Diario do Sul
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Docente Leonor Rocha na inauguração da exposição Arqueologia com Gente Dentro

“Estamos a esbanjar a oportunidade de promover a arqueologia do Alentejo”

O alerta foi dado por Leonor Rocha, docente de Arqueologia da Universidade de Évora, em declarações ao Diário do Sul. Diz que apesar do turismo crescer na região não se está aproveitar a mais valia arqueológica que temos por cá para mostrar a quem nos vista. O reparo foi deixado durante a inauguração da exposição “Arqueologia com Gente Dentro”, uma mostra fotográfica de trabalhos no campo que está patente ao público no Palácio do Vimioso.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

20 Abril 2018

Que fotos podemos ver por estas paredes?
Estão aqui representadas fotografias de alguns trabalhos que temos vindo a realizar nos últimos 20 anos, quase todos no Alentejo. São projetos que temos vindo a desenvolver e onde os alunos participam, porque são obrigados a fazerem disciplinas de campo inseridas no projeto de investigação.

De resto, são fotos que puxam, precisamente, pela participação dos alunos.
Porque o objetivo é demonstrar a participação dos alunos e o envolvimento deles nos diversos trabalhos de campo que fomos fazendo ao longo dos últimos anos. Daí a designação de Arqueologia com Gente Dentro.


Como é que resume a exposição?
É uma exposição com ampla cronologia. Ou seja, tem coisas mais antigas da pré-história, com o início da neolitização, até coisas do período romano. Por isso procura apanhar desde monumentos megalíticos, povoados, sítios romanos, também de habitat. Portanto, o objetivo era mesmo esse, demonstrar amplitude de todos os trabalhos que nós fazemos aqui.


Que peças gostava de destacar?
Eu sou suspeita, porque, no fundo, andámos a escolher os sítios de que gostámos mais, pelos quais sentimos mais carinho e onde tivemos mais alunos. Temos as fotografias dos alunos que pela primeira vez vão para o campo e encontram uma ponta de seta. É deslumbrante encontrar uma peça feita há cinco mil anos. Na prática, estamos a escavar sítios que estiveram tapados cinco mil anos e encontramos algo que fora lá depositado por outros seres humanos em contexto de habitação e em contexto de necrópole. Cada sítio é um sítio e tem a sua história.


E estes vestígios ajudam a perceber a história do Alentejo?
Ajudam e ajudam também a perceber a riqueza arqueológica da região. E numa altura em que tanto se fala de turismo e quando estamos a ter tantos turistas, infelizmente, isso não se está a traduzir no apoio a estas atividades, que, no fundo, são as mais procuradas pelos turistas que vamos tendo. O nosso turista não quer vir para a praia, mas antes ver estas coisas. Nós temos o potencial que deve ser valorizado.


Ainda falta essa sensibilidade?
É importante alertar as pessoas para o grande potencial que temos no Alentejo de todas as épocas cronológicas e penso que, de facto, em termos turísticos poderíamos ter aqui muitas pessoas a visitar-nos. Infelizmente, a maior parte destes sítios que estão representados nestas fotografias não são visitáveis. Estamos a esbanjar a oportunidade de promover a arqueologia do Alentejo, porque temos mais turistas e ainda mais turistas podem vir, desde que haja condições e atratividade para que eles venham.


Continua a haver muito para descobrir?
Mesmo muito e é muito provável que cada vez que se façam escavações haja muitas surpresas, porque a arqueologia é uma permanente surpresa e nunca um dado adquirido. O que sabemos hoje pode mudar tudo amanhã.

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