Diario do Sul
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Revolução (no) Digital - Uma Visão Holística

Transformação Exige Mentalidade Digital

Pessoas, organizações, empresas, regiões e países têm pela frente um desafio digital que permeará, praticamente, todos os aspetos da vida moderna. Da educação ao desempenho profissional, da educação à saúde, da indústria ao campo, a tecnologia em Tudo toca e em Todos impacta. Lidar com essa onda implica primeiro estar preparados, saber mais sobre ela, procurar prever onde há mais oportunidades de liderança para cada área e sector da sociedade e da economia.

Autor :Ricardo Vidigal da Silva - Curador e Evangelizador de Estratégias Digital Bimodal

01 Outubro 2018 | Publicado : 17:35 (01/10/2018) | Actualizado: 16:49 (02/10/2018)

Neste momento assistimos a uma extraordinária confluência de três grandes tendências. A primeira, é o progresso tecnológico que está a acontecer a um ritmo muito acelerado. A segunda, diz respeito à existência de uma nova geração de jovens nativos ou adotando (e já não conseguindo saber o que é vida sem essas) tecnologias. Terceira, encontramo-nos perante emergentes e disruptivos novos modelos de negócios potenciados pela Indústria 4.0.

Assim, a transformação digital, refere-se à forma que permite usar tecnologias para criar novos modelos de negócio interessantes, que se adaptem às expetativas das gerações emergentes, com resposta mais eficiente às necessidades das pessoas, das populações, das regiões e dos países. Existem pessoas, organizações, empresas, regiões e países com melhor preparação e mais evoluídos, como podemos verificar (e iremos analisar num futuro post) no recente publicado Índice Global de Inovação (IGI) lançado anualmente pela Universidade de Cornell dos USA, Escola de Negócios Insead e Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), onde Portugal apresenta, efetivamente, boas performances. Mas, ainda assim, apresenta um longo caminho de mudança a percorrer no caminho da Revolução 5.0, que será a que virá depois (de “assentar a poeira”) da Indústria 4.0.

Mudança é sempre um processo de inovação, na medida em que cria novos modelos de negócio, para os quais precisamos de olhar para a organização, na sua globalidade, para aspetos fundamentais dos nosso produtos, dos nosso serviços, dos processos, formas de interação com os nossos Clientes e com os nossos parceiros no ecossistema global. Quando a tecnologia é o meio e o driver de potenciar essa inovação, temos pela frente o grande e importante desafio decriar uma cultura e uma mentalidade digital nas organizações.

É evidente que as Universidades e os Politécnicos têm um papel importante e fundamental na criação e desenvolvimento de competências e mentalidadespara dar resposta a estes desafios tecnológicos, mas, certamente, num modelo diferente do passado, que exige uma ação mais integrada e colaborativa, com empresas e com redes e plataformas nacionais e internacionais (cenário, que no caso do Alentejo abordarei numa futura edição). Contudo, também as organizações, as empresas e os negócios terão de dar um passo decisivo na direção e criação dessa mentalidade, sob pena de se ver excluídos dos mercados, e ultrapassados com novos modelos e novas formas de aceder e fornecer produtos e serviços.

Enquadram-se neste contexto, as competências e habilidades digitais necessárias que permitam prever o futuro e fazer as perguntas certas! Nessas habilidades incluem-se a Liderança digital, fundamental para se ser capaz de executar essas mesmas mudanças, pois trata-se de um fator fundamental desta equação (igualmente pretendo analisar e refletir este tópico numa futura edição).

