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Câmara Municipal elabora Plano Municipal de Juventude de Évora

Que futuro anseiam os jovens?

A Câmara Municipal de Évora está a elaborar um Plano Municipal de Juventude de Évora que permite planear o desenvolvimento e implementação de políticas de juventude inovadoras de carácter global e transversal.

Autor :Redação

Fonte: Redação

13 Junho 2018 | Publicado : 11:56 (13/06/2018) | Actualizado: 15:42 (13/06/2018)

Para que fosse possível efetuar um diagnóstico apurado e atual da população jovem do concelho de Évora foi solicitada a colaboração da Universidade de Évora. Para tal, foi constituída uma equipa que integra investigadores afetos ao Departamento de Matemática/CIMA – Centro de Investigação em Matemática e Aplicações e Departamento de Sociologia/CICS.NOVA.UÉvora – Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais.
Desemprego, precariedade laboral, dificuldades em ter casa própria, entre outros aspetos. Estes foram os pontos chave que estiveram em debate durante três dias consecutivos na cidade de Évora. No primeiro dia, decorreu um debate sobre “Sociabilidade, Práticas, Vivências e Comportamentos de risco”, no Diário do Sul. No segundo dia, o tema “Ensino e Educação” teve lugar na sala do senado na Universidade de Évora. E no terceiro e último dia, com o tema “Trabalho, Emprego e Autonomia” a discussão teve ocorrência na CME.


Foi na quarta-feira passada, no dia 5 de Junho, que decorreu nas instalações da Rádio Telefonia do Alentejo, um debate sobre as práticas, vivências e comportamentos de risco dos jovens eborenses. O grupo que esteve presente neste debate foi: o representante do CMJ (Vito Tereso); o representante da Associação Giesteirense (Fábio Peixeiro);o representante do Diário do Sul (Paulo Piçarra);o representante da PSP (Edite Dinis); o representante da GNR (João Gaspar); o representante do Centro de Jovens (Henrique Velez);o coordenador do CRI Alentejo Central (Paulo Jesus); o vereador CME (Eduardo Luciano) e a moderar o debate esteve o representante da DJD (José Conde).

Nos dias que hoje decorrem os processos naturais de afirmação e autonomia, sobretudo nos mais novos, são cada vez mais difíceis. De acordo com José Conde, “torna-se, por isso, crucial a implementação de politicas locais e nacionais para a juventude que promovam a participação e a melhor qualidade de vida dos jovens e o reconhecimento da importância dos mesmos como pilar estruturante da sociedade presente e futura. Para que isso seja possível é necessário reconhecermos a realidade em que vivemos a partir da qual se devem definir e planificar estratégias claras de resposta”.

O estudo contempla a aplicação de um inquérito por questionário dirigido à população do concelho de Évora, entre os 15 e os 29 anos, e procura essencialmente a resposta às seguintes questões: Quem são os jovens eborenses? Como vivem o presente? Que futuro anseiam?

“Este estudo é fundamental para se refletir sobre a problemática da juventude no nosso concelho para que possamos analisar algumas formas de intervir. Com isto o que se procura é conseguir arranjar forma de comunicarmos, relacionarmos e estarmos atentos aos problemas dos jovens”, afirmou José Conde.
No dia 6 de Junho, o tema “Ensino e Educação” realizou-se na sala do senado na Universidade do Espírito Santo. Aqui temas como: motivação no ensino, Bullying, excesso de trabalho e aprendizagem noutros locais foram o foco do debate. As pessoas que marcaram presença neste dia foram: António Ricardo Mira, representante da Universidade de Évora; Fernanda Graça, membro do Conselho Pedagógico e Técnica dos Serviços de Psicologia e Orientação; João Romão, professor da Escola André de Gouveia; Ana Rita Silva, representante do CMJ no Conselho Municipal da Educação; Nuno Cabral, representante da Associações de Pais e Encarregados de Educação Severim de Faria; Lázaro, Presidente da Direção Pedagógica da EPRAL; Helena Ferro, representante DEIS; e a moderar o debate esteve Rosalina Costa.

Segundo Ana Rita Silva, é nos locais fora das aulas que surge o maior interesse. “Eu acho que os estudantes têm vontade de aprender fora das aulas, mas têm aquele horário para cumprir das aulas em sala de aula. Não só consome muito do tempo dos estudantes, mas também dos professores que acabam por ter a obrigação de dar o que está no programa”.

A jovem representante da associação académica da UE pensa que hoje com o excesso de informação que os jovens têm, as aulas como meio de informação muitas das vezes não se justifica, considerando mais motivante aprender fora do espaço da sala de aula. “É preciso haver mais liberdade para realizar visitas e workshops para os estudantes e dizer aos alunos onde os encontrar”, remata Ana Rita.

Nuno Cabral, mostrou-se assustado com a falta de tempo que os jovens têm para eles mesmos. “Às vezes, vejo os jovens a chegarem a casa exaustos, por causa das diversas atividades que têm no espaço de ensino. Alguns deles ainda têm mais atividades a seguir que não estão relacionadas com os estudos e isso faz com que, muitas vezes, os pais nem tenham tempo para ter uma conversa com os filhos”, afirmou com alguma preocupação.

