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Oito municípios abrangidos por três parques naturais

Muita floresta e poucos habitantes agrava risco de incêndio no Alentejo

Os oito municípios alentejanos que abrangem as três áreas protegidas são os mais preocupados com o risco de incêndio na região. Queixam-se que as regras de convívio são “limitativas e improdutivas”, levando à desertificação e abandono de culturas. E sem pessoas por perto para garantirem a limpeza da floresta e impedir o aumento de biomassa, as áreas protegidas estão mais expostas aos fogos.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

11 Abril 2018

O alerta recai sobre os parques naturais da Serra de São Mamede, Sudoeste Alentejano e Vale do Guadiana, onde a desertificação e o despovoamento têm acelerado com especial preocupação para as autarquias.
Números oficiais adiantam que no Norte Alentejano, em plena Serra de São Mamede, Marvão tem 3512 habitantes numa área de 15.460 hectares, Castelo de Vide 3407 habitantes para 16.430 hectares e Portalegre exibe 4667 pessoas e uma área de 18.100 hectares. Não há dados disponíveis sobre Arronches.
Já quanto ao Parque Natural do Vale do Guadiana, os números apontam a uma imensa área de 69.773 hectares repartidos entre Serpa e Mértola, onde os aglomerados populacionais são quase miragem. Odemira é o concelho alentejano abrangido no parque do Sudoeste Alentejano que se estende por 131 mil hectares até ao Algarve.
Recorde-se que a criação dos parques naturais surgiu há mais de 40 anos, com o objetivo de garantir a preservação do património cultural e natural de várias regiões. Uma das apostas sublinhava a conciliação entre o homem e a natureza, mas essa convivência não tem sido fácil ao longo dos anos.
As autarquias abrangidas falam numa legislação restritiva e demasiado severa, que tem prejudicado a dinâmica dos parques naturais, votando largas áreas de floresta ao abandono. Têm sido feitos alguns ajustamentos, mas a última revisão já foi há dez anos, enquanto os autarcas exigem um plano de ordenamento atualizado e menos exigente.
Um dos exemplos que sublinha as dificuldades da convivência entre o homem e natureza aborda a questão das espécies vegetais que, sendo protegidas, não podem ser destruídas, o que impede a realização de culturas consideradas rentáveis e que, por essa via, poderiam gerar atratividade em algumas regiões.
Também os condicionalismos em torno das construções merecem reparo – mesmo nas zonas que admitem algumas casas são apenas permitidos determinados materiais bem mais caros – tal como as regras apertadas de pastoreio, atividades recreativas, desportivas e turismo de natureza. As restrições são transversais à abertura de acessos e estradas. Também o aproveitamento de energias renováveis nem sempre é uma opção.
Para o Ministério do Ambiente, a perda de população nas áreas protegidas não diverge substancialmente daquela que se verifica nos territórios que lhes são envolventes, justificando que a perda demográfica é um fenómeno generalizado em todo o país. A tutela avança ainda que está a ser pensado um novo modelo de gestão que assegure maior proximidade.

GNR está no terreno

GNR iniciou ontem a fase de fiscalização da limpeza dos terrenos florestais, procedendo ao levantamento de autos de contraordenação, que podem ficar sem efeito se os proprietários assegurarem a limpeza até 31 de Maio. “O auto de contraordenação é levantado, porque é a única forma que existe de notificar a pessoa para a limpeza do terreno”, explica o chefe da divisão de colocação e relações públicas da Guarda Nacional Republicana (GNR), Bruno Marques, em declarações à Lusa.
Se os proprietários não procederem à limpeza dos terrenos, as autarquias têm que se substituir e garantir a realização de todos os trabalhos de gestão de combustível previstos na lei, pelo que os autos de contraordenação são “a forma legal que existe para identificar todas as entidades”, explicou o responsável da GNR.

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