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Serviço comprometido

Vidigueira contesta mudanças nos CTT e autarquia diz que não cruza os braços

O presidente da câmara da Vidigueira, Rui Raposo, está preocupado com o futuro dos CTT no concelho, alertando para algumas medidas que têm sido tomadas pela administração da empresa, que, segundo diz, ameaçam a manutenção do serviço postal e a sua prestação em condições de qualidade às populações.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

19 Abril 2018

O autarca não vai assistir de braços cruzados e promete fazer ouvir a sua voz junto do poder central.
A posição do município do Baixo Alentejo é assumida após um contacto da empresa com a autarquia onde os CTT revelaram que a estação da Vidigueira deverá passar a espaço comercial concessionado. “Extingue-se um posto de trabalho da administração dos CTT e a concessão passa para um empresário em nome individual que até pode utilizar aquele posto para desenvolvimento de algumas atividades complementares aos serviços agregados ao posto”, diz Rui Raposo.
O autarca vislumbra um impacto negativo para a população do concelho, destacando o facto de se já verificarem “uma série de alterações ao nível do serviço”, diz, dando os idosos como sendo o exemplo mais preocupante. “Quem recebe as suas pensões já sentiu nos primeiros dias de abril que o pagamento dos vales de reforma não tiveram a regularidade a que estavam habituados”, diz, apontando casos de pessoas que deslocaram 20 a 30 quilómetros para irem aos correios, recebendo a resposta de que não havia dinheiro que chegasse para fazer os pagamentos.
“Antigamente havia sempre dinheiro”, recorda Rui Raposo, alertando que “a cara que as pessoas encontram no posto é a mesma, mas agora com competências diferentes”, insiste, avançando ser este mais um passo da empresa para acabar com a responsabilidade do serviço universal dos correios. “Achamos que este modelo e esta estratégia é estar a degradar o serviço com uma perspetiva economicista que não tem qualquer razão nesta zona do Interior”, sublinha o autarca da Vidigueira, para quem o objetivo da empresa visa a obtenção do máximo lucro à custa de quaisquer outros interesses.
Alega que a maior prova disso é o facto de terem sido distribuídos milhões aos acionistas, num valor que ultrapassou o dobro dos lucros de 2017 (57 milhões de euros) e a empresa ter agora procedido ao aumento médio dos vários serviços prestados em 4.5%.
Ainda assim, Rui Raposo avança ao Diário do Sul que a autarquia vai fazer o que estiver ao seu alcance para recuperar o serviço na estação, admitindo mesmo sair à rua ou juntar a voz a outros municípios que enfrentem situações idênticas. “Para já, lançámos um comunicado à população e agora vamos enviar o mesmo documento para a Assembleia da República e direção da Anacom”, garante.
Acrescenta ainda a câmara alentejana que com a desclassificação da estação para posto de correios “vão perder-se uma multiplicidade de serviços associados à Loja do Cidadão, que a empresa está obrigada a garantir ao abrigo do contrato de concessão”, onde se inscreve o exemplo do pagamento de Vales de Reforma.

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