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ALCÁÇOVAS — Feira do Chocalho voltou a ser um sucesso e afirma-se na região

Preservação da arte chocalheira continua a ser a missão da realização do certame

Património da Humanidade, a arte chocalheira voltou a projetar o saber fazer em mais uma edição da Feira do Chocalho em Alcáçovas. Com mais expositores, mais atrativos e a primeira mostra de agropecuária, a iniciativa acolheu muitos visitantes.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

26 Julho 2018 | Publicado : 17:14 (26/07/2018) | Actualizado: 17:18 (26/07/2018)

De salientar que esta edição foi igualmente marcada pela grande procura de chocalhos, o que levou os artesãos a afirmar que atualmente a procura é muito superior à oferta, deparando-se com falta de mão-de-obra e de quem queira aprender o ofício. O reconhecimento pela UNESCO e o interesse crescente da sociedade civil e dos visitantes por esta forma de arte tem ajudado, de acordo com o município, a contribuir para o desenvolvimento sustentável do concelho de Viana do Alentejo.

A arte de chocalhar, de produzir música com os chocalhos foi apresentada pelo grupo de Vila Verde de Ficalho que abriu mais uma edição deste certame.

Elegendo o chocalho como rei da festa, a iniciativa assentou na preservação e projeção deste património, como explicou o presidente da Câmara Municipal. Bernardino Bengalinha Pinto salientou que esta arte tem estado em grande desenvolvimento. “Os chocalheiros estão satisfeitos porque quando o município lhes faz uma encomenda, eles não têm para entregar de imediato, o que é bom porque conseguem escoar todo o produto”, frisou.

O autarca evidenciou que o concelho de Viana e a freguesia das Alcáçovas têm, com a realização deste evento “ajudado a que seja feita a preservação desta arte, do que é nosso, no fundo, da nossa identidade”.

Quanto à novidade desta edição, o autarca sublinhou que o executivo quis inovar e diversificar a oferta para que a feira tenha, cada vez mais, motivos de atração. “Quisemos dar um certo cariz de ruralidade e agricultura num concelho que é essencialmente agrícola e também porque queremos potenciar e valorizar um projeto -que também nos deu muito trabalho e que temos que agradecer muito ao Ministério da Agricultura e à EDIA - de rega do Alqueva, no âmbito do seu alargamento do perímetro do regadio”, adiantou.

Bernardino Bengalinha Pinto - presidente da Câmara Municipal de Viana do Alentejo

Bernardino Bengalinha Pinto afirmou que a Feira do Chocalho “não é uma feira grande, mas é uma grande feira”, acrescentando que o objetivo é que “as pessoas gostem da nossa feira que tentamos melhorar de ano para ano, tornando-a mais organizada e bonita. E temos conseguido, pois os expositores disseram que vão voltar novamente para o ano”.

Artesãos assumem que procura é maior do que a oferta, mas lamentam falta de mão-de-obra

Guilherme Maia da empresa “Chocalhos Pardalinho” considerou que esta feira “é um dos eventos mais importantes do concelho e da região”. O empresário reiterou a ideia de que a procura é muito superior à oferta e o exemplo disso é que a empresa tem vindo a crescer progressivamente. “A nossa empresa antes do reconhecimento pela UNESCO tinha duas ou três pessoas e hoje somos oito e, em breve, seremos dez. Vamos criar mais um posto de trabalho e vamos ter mais um formando”, anunciou. E adiantou: “Temos conseguido sustentar a arte, ou seja, temos muito trabalho, muitas encomendas. É maior a procura do que a oferta, o que tem sido bastante bom para a atividade. No entanto, não deixamos ninguém por atender, temos é que perceber por parte do cliente qual a urgência para a entrega do trabalho. Há clientes que querem para ontem e há outros que não se importam de esperar e nós vamos gerindo isso”.

Guilherme Maia classificou o chocalho como um dos principais motores de desenvolvimento do concelho, explicando que os clientes e os visitantes têm a oportunidade de ver o processo de fabrico. “Quem visitou esta feira pôde comprar um chocalho, uma lembrança, almoçou e visitou o Paço dos Henriques. Ou seja, o circuito está montado e ajuda a manter a arte que tem que ser sustentável”, sustentou.

Uma arte que Feliciano Sim-Sim quis assumir sozinho ao abrir o seu próprio negócio há cerca de quatro meses. O mais recente chocalheiro reafirmou também que a procura é muita e o exemplo disso é que não conseguiu ter nada em exposição neste certame porque não tinha material para expor.

“Os meus principais clientes são os feirantes que me compram e são depois eles que vendem nas feiras e nos mercados”, contou, lamentando que há muita falta de mão-de-obra, sendo difícil encontrar alguém que queira aprender a arte chocalheira.

 

 

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