Diario do Sul
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Recital de piano no Convento do Espinheiro dia 15 de Agosto

‘Appassionata’ no Espinheiro

Neste magnificente cenário do claustro do Convento do Espinheiro, um monumento visto como um dos pontos fulcrais da antiga Ordem de São Jerónimo, a ordem monacal contemplativa que remonta à Itália do século XIV, escutaremos hoje um repertório que goza de extraordinário prestígio.

Autor :Redação

30 Julho 2018 | Publicado : 15:33 (30/07/2018) | Actualizado: 16:00 (30/07/2018)

Preservando a sonoridade cristalina do piano, a Steinway, a marca de referência por excelência, continua a fabricar instrumentos como este, o Steinway Grand Modelo D que aqui vemos hoje, uma obra-prima de poder e de sonoridades argentinas, capaz de produzir efeitos harmónicos perfeitos, o instrumento em que serão tocadas a sonata de Beethoven e quatro tangos de Piazzolla, obras eleitas por se encontrarem sob o signo da paixão musical.

Na prática, é impossível explicar a natureza da mensagem da música por  meio de palavras. A música significa coisas diferentes para pessoas diferentes e, às vezes, até significa coisas diferentes para a mesma pessoa em momentos diferentes da sua vida. Beethoven libertou a música das convenções de harmonia e de estrutura que tinham prevalecido até à sua época. Pensou a música de forma livre e a única característica humana que não está contida na sua música é a da superficialidade. Beethoven exige a todos os pianistas que mostrem o seu valor, que não tenham medo de se aproximar da beira do precipício, obrigando-os a encontrar “a linha de maior resistência”, como escreveu Schnabel. Editada em 1807, a ‘Appassionata’ simboliza as forças destrutivas da Natureza, indiferente ao sofrimento humano. Na obra de Beethoven, este é um daqueles raros momentos em que o destino triunfa. Schindler recorda que Beethoven comentou como se encontrava sob a influência de ‘A Tempestade’, a peça de Shakespeare em que todos os humanos, tanto reis como súbditos, estão à mercê da ira cega dos elementos. É inevitável o sofrimento humano mas vale a pena lutar corajosamente contra ele!
Para a segunda parte, a eleição recaiu em ‘Quatro Estaciones Porteñas’ com tangos que Piazzolla compôs entre 1969 e 1970, uma época próxima da famosa ‘Balada para um louco’. O genial e prolífico compositor teve de suportar a incompreensão do universo ortodoxo a partir do qual surgiu a sua obra, o do tango, que considerou as suas peças como um fiasco por lhes faltar ‘pureza’.
Escutemos então a força libertadora de uma música que nos chega da Argentina!


Filipe Pinto-Ribeiro?
Um dos músicos portugueses de maior prestígio nacional e internacional, Pinto- Ribeiro é considerado um ‘poeta do piano’ e as suas interpretações musicais, caraterizadas por profunda emoção e intelectualidade, são reconhecidas como ímpares pelo público e pela crítica especializada. Nasceu no Porto e, após estudos em diversos países, foi discípulo de Lyudmila Roshchina no Conservatório Tchaikovsky de Moscovo, onde se doutorou em 2000 com as mais elevadas classificações, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Desenvolve uma intensa atividade solística e camerística, abrangendo um vasto repertório que se estende do Barroco até aos nossos dias. É frequentemente convidado como solista pelas principais orquestras de Portugal e de outros países, como a Rússia, Espanha, Bélgica, Eslováquia, Cuba e Arménia, tendo colaborado com os maestros John Nelson, Dmitri Liss, Emilio Pomàrico, Mikhail Agrest, Charles Olivieri-Munroe, Peter Tilling, Boguslaw Dawidow, Rengim Gökmen, Marc Tardue e Misha Rachlevsky, entre outros. Para além da sua intensa atividade concertística, foi professor de piano durante a última década em várias universidades portuguesas e orienta frequentemente Masterclasses, em Portugal e no estrangeiro. Apaixonado pela música de câmara, tem-se apresentado em parceria com os maiores nomes do panorama internacional como José van Dam, Gary Hoffman, Renaud Capuçon, Corey Cerovsek, Gérard Caussé, Benjamin Schmid, Lars Anders Tomter, Michel Portal, Adrian Brendel, Jack Liebeck, Christian Poltéra, Isabel Charisius, Pascal Moraguès, Eldar Nebolsin e Anna
Samuil. É o diretor artístico do DSCH - Schostakovich Ensemble que fundou em 2006. Na sua discografia mais recente, destacam-se duas gravações sob a égide da Paraty/Harmonia Mundi, ‘Piano Seasons’ (2015) com obras de Tchaikovsky, Piazzolla e Eurico Carrapatoso e o novíssimo ‘Shostakovich’ com a Integral das obras de câmara para piano e instrumentos de cordas. É frequentemente solicitado como diretor artístico de vários projetos, destacando-se em 2018 o do festival ‘Verão Clássico’ em Lisboa e em Bragança. Filipe Pinto-Ribeiro é um
Steinway Artist.


Patrocinadores:
Ministério da Cultura
Direção Geral das Artes
Pianos Steinway.
Piano Hinves
Shostakovitch Ensemble

Programa

Ludwig van Beethoven (1770-1827)
Sonata nº 23 opus 57, ‘Appassionata’
I. Allegro assai
II. Andante con moto
III. Allegro, ma non troppo
(25 minutos)
Astor Piazzolla (1921-1992)
Quatro Estações de Buenos Aires*
I. Verão
II. Outono
III. Inverno
IV. Primavera
(26 minutos)
* arranjo para o piano de Marcelo Nisinman
Duração do recital: 55 minutos aproximadamente.
Espetáculo sem intervalo.

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