Diario do Sul
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Rodoviária

A queixa maioritária é a falta de bancos no exterior

Muito se tem ouvido falar das más condições da CP, mas e da rodoviária de Évora? Fomos tentar perceber o que as pessoas pensam acerca das condições.

Autor :Leonor Centeno

23 Agosto 2018 | Publicado : 15:31 (23/08/2018) | Actualizado: 15:36 (23/08/2018)

A caminho da rodoviária ouvem-se as rodinhas das malas rasparem pelo chão com a calçada incerta. Algumas das rodinhas já estão deformadas e a mala já nem desliza como da primeira vez. José Torres, que mora no Algarve mas estuda em Évora, diz que "este chão estraga as malas completamente". Já viajou por vários sítios, mas nunca a sua mala ficou como agora desde que veio para o Alentejo. Como este estudante existem muitos outros que se queixam do difícil acesso e da calçada até à rodoviária. Mas as queixas não se resumem apenas ao chão e as pessoas apesar de caladas têm opiniões fortes sobre as condições em que a rodoviária se encontra.


Ao chegar ao local, onde os autocarros estão estacionados, rapidamente se avistam pessoas sem lugar para sentar no exterior. Maria Gracinda é uma senhora cuja idade já pesa e com problemas de saúde visíveis. De pé, apoiada nas duas muletas, queixa-se da falta de bancos no exterior. "Em relação aos autocarros não tenho queixa, mas falta uns banquinhos para a gente sentar. Se estamos lá dentro podemos não ver os autocarros a chegar e acabamos por perder a viagem", diz incomodada. Ao lado de Maria Gracinda encontra-se Filipa, sentada num carrinho para carregar malas, acompanhada por familiares. "Isto assim é difícil. Não temos bancos cá fora e temos que estar assim no chão e nestes sítios sentadas", afirma revoltada. Mas Filipa continua com as queixas e afirma que não entende porque é que se tem de pagar para ir à casa de banho quando antes não era necessário. "São necessidades básicas, não entendo isto de se pagar para ir ao WC. Imagine que não tenho comigo o dinheiro e estou aflita vou fazer onde? Na rua?", reclama. Quando pensei que já tinha dito tudo, faz-me sinal e remata "olhe acrescente aí que também não percebo porque é que às sextas temos que pagar mais oitenta cêntimos nos bilhetes de autocarro". Perto de Filipa estava Carlos, um rapaz apoiado numa muleta, de pé e com feições de quem estava a sofrer com algumas dores. "A minha maior queixa é a falta de bancos no exterior. Eu não sou de cá, só venho aqui de vez em quando, mas tenho pena que não haja porque faz falta", diz. Questionado sobre o que pensava de ter que pagar para ir à casa de banho, Carlos mudou de postura e de repente passou de calmo a irritado. "No outro dia fui obrigado a ter de ir atrás de um autocarro fazer chichi porque não tinha uma moeda comigo. Isto não se faz", afirmou indignado. No final da conversa, chegou um autocarro que veio de Lisboa. Matilde Magalhães, de 18 anos, não é de Évora mas quis dar a sua opinião sobre o assunto. “Não posso falar muito das condições da rodoviária mas o que mais me custa é, muitas vezes, pagar por um serviço que diz ser de qualidade e não é. Por exemplo, dizem que temos wifi mas está sempre com problemas e a ir a baixo. E os autocarros atrasam-se imensas vezes, nunca chegamos a hora aos locais”, afirma Matilde. A mala da jovem está com as rodas desfeitas e custa a arrastar. “O meu pai se me vê a arrastar a mala mata-me! Está sempre a avisar que tenho pegar nela senão aqui em Évora fico sem rodas”, ri-se em tom irónico. Perto de Matilde está um senhor de bengala curvo e sem conseguir andar normalmente. À medida que se arrastava para a sombra questionei sobre o que pensava acerca das condições da rodoviária e a resposta foi a mesma que muitos deram, a “falta de bancos”. “Custa-me muito não terem bancos cá fora. A menina se soubesse a quantidade de vezes que tenho que sair de lá de dentro para espreitar cá fora se já chegou o autocarro… E sofro muito das minhas costas para andar aqui sem lugar para sentar no exterior”, diz. O senhor com uma idade já avançada não quis revelar o nome mas aceitou ser entrevistado e até gostou de expor os problemas por achar que com isto pudesse surtir algum efeito positivo e trazer melhorias. “A casa de banho é outro problema. Aqui tenho que pagar vinte cêntimos para ir e não faz sentido porque sou uma pessoa doente e preciso ir mais vezes que uma pessoa normal”, diz entristecido. Apesar de não se identificar continuo a reclamar com a falta de condições e com o facto de não entender porque é que em Lisboa e noutros sítios se pagava cinquenta cêntimos para ir à casa de banho e em Évora vinte cêntimos. “Não entendo mas também prefiro que se é para pagar que seja menos”, rematou.
Ainda assim apesar de muitos terem reclamado, houve um senhor que não quis ser entrevistado por afirmar que as condições anteriores em que a rodoviária se encontrava eram piores e hoje melhoraram significativamente. “As coisas melhoraram muito em comparação ao que estava. Por isso, não me queixo”.

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