Diario do Sul
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Região continua em seca severa

Alentejo já precisava do dobro da chuva mas… não choveu nada

O Alentejo ainda está em seca severa porque a chuva que Neste inverno caiu na região foi insuficiente para, pelo menos, minimizar a falta de água que tem fustigado os distritos de Évora, Beja e Portalegre. De acordo com Vanda Pires, da divisão de clima do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), teria que chover o dobro de um ano normal e durante vários dias consecutivos para que as barragens e os aquíferos do Alentejo pudessem recuperar recursos.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção Diário do SUL

20 Fevereiro 2018

Segundo admite a mesma técnica, os valores médios de chuva em Beja, em janeiro, são de 70 milímetros por dia, pelo que este ano eram necessários 140. Já em fevereiro chovem habitualmente 60 milímetros num ano normal, pelo que, para minimizar o estado de seca, eram precisos 120, quantifica Vanda Pires, ressalvando que a situação é de tal forma crítica que a precipitação teria de ser intensa durante várias semanas.

Ou seja, “já não basta ao Alentejo que chova durante dois ou três dias, voltando a precipitação a parar mais uma semana ou duas”, diz. Para que a seca severa fosse verdadeiramente contornada era necessário que chovesse copiosamente ao longo de duas ou três semanas

Mas como a chuva por cá não tem aparecido, os efeitos nefastos da falta de água acumulam-se entre as barragens da região, como atesta a própria albufeira de Alqueva. É que num ano dito normal, o maior lago artificial da Europa estaria pelos 80% de armazenamento, mas hoje está apenas nos 67%, chegando, ainda assim, para abastecer represas vizinhas.

Ainda na bacia do Guadiana, a seca passa uma fatura mais crítica às barragens de menor dimensão, como são os casos de Abrilongo, com apenas 13.9% de água armazenada, Vigia (14.2), Lucefecit (18%). Também a barragem do Caia, em Elvas, que reúne à sua volta a Associação de Regantes, com 250 associados, distribuídos por uma área de 7500 hectares, se mantém hoje nos 18%, depois de em 2017 ter optado por antecipar o final da campanha de rega. Nunca tal tinha acontecido. Em outubro do ano passado a albufeira tinha apenas 19% da sua capacidade de armazenamento, pelo que o fim do fornecimento de água para a agricultura visou assegurar que o abastecimento doméstico a Elvas, Campo Maior, Arronches e Monforte ficava garantido para, pelo menos, três anos.

Desde de 15 de outubro de 2017 a barragem baixou cerca de 2 milhões de metros cúbicos com o fornecimento de água às populações, enquanto em dois períodos de chuva entraram cerca de 500 mil metros cúbicos, reduzindo as perdas para milhão e meio”. Muito pouco. O representante da associação Aristides Chinita assume já que a perspectiva de fornecimento de água para rega este ano “é nula”.

Abaixo de Alqueva, as barragens exibem um cenário mais optimista na bacia do Guadiana, com o Enxoé a chegar aos 65.4%, Odeleite 64.6% e Beliche aos 56%, mas na bacia do Sado regressam os problemas. As albufeiras da região não vão além da média de 27% da capacidade de armazenamento, quando num ano normal estariam acima dos 60.

O Monte da Rocha e o Pego do Altar (a barragem onde a seca destapou uma antiga ponte) são as reservas que atingiram os valores mais baixos, com 8.1 e 8., respetivamente. Vale do Gaio está nos 12.2, Monte Migueis em 12.1, mas se Odivelas ainda chega aos 34.9%, já Campilhas fica-se pelos 4.3%. A barragem de Alvito é a única que ainda assegura um volume razoável de água, fixando-se hoje nos 62.4%.

 

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