Diario do Sul
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Diretora clínica assume que pode ser pior em breve

As dificuldades que a falta de pessoal acarreta ao hospital do Litoral Alentejano

O quadro de pessoal do Hospital do Litoral Alentejano tem uma carência de 225 profissionais. Deveria ser formado por 1200 médicos, enfermeiros e auxiliares mas fica-se pelos 975. Alda Pinto, diretora clínica, assume as “dores de cabeça” cada vez que vai fazer a escala.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

19 Junho 2018

“A falta de recursos humanos é um grande problema e vamos fazendo o que é possível”, sublinhou a mesma responsável, admitindo que em breve pode haver piores notícias na unidade de saúde. “Preocupa-nos muito a redução do horário de trabalho das 40 para as 35 horas nas várias carreiras, porque todas as medidas que possam vir a ser tomadas, e se for para entrarem já em acção, podem não ser suficientes para que consigamos manter o normal funcionamento dos serviços”, alertou.
Na prática, todas as valências se debatem com falta de recursos humanos (desde médicos, a enfermeiros, passando pelo pessoal auxiliar) mas a pediatria está na frente da lista das preocupações. “Estamos obrigados a deslocar doentes para outros hospitais, que acabam por estar muito longe”, disse, dando Setúbal como exemplo. “Não temos uma urgência pediátrica. Atendemos utentes na urgência para adultos, mas não temos especialistas e isso é uma grande preocupação, porque não conseguimos manter as crianças vigiadas e acabam por ser transferidas”, lamentou Alda Pinto.
A diretora clínica falava após uma visita ao hospital do grupo parlamentar do PCP, após a qual o líder da bancada comunista João Oliveira admitiu a necessidade de encontrar respostas às carências do hospital, defendendo que o diagnóstico está feito e que nem é preciso inventar nada.
“O problema que existe tem que ver com constrangimentos orçamentais que resultam das imposições da União Europeia e que o Governo aceita”, justificando, lamentando as dificuldades à contratação de pessoal, a par dos alegados “processos burocráticos para abrir concursos”, agravados com a questão dos concursos que ficam desertos “porque os profissionais veem-se colocados numa circunstância em que as unidades de saúde concorrem entre si e em que os serviços privados disputam profissionais aos serviços públicos”. João Oliveira prefere que o Governo “tome medidas e faça opções” em nome do Serviço Nacional de Saúde “sem dar prioridade às metas do défice”.
O Hospital do Litoral Alentejano serve 97 mil residentes, a que se juntam milhares de pessoas que trabalham nas indústrias da região. Alda Pinto recorda como a população aumentam no período de férias, sem perder de vista os acidentes ocorridos ao longo dos tempos no eixo viário que percorre esta zona do Alentejo e que tem hoje uma das maiores taxas de sinistralidade do país.
Já em fevereiro o Sindicato dos Enfermeios Portugueses alertava que até final de 2018 serão necessários cerca de cem enfermeiros no hospital de Santiago do Cacém e os centros de saúde de Santiago do Cacém, Alcácer do Sal, Grândola e Sines.
De acordo com o dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Luís Matos, o Litoral Alentejano precisa hoje de 68 enfermeiros para conseguir colmatar as  falhas depois de em outubro de 2017 a falta de pessoal ter levado à redução de camas na Unidade de Convalescença, de 25 para 12, tendo ainda a Unidade de Cuidados Paliativos sido deslocada dentro do Hospital do Litoral Alentejano.
Ainda segundo o mesmo dirigente, a região exibe também uma assinalável escassez de operacionais, pessoal administrativo e assistentes técnicos. Porém, o cenário está na eminência de poder vir a sofrer agravamentos a partir de julho, quando o horário dos enfermeiros for reduzido das 40 para as 35 horas semanais. O sindicato já fez as contas e concluiu que serão necessários mais 20 profissionais para juntar aos 68 que atualmente estão em falta, sendo necessários mais dez até final do ano, período para o qual se prevê que esteja concluída a obra de ampliação da urgência hospitalar. Ou seja, na contabilidade do SEP, o Litoral será deficitário de um total de 98 profissionais de enfermagem até final de 2018.

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