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Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia vai ser ampliado com a construção de mais dois edifícios

PACT quer atrair empresas das áreas da saúde e da aeronáutica

Inaugurado em setembro de 2015, o Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT) tem vindo a trilhar um percurso alicerçado na inovação, no conhecimento e na tecnologia. Atualmente conta com a presença física cerca de uma dezena de empresas, apoiando mais 30. Em breve, está prevista a construção de mais dois edifícios, o que irá permitir, lá para 2020, acolher outras 60 empresas e startups.

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

19 Junho 2018

Atrair projetos ligados às áreas da saúde e da aeronáutica é um dos objetivos de Soumodip Sarkar, presidente executivo do PACT, cargo que assumiu formalmente há cerca de dois meses.
Para além disso, tem ainda a expectativa de criar um Design Factory num dos novos espaços que vão ser construídos.
A maioria do capital do PACT é detido pela Universidade de Évora (UÉ), mas conta também outros acionistas, nomeadamente o Novo Banco, a Glintt, o Instituto Politécnico de Beja, o Instituto Politécnico de Portalegre, o Instituto Politécnico de Santarém, a Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo (ADRAL), a DECSIS - Sistemas de Informação e a Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE).
A sustentabilidade do PACT é uma das questões prioritárias, estando a ser desenvolvido um plano nesse sentido que assenta em duas vias, explicou Soumodip Sarkar.
“Por um lado falamos da sustentabilidade financeira, por outro, temos a sustentabilidade do próprio PACT”, adiantou o mesmo responsável, que é também vice-reitor da UÉ.
Quanto à sustentabilidade financeira, recordou que “o edifício que já existe é um dos quatro edifícios que estavam previstos”, lembrando que “este foi pensado para ser um edifício central, com serviços centrais e para a administração”.
O presidente executivo do PACT frisou que “como na altura mas não foram construídos os outros três edifícios, passou a ser também um edifício para acolher as empresas, mas não é sustentável, pois só representa cerca de 30 por cento da área total e não dá para sustentar as despesas”
Não obstante, garantiu que “com muito esforço, temos as contas mais equilibradas e estamos no bom caminho, em termos de sustentabilidade financeira”.
De acordo com Soumodip Sarkar, “outra parte muito importante, é tentar definir o que é o PACT e para que serve, ou seja, falamos da sustentabilidade do PACT em si”.
Esclareceu que “o PACT não é só para acolher empresas”, apontando que “o objetivo é promover um ecossistema de empreendedorismo e de inovação, envolver as empresas que estão no PACT e as que estão associadas ao Parque, aumentar as receitas próprias e também servir a comunidade”.
O mesmo responsável assegurou que “queremos promover mais startups e spin-offs da UÉ e dos politécnicos da região, bem como envolver as empresas nas nossas atividades e fazer a transferência de conhecimento da universidade e dos politécnicos para o PACT”.
Revelou ainda que “na segunda fase está previsto um gabinete para fazer propriedade intelectual para as empresas, quer associadas ao PACT ou não”.
Em relação à lotação do PACT, o presidente do Parque focou que “atualmente a nossa capacidade física está esgotada com 11 empresas”, constatando que “associadas ao PACT são mais de 30 empresas”.
Daí também a necessidade de investir nesta segunda fase, que vai nascer na proximidade da infraestrutura já existente. “O projeto inicial tinha previsto mais três edifícios”, disse Soumodip Sarkar, comentando que “para já esperamos ter mais dois edifícios e um terceiro fica dependente das condições financeiras”.
Acrescentou ainda que “esperamos que em 2020 ou 2021 esses dois edifícios já estejam prontos, podendo albergar mais 60 empresas no nosso espaço físico”.
O mesmo responsável anunciou que “uma das áreas em que queremos apostar é na das tecnologias da saúde”, evidenciando que “há interesse de certas empresas, incluindo internacionais”.
Realçou que “a ideia é criar um cluster à volta da saúde, em que o PACT tenha um papel importante, tal como a UÉ”, exemplificando com “a promoção de startups nesta área, empresas ligadas à análise de dados ou ao nível da saúde digital, como a utilização das tecnologias para apoio aos idosos”.
Para além disso, Soumodip Sarkar referiu que “tencionamos que a outra parte seja dedicada ao setor da aeronáutica, que tem despertado interesse na região”.
Explicitou que “pretendemos empresas de escala mais pequena e ter centros tecnológicos desta área que servirão para as empresas do setor da aeronáutica que já estão aqui na região”, lembrando que “a própria UÉ criou uma cátedra na área aeroespacial, o que poderá contribuir para a transferência de conhecimento”.
Outro setor que o presidente executivo do PACT gostaria de ver crescer era “um Design Factory, pois já temos competências nesta área”.

Um espaço aberto
à comunidade

Conciliar o passado, o presente e o futuro é um dos objetivos de Soumodip Sarkar com o avançar deste projeto.
De acordo com o mesmo responsável, “queremos ter um local para realizar exposições e mostrar um pouco do passado, ao mesmo tempo que gostaríamos de montar um espaço de experimentação para as empresas poderem testar os seus produtos ou serviços”.
Destacou que “também gostávamos de abrir o nosso espaço à comunidade, nomeadamente com eventos para o público em geral ou para as escolas, e que o PACT fosse um polo de atração para turistas, com um museu do passado, presente e futuro”.
Para o presidente executivo do PACT, “a inovação e o empreendedorismo têm futuro no Alentejo”, sublinhando que “uma região dinâmica nasce quando pensamos em criar vantagens competitivas, além das vantagens óbvias que já existiam”. A esse respeito, questionou “quem imaginava que teríamos aqui um cluster da aeronáutica?”.
A proximidade de Évora a Lisboa leva Soumodip Sarkar a convidar os potenciais investidores “a fazerem uma visita ao PACT e aos outros parceiros da região, para conhecerem o que temos para oferecer”.
Reconheceu que “obviamente que temos problemas”, considerando que “o maior entrave tem a ver com a falta de pessoas qualificadas, nas áreas das engenharias, pois quando as empresas vêm conhecer a região querem saber se temos massa crítica”.
No entanto, salientou que “é preciso oferecer às pessoas condições favoráveis para que se queiram fixar na região”.
O mesmo responsável mencionou ainda que “às vezes nem é necessário que essa formação seja ao nível superior, pode ser também através das escolas profissionais, nomeadamente em áreas mais ligadas à informática”.
Na sua perspetiva, “há desafios pela frente, mas há muito por onde crescer e não tenho dúvidas que daqui a dez anos o Alentejo vai ser diferente”.

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