Diario do Sul
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Observatório confirma

Alentejo é a região do país com menos médicos

As queixas sobre a falta de médicos nos três distritos alentejanos avolumam-se há largos anos, mas aí está agora a confirmação das carências em números à boleia do Relatório Primavera 2018 do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS). O Alentejo regista mesmo as maiores lacunas clínicas comparando com as outras regiões do país, sendo ainda a única zona do território onde não houve evolução nos últimos anos, nomeadamente entre 2015 e 2017.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

27 Junho 2018

O relatório aponta que o Alentejo tinha em 2017 uma média de 1,4 médicos especialistas por cada mil habitantes, igualando o rácio de 2015, enquanto em número de internos havia no ano passado 0,6 clínicos por cada mil habitantes, voltando aqui a igualar as disponibilidades de profissionais em pleno Serviço Nacional de Saúde.

Segundo se lê no relatório, apesar do aumento de horas contratualizadas, “a disponibilidade de profissionais face à população estagnou e é das mais baixas do país”, apontando o mesmo documento à “necessidade de avaliação dos riscos desta tendência de aparente dependência do trabalho médico em prestação de serviços, visto que se trata da região do país onde este traço é mais vincado”.

Já em relação aos enfermeiros, o Alentejo colocar-se entre as outras regiões, com 4,4 profissionais por cada mil habitantes, o que traduz uma evolução face ao rácio de 4,1 registado em 2015. Quer isto dizer que em 2017 a região se colocou à frente da região Norte, igualando Lisboa e Vale do Tejo

Ainda segundo as conclusões do relatório, a análise regional das horas contratualizadas permite perceber que, não obstante o aumento da disponibilidade de enfermeiros, a região do Alentejo apresentam uma redução do trabalho de enfermagem de -1%.

“Um outro problema que recentemente ganhou visibilidade na agenda pública”, acrescenta do documento, “diz respeito à dificuldade de conhecer a disponibilidade, e a consequente necessidade, de enfermeiros especialistas no país”. Justifica que a Ordem emite o título de especialista em seis áreas e em 2016 e 2017 a percentagem de enfermeiros especialistas foi 22,5% e 23,6% respetivamente, registando-se, nos dois anos, um maior número de enfermeiros na especialização em reabilitação, seguida da especialização médico-cirúrgica, saúde materna e obstetrícia, enfermagem na comunidade, saúde infantil e pediátrica e, por último, saúde mental e psiquiátrica.

Recorde-se que recentemente a própria diretora clínica do Hospital do Litoral Alentejano alertava que o quadro de pessoal tem uma carência de 225 profissionais. Deveria ser formado por 1200 médicos, enfermeiros e auxiliares mas fica-se pelos 975. Alda Pinto, diretora clínica, assumia que “a falta de recursos humanos é um grande problema e vamos fazendo o que é possível”, sublinhava a mesma responsável, admitindo que em breve pode haver piores notícias na unidade de saúde. “Preocupa-nos muito a redução do horário de trabalho das 40 para as 35 horas nas várias carreiras, porque todas as medidas que possam vir a ser tomadas, e se for para entrarem já em acção, podem não ser suficientes para que consigamos manter o normal funcionamento dos serviços”, alertava.

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