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Arcebispo de Évora faz balanço dos dez anos à frente da Arquidiocese

D. José Alves afirma que “o desafio da missão é perpétuo” e é obra inacabada

Dez anos de pontificado estão a chegar ao fim para D. José Alves. O arcebispo de Évora afirma, em entrevista transmitida na Rádio Telefonia do Alentejo, que muito foi feito, mas ainda muito há que fazer ou continuar a concretizar.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

26 Julho 2018

Destaca que o espírito de missão deve ser reforçado, conseguindo cativar mais as crianças, os adolescentes e os jovens, para que estes sejam evangelizados e para, consequentemente, serem evangelizadores, dando seguimento à roda da vida da cristianização. D. José Alves elegeu como principal missão dos anos que esteve à frente da diocese precisamente a evangelização, justificando as visitas pastorais que realizou às 158 paróquias do Alentejo e Ribatejo. Tendo admitido a falta de presbíteros na diocese, considera, contudo que o clero de Évora tem sido muito generoso e muito dedicado. Quanto ao futuro, D. José Alves que vai cessar funções no dia 2 de setembro, data em que está prevista a ordenação de D. Francisco Senra como novo arcebispo de Évora, afirma continuar a estar disponível para fazer o que conseguir ou que lhe seja solicitado pela diocese “mais preza e mais estimo” no país.

“O desafio da missão é perpétuo”. A afirmação é do arcebispo de Évora ao fazer o balanço de uma década à frente da diocese de Évora. “A missão foi lançada por Jesus Cristo que mandou os apóstolos evangelizar e continua, através dos séculos, porque os evangelizados é que podem ser evangelizadores”, sustenta.

D. José Alves considera que o apelo da missão faz parte de ser cristão. É acolher o dom de Deus e partilhar com os outros os dons que recebemos, o dom da graça, da iluminação da fé, da convivência de uns com os outros na resposta evangélica do amor, transmitindo-se isto às gerações vindouras, dentro e fora do ambiente onde estamos integrados.

O arcebispo de Évora afirma que, durante este tempo, “muitas coisas procurámos fazer e muitas outras foram feitas, ou seja, embora reconheça que fizemos muito, temos a sensação de que falta fazer ainda muito”. A seu ver, toda a igreja eborense está estruturada e organizada e procura viver a sua fé e desenvolver as atividades específicas, em ordem a conseguir as finalidades que são próprias de cada instituição, como o Seminário e o Instituto Superior de Teologia.

O prelado lamenta, contudo, que os sacerdotes que se ordenaram são poucos relativamente aos que a diocese precisa. “Têm que desempenhar uma multiplicidade de funções que podiam ser realizadas por diáconos”, salienta. E acrescenta: “Há cada vez mais pessoas com uma formação aprofundada, não só porque têm muita fé e mais esclarecida, mas porque se tornaram colaboradores excelentes dos próprios sacerdotes”.

D. José Alves considera que a multiplicação das paróquias que lhe são entregues para garantir as celebrações dominicais e dos sacramentos, sobretudo no fim-de-semana, são desgastantes para os padres.

Arcebispo defende maior atenção para as famílias

e necessidade de maior evangelização junto da comunidade

O arcebispo lembra que outra das ideias que implementou foi o Dia Diocesano da Família ainda hoje se mantém com algumas alterações, com uma característica de ser um dia de oração, de peregrinação junto do santuário de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Viçosa. “A família é uma instituição charneira que merece o nosso cuidado, sobretudo agora que está a ser alvo de muitos ataques de vária ordem. Tem que ser acarinhada, aprofundada no seu sentido, enquanto vocação. Ser família cristã e católica”, frisa.

Parte integrante das famílias estão as crianças, os adolescentes e os jovens, considerando o alto representante da Igreja em Évora como uma das grandes preocupações. “É preciso evangelizar estas camadas da população para que se tornem evangelizadoras”, sublinha. Adianta que já estamos a assistir a um ressurgimento da juventude no sentido de aprofundamento da sua vida cristã. Assim, a diocese tem promovido o Dia Diocesano da Juventude, o encontro do bispo com as crianças e encontro dos alunos de Religião e Moral.

Outra conclusão que D. José Alves tira das visitas pastorais - um modelo que já vinha do arcebispo D. Maurílio e a que deu um cunho evangelizador e missionário - é a necessidade de não esquecer os idosos. “O Alentejo vai morrendo aos poucos, está a diminuir de população, as pessoas estão a envelhecer, está a caminhar para um deserto social com falta de crianças, jovens e casais mais novos. Isto leva-nos a adotar uma pastoral para a terceira idade como missão sócio caritativa no Alentejo”, justifica.

“Diocese de Évora é a que mais prezo e mais estimo”

e “fica bem entregue a D. Francisco”

A arquidiocese fica bem entregue? D. José Alves garante que sim. “Está fora de dúvida que a diocese fica bem entregue por várias razões. D. Francisco foi formado nesta diocese, foi pároco durante 28 anos na paróquia maior de Évora e deu provas de ser um homem verdadeiramente da Igreja, um homem de Deus e um obreiro incansável porque de um simples bairro fez uma paróquia, construiu uma igreja, um centro social paroquial e um centro de apoio à juventude”, opina.

A experiência que adquiriu como bispo auxiliar de Braga é vista como uma mais-valia para a diocese de Évora, acrescentando que é um homem de 57 anos que tem ainda muitos anos pela frente para exercer o ministério episcopal.

Quanto ao futuro e após jubilar-se, D. José Alves assevera que continuará a sentir “este carinho, este amor e a estar disponível para fazer o que conseguir ou me for solicitado pela diocese porque afinal foi a ela que me dediquei de alma e coração, porque foi nela que me formei e porque é a diocese que eu mais prezo e mais e estimo”.

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