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Trabalho realizado pelo arquivista Bruno Coelho

Arquivos da Misericórdia de Évora são apresentados em livro

A Santa Casa da Misericórdia de Évora (SCME) apresenta em livro uma “viagem aos arquivos desta instituição secular”. É assim que a organização descreve a obra “A Assistência na Documentação da Santa Casa da Misericórdia de Évora”, que resulta de um trabalho realizado pelo arquivista Bruno Coelho.

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redacção Diário do SUL

20 Fevereiro 2018

A apresentação do livro aconteceu no dia 8 deste mês, no salão nobre da sede da Misericórdia de Évora, contando com a presença do autor e do provedor da SCME, Francisco Lopes Figueira, entre outros convidados.

A mesma instituição realça que com este livro “pretende, de forma despretensiosa, dar a conhecer alguns aspetos da vida da organização, bem como da vida social e económica de Évora, e contribuir para a compreensão das dinâmicas das comunidades ao longo dos tempos”.

Em declarações ao Grupo Diário do Sul, Bruno Coelho começou por dizer que “sou arquivista e não historiador, pelo que esta não é uma obra de investigação histórica”, evidenciando que “o que fiz foi dar seguimento a um trabalho de arquivística que tinha feito anteriormente”.

Explicou que “trabalhei na SCME e fiz uma atualização do instrumento de descrição da documentação histórica da Misericórdia, segundo as novas normas da Arquivística Contemporânea”.

De acordo com o arquivista, “esta é uma obra muito extensa e muito densa, mas no seguimento desse trabalho, pensámos que seria interessante explicar tudo isto a quem não percebe nada de misericórdias, ou seja, tornar os documentos acessíveis ao público comum”.

Bruno Coelho destacou que “neste livro podemos encontrar uma parte sobre a criação das misericórdias e da própria SCME”, constatando que, “depois, sempre baseado na documentação, tenta-se explicar, de forma simples, o que é que constitui o arquivo histórico da Misericórdia”.

Exemplificou que “menciono os Livros de Irmãos, o que consta nos mesmos e porque é que eram feitos”, focando que “há uma explicação simples de cada série documental”.

Outra parte desta obra aborda “as diferentes valências que a Misericórdia tem desde o início”, afirmou.

Para além disso, há uma outra parte que Bruno Coelho considerou que aconteceu “quase de forma acidental”.

Adiantou que “quando estava a fazer a investigação para a reorganização do catálogo foram-se descobrindo curiosidades”.

Realçou alguns exemplos como o facto de “no livro de receitas e despesas do hospital ter-se descoberto que um senhor escreveu na contracapa desse livro uma mezinha para as dores de barriga, para não se esquecer”.

O autor frisou ainda que “o único registo que se conhece de uma morte causada pelo terramoto de 1755 em Évora está no livro de defuntos da Misericórdia”, sublinhando que “trata-se de um senhor que foi atingido na cabeça por uma laje na Rua do Raimundo”.

Para o provedor da SCME, Francisco Lopes Figueira, “a Misericórdia tem uma responsabilidade que também é social, de divulgar o seu património e de prestigiar o que tem sido a sua história para valorizar esse património histórico, para bem da sociedade e do meio em que está inserida”.

Nesse sentido, “a riqueza do nosso património documental é de tal ordem, mesmo em termos da história social e económica do Alentejo, que acho que é inevitável termos iniciativas que o valorizem e também o divulguem”, afiançou.

Na sua perspetiva, “não sendo propriamente um livro de investigação histórica, com todos os 'pergaminhos' que essa classificação envolve, é acima de tudo um livro de divulgação do que tem sido a atividade social da Misericórdia ao longo dos séculos”.

Lopes Figueira acrescentou que “tem sido tão variada, tão intensa e tão profunda na sociedade em que estamos inseridos, que a Misericórdia entendeu por bem que devia divulgá-la, até porque tem investido alguma coisa para arrumação, catalogação e recolha de informação do seu arquivo histórico”.

Salientou que “o nosso objetivo principal é a atividade social, dando apoio aos que mais necessitam, mas também temos uma responsabilidade que nos traz a nossa história, há todo um património que não podemos descurar, nem abandonar”, confirmando que “não iremos transformar este tipo de atividades na nossa atividade principal, mas pretendemos ter alguns apontamentos nesta área”.

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