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Aumento de produção

Bom ano para cereais porque choveu na altura certa

A produção de cereais vai aumentar no Alentejo, segundo as previsões agrícolas do Instituto Nacional de Estatística (INE), no final do mês de maio.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

27 Junho 2018

O documento avança mesmo que a generalidade das culturas de cereais outono/inverno se encontra na fase de plena maturação, embora os últimos três meses tenham decorrido “climatericamente de forma muito favorável”, ainda de acordo com os dados disponibilizados pelo INE.
Quer isto dizer, de acordo com o produtor João Gama, com terrenos agrícolas entre Elvas e Campo Maior, que “ a chuva tardou e lançou-nos no desespero, mas para os cereais acabou por chegar no momento decisivo”, sublinha, justificando que a precipitação caiu nas fases onde era decisiva a sua ocorrência. Ou seja, logo após a realização das adubações de cobertura e na fase de enchimento do grão.
“Isso foi muito importante e contribuiu para este bom resultado que hoje temos aqui”, insistiu, corroborando as dados otimistas para o setor agora apontados pelo INE.
Quanto aos valores do aumento de produção face à campanha anterior, o INE admite uma subida generalizada de produtividade, equivalente aos 5% no centeio, de 15% no trigo e aveia, além dos 20% no triticale e cevada, mas João Gama não arrisca com tanto detalhe. “Esses números poderão ser uma média interessante e até admito que no nosso caso alguns cereais possam ir mais além, mas não consigo ser tão preciso na avaliação”, justifica o agricultor
Recorde-se que a melhoria do cenário agrícola após mais um ciclo de seca prolongado é atribuída à chuva que caiu em março – o mês mais chuvoso desde 1931 - tendo duplicado a pluviosidade ocorrida num março normal, o que levou a um aumento substancial do nível de todas as bacias hidrográficas da região.
De resto, semanas depois já o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, admitia haver motivos de otimismo. Alegou o governante que, face à precipitação registada, este poderá ser ainda “um ano agrícola normal” ou até “mais do que isso”, quando já se vê na região que a cultura do arroz está em marcha em zonas onde chegou a ser apontada como “pouco provável”.
Já para o girassol, o INE prevê uma redução de 20% na área semeada, enquanto “as condições meteorológicas continuaram favoráveis ao desenvolvimento vegetativo dos prados e culturas forrageiras”. A disponibilidade de matéria verde permite a manutenção do pastoreio pelos efectivos pecuários em regime extensivo, reduzindo a necessidade de recurso a rações.
De acordo com dados divulgados pelo Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH), apenas as albufeiras de Campilhas e Monte da Rocha, na bacia do Sado apresentavam disponibilidades hídricas inferiores a 40%, enquanto na bacia do Guadiana só o Caia e a Vigia se encontravam abaixo dos 50% de armazenamento.
As boas notícias depois da seca que castigou a região são dadas, ainda assim, pelas restantes albufeiras que compõe, sobretudo, a bacia do Guadiana, que já soma um total de 85.3% quando a média nesta altura do ano aponta aos 83 pontos percentuais. Os dados oficiais dizem que a barragem de Abrilongo está nos 88.6%, Alqueva (86.8%), Beliche (88.3%), Enxoé (100%), Lucefecit (100%), Monte Novo (93.6%) e Odeleite (93.9%). Também otimistas são as informações reveladas em torno da bacia do Sado, que somam uma média de 69.1, enquanto a média na época do ano está fixada nos 64.3.
Devido à precipitação da segunda quinzena de Maio, “assistiu-se a alguma deterioração da qualidade dos fenos em secagem no campo”, acrescenta o INE.

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