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Temperaturas acima de 45 graus

Calor queimou uva nas vinhas de Borba e deixa rasto de prejuízo até aos 15%

O cenário repete-se entre alguns dos mais de 2 mil hectares de vinha no concelho de Borba. As uvas estão escaldadas, com vários cachos completamente destruídos por causa da vaga de calor que durou cinco dias, com temperaturas na casa dos 45 graus.

Autor :Roberto Dores

16 Agosto 2018

Segundo uma primeira estimativa feita pelo viticultor da Adega de Borba, Luís Gaspar, o prejuízo rondará os 15%, o que poderá representar uma redução de um milhão e meio de garrafas de vinho, traduzindo uma queda de 16,5 milhões para 15 milhões. 
"Seria um ano bom, caso se confirmassem as 16,5 milhões de garrafas, mas com esta onda de calor passa a ser um ano médio", sublinha Luís Gaspar, numa altura em que os associados da adega - que garantem nunca ter visto nada assim - já preparam pedidos de indemnização às respetivas seguradoras.
"Mais do que escaldadas, estas uvas foram alvo de uma insolação, na sequência de temperaturas tão altas, que chegaram de repente. Pensamos que vai ser possível ter acesso a indemnizações", admite, alertando, precisamente, para a diferença entre a insolação e uvas escaldadas.
"O escaldão - muito conhecido nas vinhas alentejanas - surge com temperaturas elevadas. Há uma incidência dessas temperaturas no cacho que leva os bagos a secar, mas nunca é nada muito significativo. Neste caso, foi um calor extremo, com temperaturas muito altas que provocaram uma insolação intensa nos bagos, fazendo com que ficassem completamente cozidos, levando à perda de parte da produção", resume Luís Gaspar.
O viticultor mostra ao Diário do Sul casos de cachos perdidos a 50%, o que ainda permite aproveitar alguma coisa, havendo outros cachos que estão totalmente queimados. "Estes não vão para lado nenhum. Morreram simplesmente, não há nada a a fazer", confirma.
O intenso calor foi, sobretudo, fatal para as vinhas mais velhas, com menos defesas ao nível da vegetação. "Há cachos que estão totalmente expostos ao sol, sem qualquer defesa", atesta Luís Gaspar, admitindo os técnicos que nestes casos não havia nada a fazer para prevenir os efeitos das altas temperaturas. 
"Na adega limitámo-nos a aconselhar os sócios a intensificarem a rega nos dias que antecederam a vaga de calor, assim que fomos confrontados com as previsões do tempo", avança, acrescentando que no mercado já há produtos à venda, mas sem garantia de sucesso.
Por todo o Alentejo há queixas do calor entre os viticultores, existindo mesmo situações de vinhas mais novas que exibem a vegetação queimada. A produção deste ano está perdida, mas as videiras vão resistir e voltar a erguer-se para 2019. 
Além das uvas, as altas temperaturas dos últimos dias também afetaram outro tipo de fruta, sobretudo maçãs e peras. O presidente da Portugal Fresh, Gonçalo Andrade, diz que a Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal está a fazer um levantamento dos prejuízos, mas depois de uma primavera atípica, que atrasou as produções este calor estragou fruta que estava quase pronta para ser colhida.

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