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Enquanto degradação avança e provoca mais derrocadas na fortaleza

Câmara do Alandroal quer candidatar Juromenha a Património Mundial

A Câmara do Alandroal ambiciona a classificação de Património Mundial para a fortaleza de Juromenha, segundo avançou o presidente do município, João Maria Grilo. “Tencionamos integrar a candidatura das fortalezas da raia à UNESCO, que está ser preparada entre Elvas, Marvão, Valença e Almeida”, sublinhou o edil.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

19 Junho 2018

As declarações de João Maria Grilo foram feitas ao Diário do Sul após o colapso de uma das torres do castelo medieval de Juromenha (Alandroal), em avançado estado de degradação, na sequência do mau tempo, mas há vários anos que autarquia, historiadores e população vão exigindo que o monumento seja reabilitado.
“Desde o início do mandato que tenho estado a trabalhar com Secretaria de Estado do Turismo, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional e Turismo do Alentejo para se arranjar solução”, explicou, revelando que o processo de reabilitação terá de obedecer a uma componente de investimento público, assumido pela autarquia, sendo depois criadas as condições para que no interior algumas zonas sejam abertas à concessão a privados para exploração turística. “Mantendo sempre uma filosofia de espaço público e aberto a todos”, ressalvou o edil.
A intervenção inicial para recuperação da muralha está orçada em 4,5 milhões de euros, que serão sobretudo provenientes de fundos comunitários. “A Câmara está do lado da solução e não do problema. Estamos comprometidos com Juromenha e com a sua reabilitação, porque entendemos que é fundamental para o concelho e para a região colocar a fortaleza ao serviço do desenvolvimento local. Por isso assumimos a componente de obra com fundos comunitários correspondentes com a reprogramação do quadro 2020”, acrescentou João Maria Grilo.
Só depois deverá avançar a inclusão do imóvel no programa Revive, dando lugar ao investimento privado. “Tem que ser um trabalho concertado”, admite o autarca, enquanto a degradação prossegue há décadas no monumento. “Se nada for feito rapidamente é óbvio que a muralha vai continuar a degradar-se”, alerta ainda o presidente da Câmara do Alandroal, para quem “não faz sentido” que a fortaleza de Juromenha seja uma “construção com uma importância histórica fundamental na raia semelhante às fortalezas de Elvas (classificadas há seis anos como património mundial)” e tenha chegado a este estado de ameaça constante de colapso.
“As fortalezas de Elvas passaram a ter mais atenção e financiamentos, mas Juromenha faz parte da mesma linha defensiva e do mesmo imaginário. Também precisa de atenção e de ser recuperada urgentemente”, resume.



Algumas datas
de séculos de História

Na segunda metade do Século IX são feitas as primeiras referências a Juromenha e ao seu castelo, segundo revela a Associação dos Amigos dos Castelos. Em 1167 é conquistada por Afonso Henriques, mas 1191 cai novamente no domínio do Califa Almôada Iaçube Almansor. Em 1242 é reconquistada definitivamente por D. Paio Peres Correia; enquanto praça fronteiriça torna-se numa azoia ou arrábida, defendida por voluntários que alternam a atividade bélica com a religiosa. 1312 é ano do Foral de D. Dinis e reconstrução total do castelo. Entre 1644 e 1658 há lugar a grandes obras de adaptação do castelo a uma fortaleza para uso da artilharia durante a Guerra da Restauração, alterando significativamente a fortificação medieval. Em 1755 a fortaleza foi muito afetada com o terramoto, principalmente a fortificação moderna. Em 1808 foi tomada pelas forças luso-espanholas e 1920 dá-se o completo despovoamento da fortaleza que passou para os arrabaldes de São Lázaro e Santo António.

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