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Reforma dos Cuidados Continuados Integrados em Portugal

Alentejo é a região que “oferece melhor cobertura e tem menor lista de espera”

A região Alentejo é considerada aquela que melhor cobertura oferece em termos de cuidados continuados. A afirmação é feita pelo coordenador Nacional para a Reforma dos Cuidados Continuados Integrados, Manuel Lopes, que avançou ainda que é a região que tem a menor lista de espera, considerando ser aquela que se perfila como ideal para experimentar ideias inovadoras.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

24 Julho 2018

Não obstante, o responsável garante que enquanto houver uma pessoa que precise e não tenha resposta não estará. Nesse sentido, continua a defender que é preciso trabalhar muito mais, procurando sistematicamente inovar nas respostas.

Manuel Lopes admite que Portugal está muito longe dos objetivos, uma vez que era suposto existirem, nesta altura, à volta de 15 mil camas e há cerca de 8.500. “Se olharmos para isso e para a resposta que temos em casa das pessoas, como é cerca de seis mil, então aí muda completamente de figura”, frisa.

A finalidade é ter como primeira opção a resposta em casa. É esta a convicção do coordenador, explicando que “só quando a vivência em domicílio não for adequada, se a pessoa morar sozinha e ficar dependente, não pode ficar em casa, ou se a casa não tiver condições”.

A ideia de que é preciso investir ainda muito mais nestes tipos de respostas é reiterada, considerando que as necessidades são crescentes, “como está à vista de toda a gente”. Admitindo que há muita gente em lista de espera, por contingências diversas, Manuel Lopes lembra que uma das tipologias de respostas que existem são as unidades de convalescença, lamentando que “uma parte destas unidades que foi requisitada na altura do plano de contingência da gripe, ainda não foi devolvida”.

Além destas dificuldades, o responsável sublinha que existem outras lacunas em áreas muito setoriais. E exemplifica: “Temos muito poucas respostas para a saúde mental, que é uma resposta que acabou de arrancar e não temos resposta para as demências, uma vez que só existe uma em todo o país”.

Não estou satisfeito porque enquanto houver uma pessoa que precise e não tenha resposta porque essa resposta não existe, não posso estar confortável. Nesse sentido, continuo a achar que precisamos trabalhar muito mais. Temos que estar sistematicamente a inovar nas respostas. Não podemos pensar que um dia destes teremos respostas para toda a gente e que as necessidades estão ultrapassadas porque não estão.

ECCI24 de Évora volta a ser referida

como projeto pioneiro de sucesso

Manuel Lopes salienta que é unânime entre as múltiplas organizações internacionais a recomendação para que sejam criadas todas as condições para as pessoas poderem envelhecer inseridas na sua comunidade. Tal recomendação mantém-se mesmo quando as pessoas são afetadas por problemas que lhes provocam dependência funcional.

“Cientes disso, propusemos em 2016 que um dos vetores do Plano de Desenvolvimento da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) fosse o reforço dos cuidados continuados integrados prestados no domicílio e em ambulatório”, salienta no jornal “Público”.

Os cuidados no domicílio são prestados pelas Equipas de Cuidados Continuados Integrados (ECCI), as quais, de acordo com o previsto no Decreto-Lei 1001/2006, são multidisciplinares, vocacionadas para a prestação de serviços domiciliários, decorrentes da avaliação integral, de cuidados médicos, de enfermagem, de reabilitação e de apoio social, ou outros, a pessoas em situação de dependência funcional, doença terminal, ou em processo de convalescença, com rede de suporte social, cuja situação não requer internamento, mas que não podem deslocar-se de forma autónoma.

Em conjunto com as Administrações Regionais de Saúde, articulados com a Coordenação dos Cuidados de Saúde Primários e com o apoio da Associação das Unidades de Cuidados na Comunidade, “demos início a um processo de transformação sistemático que visa requalificar as Equipas de Cuidados Continuados Integrados. Para tanto desenvolveu-se prova de conceito no sentido de testar o custo-efetividade de ECCI com múltiplos perfis de competências, trabalho em rede na comunidade e capacidade de resposta”, vinca.

O coordenador salienta o que decorreu no concelho de Évora, com a criação da ECCI24, revela resultados concludentes: “esta é a forma mais custo-efetiva de intervenção junto de pessoas dependentes com condições para receberem cuidados em casa”.

Manuel Santos sustenta que o trabalho de reforma das ECCI está em curso de forma muito consolidada e com excelentes resultados em saúde e elevada satisfação dos doentes e famílias. “Apesar disso, não estamos satisfeitos porque a taxa de ocupação e o trabalho de articulação das ECCI com outras respostas continuam a ter muita margem para crescerem”, adverte.

 

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