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Autarca de Viana do Alentejo pede ajuda ao Governo

“Falam em defender o Interior mas até deixam fechar os CTT”

A notícia que dá conta do encerramento de vários postos dos CTT no Alentejo está a lançar a preocupação entre autarcas e habitantes da região. O presidente da câmara de Viana do Alentejo vem a terreiro lamentar que os discursos políticos admitam a importância de dinamizar o Interior e promover o seu repovoamento, “mas, na prática, deixamos isto correr comos accionistas do CTT a fazerem o que querem”.

Autor :Roberto Dores

19 Outubro 2018

O autarca Bernardino Bengalinha Pinto revela já ter escrito – em março – ao secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme d´ Oliveira Martins, solicitando a intervenção do Governo no processo de reestruturação dos CTT, que prevê encerramento do posto de Viana, lamentando que até à data não tenha obtido qualquer resposta da tutela.

“Não percebemos porque não nos dizem nada, para sabermos se é possível fazer alguma coisa. A câmara pouco mais pode fazer do que falar com as várias entidades. Aguardamos respostas mas não atiramos a toalha ao chão”, sustenta Bengalinha Pinto, receando que o plano de reestruturação os CTT seja irreversível. “É um assunto que tem de ser tratado ao mais alto nível”, acrescenta o edil, para quem o Governo “tem de exigir o que for possível”, insistindo tratar-se de um assunto “essencial” para o Interior. “Falam em defender o Interior, mas chegamos a ponto em que até deixam fechar os CTT. Isto é uma péssima notícia para as pessoas que aqui vivem”.

Viana do Alentejo é apenas um dos concelhos afectados pelo plano de reestruturação dos CTT que também atinge os concelhos de Alvito, Vidigueira, Almodôvar, Barrancos, numa altura em que Cuba também está em risco, segundo o Sindicato Nacional dos Trabalhadores Correios e Telecomunicações, para quem “o Alentejo e os alentejanos estão debaixo do fogo cerrado da gestão dos CTT, que lhes encerra estações de correio a eito, porque os que ali vivem são poucos e, aparentemente, tão pobres, que nem um balcão do Banco CTT merecem”, sublinha o sindicato.

A mesma estrutura sindical lamenta ainda que a administração dos CTT feche os postos alentejanos sem dar explicações às câmaras, Governo e à própria ANACOM – Autoridade Nacional de Comunicações e do Governo, adjectivando mesmo de “confrangedor” o que considera ser o “silêncio e consentimento” do Governo e da ANACOM. “Calando-se dão o seu consentimento tácito”, diz, concluindo que a empresa se sente “à vontade para contribuir ativamente para o agudizar da desertificação das terras alentejanas”.

Na sua versão oficial os CTT garantem estar  permanentemente “a analisar os fluxos de procura pelas populações relativamente aos serviços postais e evoluem para a solução mais adequada tendo em conta a conveniência, as necessidades de serviços, a disponibilidade horária e outros critérios relevantes, em articulação com as autoridades locais”. Diz ainda a empresa que tem vindo a “reforçar os pontos de acesso por todo o país, garantindo que as necessidades dos clientes estão asseguradas.”

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