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Serviço de Oncologia do Hospital do Espírito Santo de Évora comemora 20 anos

Incidência de cancro no Alentejo não para de aumentar, sendo urgente a prevenção

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redação

06 Abril 2018

A doença está a crescer a um ritmo de três por cento ao ano em Portugal e o Alentejo não é exceção. A afirmação é feita pelo diretor do Serviço de Oncologia do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE). Rui Dinis avança que sendo uma região em que o envelhecimento é maior relativamente ao resto ao país e estando o envelhecimento associado ao cancro, aponta como necessidade implementar medidas de prevenção para tentar reduzir a incidência de cancro e naqueles casos que não é possível impedir, pelo menos fazer um diagnóstico o mais cedo possível, aumentando a taxa de sobrevivência. O médico oncologista salienta que o HESE é uma referência no Alentejo, garantindo que não há lista de espera neste serviço.

“A prevenção e o diagnóstico precoce são os grandes desafios”, afirma o diretor do Serviço de Oncologia do HESE. A prevenção é um trabalho de décadas, cujos resultados não se observam tão rapidamente, mas o diagnóstico precoce é exequível desde já. O responsável enaltece o facto da Administração Regional de Saúde (ARS) ter implementado projetos inovadores de rastreio no Alentejo com vista ao diagnóstico precoce, “pois o que queremos mesmo é que os doentes nos cheguem cada vez menos em fases avançadas, onde apesar de todas as terapêuticas inovadoras, os resultados não são tão bons”.
Rui Dinis afirma que mesmo que não se consiga inverter o aumento da incidência, se possa aumentar a sobrevivência. “O que temos verificado é que apesar do aumento da incidência, a sobrevivência é cada vez maior. Por exemplo, no cancro da mama desde há 20 anos, a taxa de cura passou de 50 para 80 por cento”, afiança.
O médico sublinha que o Serviço de Oncologia do HESE deu um passo enorme em 2015 ao tornar-se oficialmente serviço regional pela Administração Regional de Saúde do Alentejo, estabelecendo a sua sede em Évora e vários polos dotados de hospital de dia nos outros hospitais regionais: Portalegre, Elvas, Beja e Santiago do Cacém. “Isto é, somos o hospital de referência da região, o único que tem oncologistas no quadro que se deslocam semanalmente a estas instituições para assegurar todas as consultas de oncologia e todas as reuniões de consulta multidisciplinar, ou seja, as consultas de decisão terapêutica onde estão presentes os médicos de todas as especialidades médicas envolvidas no diagnóstico e no tratamento de doenças oncológicas e onde cada caso clínico é avaliado cuidadosamente para se definir a melhor estratégia terapêutica”, explica.
Esta organização regional da oncologia garante “a qualidade máxima de acordo com os mais elevados padrões europeus de oncologia, a equidade regional no acesso aos tratamentos e simultaneamente a proximidade que todos os doentes merecem, independentemente da sua residência”. Rui Dinis evidencia que, por exemplo, os doentes que vivem “no norte do distrito de Portalegre ou no sul do de Odemira têm de ter os mesmos direitos de acesso a saúde de ponta como em Évora, conseguindo-se deste modo conciliar a qualidade com a proximidade”.

Diretor de Serviço garante que não há lista de espera

O diretor de serviço garante que o serviço cumpre os protocolos mais atualizados na área da oncologia, tendo os doentes acesso a toda a inovação terapêutica, mas “não esqueçamos que a excelência dos resultados advém do trabalho de equipa com os vários serviços envolvidos, em particular de Cirurgia Geral, Senologia, Pneumologia, Hematologia, Urologia, Otorrinolaringologia, Radioterapia e Anatomia Patológica, tendo o hospital profissionais dedicados preferencialmente a áreas como o cancro da mama, o cancro digestivo, o melanoma, o cancro urológico ou cancro da cabeça.
Por outro lado, garante que estão estabelecidos protocolos de referenciação com outras instituições de saúde para doenças raras (como os sarcomas), afiançando atendimento prioritário nesses casos para os doentes do Alentejo, mas possibilitando ainda assim o tratamento de oncologia mais próximo da residência, em qualquer dos cinco hospitais.
Rui Dinis faz questão de se orgulhar do serviço que lidera “não ter lista de espera”. O oncologista afirma que “somos dos poucos serviços de oncologia do país que não tem lista de espera para um doente ser visto pela primeira vez ou com doença ativa”, acrescentando que a afirmação assenta nas últimas estatísticas disponibilizadas pelo Ministério da Saúde.
Além do trabalho assistencial, o serviço tem também “idoneidade e capacidade formativa” reconhecida pela Ordem dos Médicos, tendo sido e sendo atualmente responsável pela formação de vários internos da especialidade de oncologia médica, bem como por concursos nacionais de atribuição do título de especialista de oncologia.  O serviço de oncologia possui a estrutura, o processo assistencial-educacional e os resultados assistenciais e educativos adequados de forma a cumprir os padrões de excelência requeridos. Colabora ainda em vários projetos de investigação com a Universidade de Évora e em ensaios de medicamentos inovadores.

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