Rosalina Costa, que moderava o debate, lançou a questão relacionada com a forma com que os professores muitas vezes se relacionam com os alunos. António Ricardo Mira, representante da UE, disse existirem três tipos de bullying: aluno para aluno, professor para aluno, aluno para professor. “Fala-se muito do primeiro, mas pouco dos outros dois. Quando formos capazes de falar destes temas sem complexos, acho que poderíamos resolver mais do que o que fazemos atualmente. Somos uma cidade educadora. Temos que aperfeiçoar isso o melhor que conseguirmos, cada um com as suas competências”, concluíu.

O terceiro e último debate, que teve lugar na Câmara Municipal de Évora no dia 7, debateu-se sobre “Trabalho, Emprego e Autonomia”. O grupo que marcou presença neste dia foi: o representante da CMJ, Luis Santos; representante do IEFP, Rui Estriga; Segurança Social, Teresa Andrade; Emprego e Biscates, Ruben Cramez; Embraer, Margarida Marques; jovem que trabalha em Call Center, Ana Flamino; Jovem trabalhador da FNAC no Évora Plaza, Mário Velez; Plano Loca de Habitação, Susana Mourão; a representar a ADRAL, Andreia Mourita; da Universidade de Évora, Paulo Silva; e por último, a moderar o debate a vereadora Sara Fernandes.


“Deve haver uma relação direta entre as formações oferecidas e o mercado de trabalho?”, foi esta a pergunta lançada pela vereadora Sara Fernandes. Rui Estriga, representante do IEFP, afirmou que esta é uma questão quase consensual porque os centros de formação devem adptar aquilo que oferecem com o que o mercado de trabalho pede. “Também corremos o risco de ter, por exemplo, 10 cursos, com todas as ideias firmes, e no final não resultar em nada. Isto se o mercado de trabalho não se interesse pela a área de formação em causa. Na prática, nós deveríamos fazer aquilo que o mercado de empregabilidade quer, mas também tenho que realçar que no IEFP nem todos os cursos têm como objetivo dar às pessoas um emprego. Alguns cursos servem apenas para enriquecer as pessoas em termos de conhecimentos”, disse.

Para além de todos os problemas falados durante estes três dias de debate, um dos que tem causado maior preocupação, por parte dos jovens, é: a procura de emprego e independência.

São cada vez mais os jovens com cursos superiores, quando o emprego em áreas profissionais é menor. Um paradoxo com que a nossa sociedade juvenil se depara, que os leva a caminhos sem saída. Têm preparação, conhecimentos, experiência de vida pelas viagens que fazem e voluntariados, mas no que toca a experiência no ramo profissional a conversa muda. Existem adultos que pensam que os jovens estão mais preparados para o futuro que muitos profissionais com larga experiência na área. Contudo, existem aqueles que vêem este panorama com um olhar mais leviano acreditando que os jovens de hoje não são os jovens de antigamente. A gravidade da situação é que muitos jovens ao procurarem por estágios ou emprego, deparam-se com anúncios a pedir no mínimo 3 anos de experiência. Desesperados acabam por sujeitar-se a trabalhar em call centers, caixas de supermercado e de lojas. “Entristece-me ver antigos alunos meus que eram bem formados e bons alunos em caixas de supermercado. No fundo, são jovens com um curso superior que tinham tudo para ter um futuro profissional mas por falta de oferta acabaram por ter que trabalhar noutros sítios fora da área”, afirmou a vereadora Sara Fernandes.

“Muitas vezes, procuramos emprego e não há. Estou no Call Center à cerca de 3 anos. O Call Center oferece-nos uma formação de três meses para conseguimos aprender e trabalhar naquele sistema. Basicamente, estamos sempre a aprender situações novas, procedimentos novos, mas estamos ali com trabalho precário e a ganhar uma miséria”, disse com ar descontente a jovem Ana Flamino.

Quem parecia entender bem esta situação de dificuldade em arranjar trabalho, era Ruben Cramez, dinamizador do site Empregos e Biscates em Évora. “O Call Center já foi um bom sitio para trabalhar. Quando chegou a Évora, ganhava-se bem, tinha-se fins de semana... No inicio o Call Center tinha 30 pessoas, quando se deslocou para a cidade, mas depressa a coisa mudou. Havia em Évora aquela camada jovem com formação superior sem emprego e viram isso como uma alternativa”, disse.

No que diz respeito à autonomia e casa própria, a coisa fica mais negra. Segundo Paulo Silva, representante da UE, “quando falamos de emprego, a autonomia que adquirimos é conveniente no trabalho. No resto, eu penso que não há autonomia. Uma pessoa está sempre dependente de alguém”, concluiu.

Durante estes três dias muito se debateu com o intuito de entender a geração mais jovem que tem passado por tantas dificuldades, quer a nível social, económico e profissional. Resta agora saber o que vai acontecer e os planos que a Câmara Municipal de Évora tem para ajudar estes jovens de hoje. 

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