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Autarca de Cuba revoltado após avaria da automotora

"CP já trata cidadãos do Baixo Alentejo como se fossem de terceira categoria"

A gota de água foi a recente avaria de uma automotora que obrigou os passageiros com destino a Vila Nova da Baronia, Cuba e Beja a serem assistidos pelos bombeiros e pela GNR.

Autor :Roberto Dores

16 Agosto 2018

Já há dois anos que a Câmara de Cuba vinha protestando contra a falta de condições da ferrovia e do material circulante, mas a avaria da "princesinha", como é conhecida a automotora, fez acionar o alerta vermelho por parte do município alentejano. O presidente da Câmara de Cuba, João Português, anuncia que vai avançar com uma exposição do assunto junto primeiro-ministro e do respetivo Ministério dos Transportes, estendendo queixas "aos demais órgãos políticos de soberania". O edil reclama "soluções concretas e urgentes."
Para a autarquia de Cuba, a referida situação "é lamentável e evidencia bem o estado a que chegaram os caminhos-de-ferro portugueses, vítimas do desinvestimento de sucessivos Governos", considerando por isso imperativo "voltar a olhar com prioridade para este meio de transporte, quer por forma a potenciar o desenvolvimento socioeconómico da região, quer por forma a garantir, de uma vez por todas, a segurança e qualidade do serviço do transporte ferroviário no Alentejo".
O presidente da Câmara diz que esta reclamação não é das últimas horas ou dos últimos meses. "Há cerca de dois anos que começou a troca de correspondência com Ministério dos Transportes e com a própria empresa. Já pedimos também audiências ao Presidente da República e primeiro-ministro, que estão ainda sem resposta. Já reunimos com os grupos parlamentares e com todos os partidos políticos da Comissão de Transportes e Economia. Não temos estado parados", insiste João Portugal.
O autarca lamenta as "constantes falhas nos comboios e constantes atrasos", criticando o estado degradante a que chegaram as matérias circulantes. "Neste momento temos composições que circulam na vila com mais de 60 anos. Claro que além de em nada prestigiarem os transportes públicos que temos, também não beneficiam o serviço público que se quer para a CP", refere.
O autarca retoma o caso da avaria da automotora a 3 de agosto para garantir que "atingimos o limite". Diz que não foi a primeira vez que aconteceu, mas agora foi ainda mais grave por ter ocorrido durante a noite. "Os passageiros ficaram fechados com crianças, numa situação que nada dignifica  a vida humana", justifica.
Para o edil, é tempo de agir sem olhar para trás. "Os políticos não podem estar acomodados. Temos sido brandos nas nossas reivindicações, mas acho que chegou a altura de sermos mais reivindicativos. Não podemos já dizer apenas que vamos tentar reunir. Temos que exigir mesmo, porque foi para isso que fomos eleitos", alerta João Portugal, que ambiciona "dar boas condições às pessoas para utilizarem os comboios da CP.
"Estamos a falar de um serviço que é público, prestado por uma empresa pública, tutelada pelo Governo, e que tem a obrigação de prestar serviço a todas as populações como de ser", insiste João Portugal, lamentando que aos dias de hoje a CP trate os utentes do Litoral como sendo de primeira e os do Interior como sendo de segunda. " No caso do Baixo Alentejo já trata os cidadãos  como se fossem de terceira categoria. Isto não pode continuar", resume.
 
 
 
 

 
 
 

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