Diario do Sul
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Chuvas de março ajudaram

Barragens alentejanas recuperam e seca já está ultrapassada

A barragem de Alqueva ilustra o otimismo alentejano depois dos meses difíceis provocados pela falta de chuva que ditaram uma das maiores secas de que há memória na região.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

11 Abril 2018

O grande lago já está nos 84% da capacidade de armazenamento, o que lhe permite atingir a cota 149, faltando-lhe subir apenas mais três metros para que o nível da água toque a cota máxima (152).
Segundo Fátima Espírito Santo, especialista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, neste momento “já não há seca meteorológica, apenas seca fraca e numa parcela de 1% que, além de praticamente não ter expressão é, de resto, perfeitamente normal numa zona com as características climáticas de Portugal”, sublinha.
A melhoria do cenário é atribuída à chuva que caiu em março – o mais chuvoso desde 1931 - tendo duplicado a pluviosidade ocorrida num chamado ano normal, o que levou a um aumento substancial do nível de todas as bacias hidrográficas da região. Ainda assim, na bacia do Sado as barragens continuam a registar os níveis mais baixos comparando com outras zonas do país.
É verdade que também houve aumentos significativos, como aconteceu na barragem de Pego do Altar – onde foi captada a imagem da ponte descoberta pela seca – que passou de 8% para 75.5%, enquanto a barragem do Roxo passou de 31% para 47.6%. No total das 10 barragens, houve uma subida geral de 29% para 66.5%.
Aliás, as albufeiras que a 15 de março apresentavam volumes totais inferiores a 40% no território nacional, correspondem agora a apenas  três do universo total, todas elas, precisamente, na bacia do Sado: Fonte Serne estava a 39%, Campilhas a 26%, e Monte da Rocha e 26%.
Recorde-se que para o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, há motivos de otimismo. Alega o governante que, face à precipitação registada, este poderá ser ainda “um ano agrícola normal” ou até “mais do que isso”, justificando que a situação de seca “alterou-se muito substancialmente, porque tivemos, nos primeiros dias de março, uma pluviosidade absolutamente anormal - choveu em 10 dias tanto quanto em dois meses de março normais - e, portanto, houve uma grande afluência de águas às barragens”, salientou o governante.
Ainda assim, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, alerta as populações que deverão estar preparadas para frequentes ciclos de falta de chuva no futuro próximo. “Tenho a certeza que a seca vai voltar. Estamos numa das zonas do mundo onde é mais evidente a descida da pluviosidade”, sublinha o governante, que recentemente participou no oitavo Fórum Mundial da Água, onde  apresentou a forma como Portugal está a enfrentar esta última seca.
O titular do Ambiente assume que a seca está “bastante mitigada” perante as fortes chuvas de março, mas admite que apesar da chuva, ainda há muitas barragens da bacia do Sado que continuam com menos água comparando com o ano passado, “que já tinha sido um ano mau, por esta altura”, insiste, acrescentando que “mais ano menos ano, a seca deverá voltar”, pelo que defende a adoção de medidas no uso da água, que deverá ser “o mais racional possível”, mesmo em tempo de recursos hídricos em abundância.

Agricultores querem PDR mais rápido

A autoridade de gestão do PDR 2020 ( Programa de Desenvolvimento Rural) não consegue dar resposta às necessidades dos agricultores. A denúncia parte da Confederação dos Agricultores de Portugal que ontem realizou em Beja uma sessão de esclarecimento sobre o ponto de situação e perspectivas da PAC – Política Agrícola Comum. Os empresários agrícolas garantem que há uma vontade em investir que não se coaduna com a resposta da entidade gestora do PDR2020. Os agricultores queixam-se do elevado tempo de espera entre a submissão, a analise e a contratualização dos projectos.

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