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Primeiro-ministro “ajudou” a desmatar a floresta na serra de São Mamede

Autarca de Portalegre pede reforço de meios para prevenir incêndios

Precisávamos que estivessem mais tempo no terreno, que não fosse só agora, porque esta serra tem muito material combustível”, alertava a presidente da Câmara de Portalegre, Adelaide Teixeira, falando para o primeiro-ministro António Costa, que sábado se deslocou ao coração da serra de São Mamede para, juntamente com o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, assistir à limpeza da mata.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

29 Março 2018

Uma campanha que juntou sapadores florestais, Instituto de Conservação da Natureza e Florestas e militares das Forças Armadas. Costa e Capoulas chegaram a pegar na motorroçadora por uns cinco minutos.
Adelaide Teixeira aproveitou a mediatização da visita do chefe do Governo para insistir na necessidade de nunca se perder de vista a manutenção da floresta, sobretudo, numa zona como a vulnerável serra de São Mamede, onde o despovoamento avançou sem tréguas, abrindo fragilidades ao longo da extensa paisagem. A serra já foi palco de incêndios de grandes dimensões que demoraram dias a controlar pelos bombeiros.
A autarca dava o exemplo do estradão, onde a comitiva agora se encontrava a assistir à desmatação, que permitia ir recuando a primeira linha de pinheiros para mais de 50 metros da estrada, para evitar que, em caso de incêndio, as chamas passem facilmente para o outro lado da via, dando mais tempo aos bombeiros de chegarem ao terreno. “O estradão já foi aberto pelo município em 2009, mas precisa constantemente de manutenção e é por isso que nós precisamos de mais reforços, com recursos humanos e equipamentos. O resto, até conseguimos fazer”, acrescentava a edil alentejana, merecendo a aprovação de António Costa quando vincou a necessidade de “prolongar” no tempo as campanhas de limpeza dos terrenos.
Explicava ainda Adelaide Teixeira que a autarquia tem procurado manter as matas da região limpas, mas debate-se com a dificuldade de conseguir chegar a todo o lado. “Com esta questão de nos substituirmos aos privados é mais difícil. Nós podemos substituir-nos, desde que tenhamos recursos humanos e equipamentos, porque depois também damos apoio à rede primária e secundária. É que o ICNF, durante seis meses no ano, vai buscar os nossos sapadores”, alertava.
António Costa admitia que também por isso ali estavam as Forças Armadas, sustentando que “a limpeza que está ser feita este ano, tem que ser feita todos os anos”, enquanto destacou que quando a entidade de gestão florestal tiver a funcionar em pleno, “os próprios privados passam a ter rendimento da exploração florestal que permita fazer a limpeza”. O primeiro-ministro vislumbra residir aqui o passo determinante para “interromper este círculo vicioso em que o abandono ou falta de rendimento de floresta fez com que ninguém a limpe. Durante 12 anos ninguém fez nada, logo não havia atividade”, insistiu, antes de se equipar a rigor para pegar na motorroçadeira e se juntar às equipas que faziam a desmatação.
“Foi a minha primeira vez e até tinha curiosidade em experimentar. Não custou nada, porque foi pouco tempo, mas acredito que ao fim de umas horas será uma tarefa dura”, dizia aos jornalistas António Costa, apontando para tudo o que a vista alcançava, tentando mostrar como a tarefa que está pela frente é “hercúlea” na manutenção da floresta. “É um trabalho imenso”, sublinhou admitindo que só assim a floresta deixará de ser uma ameaça no futuro, passando a assumir o seu papel de fonte de riqueza para as populações.

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