Como referi as novas tecnologias estão a afetar todos os campos e áreas da sociedade e da economia, quer seja na agricultura, na energia, nos transportes e mobilidade, como na aeronáutica, na automobilística, etc; quer nos serviços, na educação e na saúde, impactando em praticamente todos os sectores. Os desafios principais que se colocam a Portugal e, em particular ao Alentejo, será conseguir selecionar as áreas onde, tradicionalmente, temos força e competências fortes e onde sentimos que de facto, podemos definir os impactos da tecnologia na indústria e focarmo-nos na liderança em conjunto com os melhores centros de investigação e empresas dessas áreas.
A tecnologia existe e está disponível quase de uma forma universal, a questão é ter capacidade para a colocar ao serviço da inovação e do melhor e mais rápido uso. Para isso é necessário, que as Universidades e Politécnicos façam o papel que se lhes é solicitado, isto é, o da criação de competências úteis e necessárias, alinhadas com essa seleção, onde nesta fase as áreas de Engenharia, e em particular as de Informática de Equipamentos Energéticossão críticas e fundamentais! No entanto, é necessário que participem em programas e plataformas, ou ecossistemas de colaboração e de aceleração global que conectam empresas, startups, parceiros corporativos e investidores de todo o mundo.
Esta é a melhor forma de não estarmos a inventar a roda como na Indústria 1.0 (e desenvolver trabalhos que não servem para mais nada, a não ser para estimularo ego das Pessoas e das Instituições), mas sim aproveitar o turbilhão do movimento tecnológico e, tirar o melhor proveito de exploração e uso da tecnologia e, como detentores do melhor que a tecnologia precisa e se alimenta, que são os dados, potenciar o seu  know-how técnico e especializado.
Voltarei a esta reflexão, mas neste regresso à Vida no Digital, deixo alguns clusters de inovação em que nos deveremos focar, os quais me parecem fundamentais para a liderança, tendo em conta as caraterísticas da região Alentejo:

- Agrotech – agricultura (no) digital, a potência agrícola é bastante conhecida, deu-se o abandono das terras, pelas distâncias, ausências de atrativos e de vida, mas o potencial resultante da dimensão do território, pelo uso de tecnologias, interagindo permanentemente com a recolha e controle de dados e informação, automações, com tecnologias IoT (Internet das Coisas), IA (Inteligência Artificial) permitirá melhorar as condições de desenvolvimento de produtos, de mais e melhor qualidade, a um preço mais competitivo e com fortes contributos para o ambiente e desenvolvimento sustentável.

- Healthtech -  saúde (no) digital – a população envelhecida, a pouca concentração de pessoas, a otimização de meios, face a custos de pessoal especializado, nada mais justifica de que estar no Centro das Inovações tecnológicas e uso de tecnologia de ponta na Saúde, que vão deste a perspetiva preventiva, com inserção de chips internos de acompanhamento e monitorização da saúde, ao uso de robots e tecnologias de diagnóstico e despiste bem como em operações hospitalares, suportados em tecnologias de Inteligência Artificial, machine learning, etc,.  A construção de um novo Hospital Distrital Central no Alentejo, mais justifica ser dotado de um Centro de Inovação em Tecnologias da Saúde, que tenha a oportunidade de desenvolver parcerias em ecossistemas nacionais e internacionais e implementar essas mesmas tecnologias em diferentes soluções e necessidades não atendidas e que permita melhorar a capacidade de apoiarstartups portuguesas, que pretendem envolver-se em mercados globais, atraindo demais empreendedores globais que queiram trazer a sua originalidade para o sistema de saúde português.
- Energytech - Energia (no) Solar – as caraterísticas climáticas e os imensos dias de Sol do Alentejo, tem um potencial para não só para modernas centrais solares de produção de energia, mas igualmente para aproveitar as mesmas para alimentar e desenvolver cadeias e tecnologias de Blockchain.

Outros sectores, poderia aqui referir, como o do Turismo, da Logística e de Mobilidade Geográficas, onde o Cluster da Aeronáutica e a Linha de Comboio de Alta Velocidade, são fundamentais para o futuro e para a liderança da região que poderá tirar partido do potencial tecnológico emergente por forma atornar-nos mais fortes nesses sectores onde o Alentejo já tem excelência.

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