquistados no 25 de Abril, como o Estado Social, o direito ao emprego ou o Serviço Nacional de Saúde, tudo isso não foi conquistado porque o Estado deu, foi conquistado fora do Estado, a partir de comissões de gestão de hospitais, de comissões de moradores, comissões de trabalhadores, associações estudantis”.
A historiadora focou que “uma parte da sociedade mobilizou-se e empenhou-se em construir e em impor ao Estado outro estado de coisas”.
Outra ideia que Raquel Varela expressou foi que “a nossa democracia representativa é filha da Revolução, no sentido de que a Revolução derrota o fascismo e a ditadura, mas ao mesmo tempo ela vai contra a Revolução, ou seja, a democracia direta em 74-75 foi posta em causa pela democracia representativa”, apontando que “há um 25 de Abril e há um 25 de Novembro e é absolutamente fundamental compreender isso para compreender o estado a que hoje chegámos”.
Na sua opinião, “a ideia de que hoje a política está resumida ao Parlamento e aos órgãos de Governo é uma ideia profundamente antidemocrática, quando a política a rigor deve ser exercida pelas pessoas nos seus locais de trabalho, nos seus locais de residência, nas suas cidades”, reforçando que “a política não pode estar reduzida aos deputados no Parlamento”.
Professora universitária e investigadora na Universidade Nova de Lisboa, mas também em Amesterdão (Holanda) e no Brasil, Raquel Varela é autora de 23 livros sobre história de Portugal do século XX, sobretudo da segunda metade desse século.

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