euroace
Diario do Sul
diario jornal

Organização da Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos

Gestão dos recursos hídricos debatida em Évora no 14.º Congresso da Água

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redação

13 Março 2018

Nos últimos dias a chuva tem sido uma constante de Norte a Sul do país, mas a situação de seca que se vive, em especial por terras alentejanas, não fica resolvida, apesar de poder ser atenuada.
Não obstante este ser um assunto que está na ordem do dia, reconhece-se a relevância de debater questões ligadas à água e à sua sustentabilidade.
Foi neste contexto que decorreu em Évora, entre 7 e 9 de março, o 14.º Congresso da Água, organizado pela Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos (APRH), com o apoio do seu Núcleo Regional do Sul.
A sessão de abertura do evento teve lugar no primeiro dia, no Évora Hotel, numa cerimónia que contou com a presença do secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, bem como de representantes de várias entidades.
Este congresso é realizado de dois em dois anos e em 2018 teve como tema a “Gestão dos Recursos Hídricos: Novos Desafios”, juntando oradores de várias áreas e especialidades.
À margem da iniciativa, o presidente da comissão diretiva da APRH e da comissão organizadora do 14.º Congresso da Água, Francisco Taveira Pinto, começou por referir que “a escolha de Évora prende-se com o objetivo de descentralizar os locais de organização dos eventos e ao mesmo tempo porque o nosso núcleo regional mostrou-se disponível para organizar o congresso”.
Salientou que “os 300 participantes inscritos para estes três dias de debate foi uma nota bastante importante de que as pessoas estão a aderir”.
Relativamente ao que foi discutido, Francisco Taveira Pinto realçou que, “temos as apresentações mais técnicas ou mais científicas relacionadas com a investigação e com áreas mais restritas”, exemplificando que “há temas relacionados com as águas superficiais, águas subterrâneas ou águas costeiras”.
O mesmo responsável especificou que “para além disso, nas mesas redondas temos o debate de problemas reais e muito recentes, como o caso da cooperação transfronteiriça de bacias hidrográficas que fazem parte de Portugal e Espanha ou a questão da seca e da necessidade ou não de novas infraestruturas para fazer face a esses problemas para o futuro, se existirem alterações climáticas ou outros problemas que não estamos a ponderar”.
Destacou ainda “a importância da gestão por bacias hidrográficas e a importância da qualidade dos ecossistemas nas bacias para potenciar a melhoria da qualidade da água”.
De acordo com Francisco Taveira Pinto, “estes são os principais eixos a ser debatidos com os especialistas que temos nas mesas redondas e pessoas conhecedoras desses vários temas”.
Garantiu que “vamos tentar que as opiniões que vão resultar desses debates possam chegar a quem de direito, ou seja, os decisores políticos, para que nós, enquanto APRH e nomeadamente através deste congresso, consigamos transmitir essa missão e as nossas preocupações”.
Em declarações aos jornalistas, o secretário de Estado do Ambiente sublinhou que “as reflexões em torno da gestão de um recurso tão importante como é a água são sempre muito relevantes”.
Segundo Carlos Martins, “a APRH já nos habituou ao longo dos anos a ter este congresso como um elemento de reflexão estrutural”, considerando que “o mesmo ocorre num particular momento em que vivemos de uma forma radical um período de seca”.
Constatou que, “pese embora a chuva dos últimos dias, temos ainda de enfrentar seguramente problemas nos próximos tempos, do ponto de vista da recarga dos aquíferos”, reforçando que “essa recarga ocorre de forma particularmente lenta e vamos precisar que haja muita precipitação”.
Para o governante, “as boas notícias são muitas vezes a queda de neve que são um reservatório de água em que esse escoamento se vai dar depois de forma lenta nos solos, mas não controlamos a forma como precipita e não podemos ter a aspiração de ela ocorrer em todo o território de maneira tão boa quanto está a ocorrer na zona a Norte do Tejo, sendo que a Sul ainda temos grandes desafios”.
Carlos Martins focou que “este congresso ocorre numa cidade que está numa região onde vivemos os principais problemas do ponto de vista agrícola”, frisando que “felizmente, do ponto de vista de abastecimento público, conseguimos ultrapassar as dificuldades, apesar de ter havido um ou outro episódio em pequenas aldeias em que foi necessário o abastecimento a partir de camiões cisterna”.
Na sua perspetiva, “no Alentejo, ao nível do abastecimento de água, a notícia relevante foi esta parceria entre a EDIA e a Águas de Portugal que vai permitir dentro de dois anos ter aqui soluções muito mais seguras daquilo que pode ser o abastecimento de água às populações e também um conjunto de novos investimentos”.
Enquanto representante da cidade anfitriã do congresso, o presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá, registou com agrado “a escolha de Évora para iniciativas que têm importância nacional”.
Salientou ainda que “este evento trata essencialmente das questões dos recursos hídricos que são fundamentais neste momento em que assistimos a uma situação de seca”, considerando que “é necessário ter uma abordagem de médio e longo prazo para ter um novo paradigma para o uso e gestão da água”.

Dê-nos a sua opinião

NOTA: As opiniões sobre as notícias não serão publicadas imediatamente, ficarão pendentes de validação por parte de um administrador.

NORMAS DE USO

1. Deverá manter uma linguagem respeitadora, evitando conteúdo malicioso, abusivo e obsceno.

2. www.diariodosul.com.pt reserva-se ao direito de eliminar e editar os comentários.

3. As opiniões publicadas neste espaço correspondem à opinião dos leitores e não ao www.diariodosul.com.pt

4. Ao enviar uma mensagem o utilizador aceita as normas de utilização.