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Cerimónia de Entrega da 22.ª edição do Prémio Vergílio Ferreira

Gonçalo M. Tavares é um dos autores mais criativos da atualidade

Este ano, o júri deliberou no sentido de atribuir o Prémio a Gonçalo M. Tavares, um dos mais proeminentes escritores de Língua Portuguesa. A entrega do galardão ocorreu no dia 1de março, na Sala dos Atos do Colégio do Espírito Santo da Universidade de Évora.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redacção Diário do SUL

09 Março 2018

O prémio - que incide sobre o conjunto da obra de um autor que se tenha destacado nos domínios da ficção ou do ensaio – foi recebido pelo escritor Gonçalo M. Tavares com grande honra que salientou a importância da literatura que apela ao pensamento, que faz refletir o leitor, dando-lhe as ferramentas para este criar uma opinião.

Gonçalo M. Tavares afirmou que é “um prazer” juntar-se a um conjunto de escritores com um peso muito grande. “Sendo eu bastante novo sinto-me até um pouco assustado”, explicou. O escritor disse sentir um grande orgulho pela atribuição do prémio que tem o nome de Vergílio Ferreira “porque é um escritor muito significativo para mim. No início do meu percurso, Vergílio Ferreira teve influência sobre mim, aproximando-me por um romance que incita a pensar e é reflexivo”.

Em declarações exclusivas ao “Diário do Sul”, Gonçalo M. Tavares salientou que o papel da literatura e das artes é travar um pouco a marcha acelerada dos acontecimentos e dizer que vale a pena pensar sobre as coisas antes de dar opinião. “Pensar é o inverso disso. Estamos, atualmente, no século e no período da opinião, em que todas as pessoas concluem e têm opinião sobre tudo”, justificou. Como tal, em seu entender, cada vez mais a literatura é essencial para despoletar o pensamento.

Questionado sobre o que este reconhecimento vai mudar na sua vida, o escritor avançou que o prémio vai liga-lo à Universidade de Évora. “Integrar este lote de pessoas que receberam o Prémio Vergílio Ferreira é como se entrasse um pouco na universidade”, frisou.

Numa edição que contou com candidaturas apresentadas por instituições de Portugal, Brasil, Espanha, Itália e Colômbia, o júri decidiu atribuir este ano o prémio a Gonçalo M. Tavares. O júri do Prémio que pretende homenagear o escritor de “Aparição” é composto este ano por João de Melo (escritor), Maria da Conceição Caleiro (crítica literária), Ângela Fernandes (prof. Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), Cláudia Afonso Teixeira (prof. Universidade de Évora), e Antonio Sáez Delgado (prof. Universidade de Évora, presidente).

Presidente do júri considerou que obra literária do galardoado apela a uma leitura reflexiva

Antonio Sáez Delgado, presidente do júri, sublinhou que Gonçalo M. Tavares é um dos escritores fundamentais da literatura lusófona, tendo uma obra vasta que ajuda o leitor a escutar o mundo real e atual, afirmando-se como uma ponte de ligação dos nossos dias e da tradição.

Recorde-se que na ata de atribuição do prémio ficou escrito que “o Prémio Vergílio Ferreira 2018 foi atribuído ao escritor Gonçalo M. Tavares pela originalidade da sua obra ficcional e ensaística, marcada pela construção de mundos que entrecruzam diferentes linguagens e imaginários, afirmando-o como um dos autores de Língua Portuguesa mais criativos da atualidade”.

O presidente do prémio destacou ainda as semelhanças com Gonçalo M. Tavares com Vergílio Ferreira, afirmando que ambos fazem parte da mesma família de escritores para quem o pensamento é muito importante. “As obras do galardoado caracterizam-se por fomentar uma leitura exigente para o leitor obrigando-o a um trabalho profundo”, reiterou.

Reitora da UÉ afirmou que o prémio é central no panorama cultural português

A reitora da Universidade de Évora, Ana Costa Freitas lembrou que esta é já a vigésima segunda edição do prémio Vergílio Ferreira, considerando que este prémio tem feito um caminho consistente e que é hoje central no panorama cultural português.

“Deste modo, não posso deixar de constatar que o Prémio Vergílio Ferreira está bem vivo e o seu júri bem atento ao pulsar do mundo das Letras, ao distinguir este ano Gonçalo M. Tavares, um dos escritores portugueses mais prolíficos dos últimos anos e com um percurso assinalável, editado em mais de 50 países, e cuja obra conta com mais de 400 traduções pelo mundo fora, sendo o mais internacional dos atuais escritores portugueses”.

Ana Costa Freitas afirmou mesmo que a atribuição do Prémio Vergílio Ferreira revela a centralidade que ocupa na Universidade de Évora e corporiza um modo estar e de ver o mundo da academia eborense. Quanto à atribuição a Gonçalo M. Tavares, a reitora realçou que evidencia a vitalidade do prémio ao reconhecer o trabalho literário de um escritor da década de 70. E acrescentou: “Este ano inovámos também com a introdução de um projeto de música que mostra uma ligação entre as várias áreas da universidade”.

Olhando para todos os escritores a quem foi atribuído este prémio, Ana Costa Freitas considerou que “o ato de distinguir alguém diz tanto sobre quem recebe como sobre quem atribui. Os nomes que figuram na galeria de premiados são hoje tantos quantas as suas edições e, com alguma distância, é indiscutível a importância destes autores no mundo das letras, no panorama cultural português”.

A cerimónia de entrega do prémio acontece no dia de 1 março, data em que se assinala a morte do escritor. Recorde-se que o prémio Vergílio Ferreira foi atribuído pela primeira vez a Maria Velho da Costa, a que se seguiram, entre outros, Mia Couto, Almeida Faria, Eduardo Lourenço, Agustina Bessa Luís, Vasco Graça Moura, Mário Cláudio, Luísa Dacosta, José Gil, Hélia Correia, Lídia Jorge e João de Melo, tendo sido a galardoada da edição de 2017 a escritora Teolinda Gersão.

 

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