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Projetos

Agricultores criticam lentidão das medidas contra a seca

As medidas anunciadas pelo Governo destinadas a minimizarem os efeitos da seca não estão a convencer os agricultores, que já contestam a morosidade dos serviços na análise das candidaturas. Alegam que era preciso agir mais rápido para tornar os projetos de emergência atrativos ao empresariado agrícola.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

11 Abril 2018

Segundo o secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Luís Mira, há um exemplo prático da contestação agrícola à morosidade em torno das medidas contra a seca extrema: Uma licença de abeberamento para o gado pode demorar três meses a aprovar mesmo em tempos de falta de água. E cada vaca consome uma média de cem litros por dia.
“O que acontece é que quem tem animais tem que fazer, precisamente, essas contas, percebendo qual é a capacidade de armazenamento de água de que dispõe, garantido reservas que permitam assegurar o abastecimento do gado”, sublinha o dirigente, admitindo que “estas medidas eram precisamente para fazer novas charcas e novos pontos de água habilitados a responder à crise nos piores momentos que travessámos”, diz.
Luís Mira não poupa ainda críticas à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), sublinhando que este organismo tratou estes processos como se o ano hidrológico fosse normal, quando “deveria ter um procedimento especial”, acrescenta o dirigente, justificando que apesar da seca extrema “a APA continuou a pedir os mesmos licenciamentos e a fazer as mesmas exigências para captações e água”.
O dirigente considera que “isso não ajudou nada a resolver o problema, porque as pessoas estavam desesperadas e precisavam de ter água para dar aos animais”, sublinhando que,  e neste caso, “os organismos do Estado deveriam ter capacidade para analisar rapidamente os projetos e dizer se os aprovavam ou não, para se encontrar uma solução que respondesse ao cenário de seca tão mau como o que tivemos de enfrentar”.
A CAP admite que é preciso celeridade para tornar os projetos atrativos, embora agora os agricultores prefiram esperar que a chuva faça o seu papel. “A verdade é que grande parte destas medidas não foram possíveis de fazer quando os agricultores mais precisavam delas e agora vão aproveitar estas chuvas de março para melhorar as coisas”, insiste Luís Mira.
O representante da CAP alega que é preciso que os organismos percebam o estado de emergência nos campos quando a água falta por longos períodos. “Se não aprovarem as medidas quando elas mais fazem falta, depois isso já não tem impacto nem interesse para os agricultores”, descreve.
Entretanto, a confederação está a contactar vários agricultores no país para perceber a razão que levou a uma tão reduzida execução de medidas contra a seca, a fim de elaborar um documento para entregar ao ministro da Agricultura, apelando a quem não se repitam os mesmos erros no futuro.

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