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De 26 a 29 de Julho

Alentejanos correm 281 kms

Os atletas têm 66 horas para percorrer 281 km’s. Só há 17 portugueses inscritos.

Autor :Redacção «Diário do SUL»

25 Julho 2018 | Publicado : 11:44 (25/07/2018) | Actualizado: 12:07 (25/07/2018)

O Alentejo vai estar representado, pela primeira vez, na PT281+ Ultramarathon Beira Baixa Portugal, que se disputa de 26 a 29 de julho, através de Bruno Rentes e João Artur Tomaz, que terão 66 horas para percorrer 281 quilómetros, com 9350 metros de desnível positivo.

Esta competição, que vai na sua quarta edição, caracteriza-se pela dureza e exigência, com os participantes a terem de se transcender, tanto física como psicologicamente, com o percurso atravessar a paisagem histórica e natural da Beira Baixa, com partida na vila de Penamacor e a chegada em Castelo Branco.

Os dois alentejanos que esta quinta-feira se vão sujeitar a tamanha provação fazem parte do restrito lote de portugueses que se sentem em condições para o fazer. De um total de 48 inscritos, apenas 17 são lusos, com os restantes a representarem os “quatro cantos do Mundo”. Em termos femininos só há quatro inscrições (uma espanhola, uma brasileira e duas argentinas).

A PT281+ Ultramarathon Beira Baixa atravessa a paisagem natural desta região, percorrendo, de forma contínua, com partida em Penamacor, a Serra de Malcata, Monsanto e Penha Garcia, Idanha-a-Nova, Tejo internacional, Vila Velha de Ródão, Portas de Ródão, Oleiros pelos Trilhos dos Apalaches, Proença-a-Nova finalizando em Castelo Branco. É feito em regime de semi autossuficiência, ou seja, apesar de ser um percurso contínuo, com um tempo limite de conclusão, os participantes encontrarão ao longo do percurso vários Postos de Controlo, onde poderão descansar e reabastecer as suas forças.

Bruno Rentes

“Em Setembro passado cruzei-me com esta prova na Internet e soube, desde logo, que seria o derradeiro desafio e que, acontecesse o que acontecesse estaria lá, lado a lado com todos os que procuram aquela medalha, a única recompensa física concedida a cada um no final”, revela Bruno Rentes, engenheiro agrónomo, de 40 anos, natural de Évora.

João Artur Tomaz

João Artur Tomaz, de 28 anos, natural de Portalegre, residente em Évora, é mais lacónico e afirma: - “Fascina-me a ultradistância, fascina-me levar o corpo ao limite. Partir sem a certeza de terminar: Estar exposto aos elementos. Talvez o ‘sofrimento’ faça parte desta paixão. Enfrentar os limites do nosso corpo e da nossa mente fazem com que procure uma aventura cada vez a maior, e nada melhor que a PT281+, em que são esperadas temperaturas bastante elevadas num percurso bastante desgastante fisicamente”.

Como preparar?

 A PT281+ Ultramarathon Beira Baixa desenvolve-se em percursos com a utilização de veredas, trilhos florestais, caminhos rurais, carreiros, trilhos pedestres e estradas de asfalto, exigindo antecipadamente uma enorme preparação. “A preparação não foi feita, foi-se fazendo, desde a primeira prova, até ao dia de hoje. Ninguém treina unicamente para 281km. Sinto que se vai treinando, até que chega o dia em que nos sentimos prontos para enfrentar a distância. Contudo, existe um treino específico e bastante exigente para uma ultramaratona com esta distância: os treinos a rondar os 30/40km nas horas de mais calor e com uma quantidade bastante limitada de água”, revela Tomaz, que corre pelas cores do Évora Night Runners.

“Quando penso na preparação creio que todos os quilómetros que corri ao longo deste último ano e meio, todas as provas em que participei, me conduziram até aqui. Quase que inconscientemente já soubesse que iria participar. Em termos práticos, contei com a constante ajuda dos companheiros dos diversos grupos de corrida do nosso concelho e da “ajuda” de bastidores obtida no ginásio Be In Shape, a minha segunda casa nos últimos tempos”, explica Rentes.

A Badwater, no Vale da Morte (EUA), que já foi ganha pelo português Carlos Sá, e a BR135+, no Brasil, ambas com a mesma distância, são a inspiração e estão na génese da PT281+. O percurso será percorrido com ajuda de GPS, não estando marcado. Será cada um por si e com os seus “demónios”.

 

Privação de sono

66 horas é o tempo limite para concluir a prova. Para além da exigência física e psicológica, os participantes terão de ser extremamente rigorosos na gestão do tempo e do esforço, residindo aqui, quiçá, a diferença entre concluir ou não. “O meu maior receio nesta prova é o de não chegar ao fim. Contudo, a privação de sono é um dos meus maiores receios, pois sinto que não estou pronto para enfrentar mais do que 40 horas sem dormir”, revela João Artur Tomaz.

Embora motivado e preparado, Bruno Rentes mostra-se cauteloso. “Estou sempre a pensar numa eventual lesão. É o meu maior receio, aquele que está sempre no inconsciente. É um fator externo que não consigo controlar e que poderá levar a uma desistência. No entanto, a confiança de que terminarei suprime todos esses receios. Não poderia arrancar para tamanho desafio se assim não fosse! As dúvidas podem inibir e influenciar negativamente o desempenho ao longo da prova”, termina.

 

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