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Coordenador da Unidade de Salvamento Aquático de Portalegre

"Não há condições de segurança para continuarmos a mergulhar na pedreira"

Os mergulhadores da Unidade de Salvamento Aquático do Distrito de Portalegre (USADP) regressaram a casa devido ao risco de derrocada da escarpa na pedreira de Borba e não sabem quando poderão voltar a entrar no poço ou, até mesmo, se haverá necessidade de se mobilizarem mais uma vez para o teatro de operações.

Autor :Roberto Dores

28 Novembro 2018

Quase com uma semana de trabalho em torno do resgate na pedreira, o coordenador da USADP, Simão Velez, não tem dúvidas em considerar o poço como um "dos piores cenários que os mergulhadores já encontraram" ao longo de todos estes anos de serviço. Confirmaram as dificuldades admitidas logo à chegada da equipa de mergulhadores à pedreira, que alertavam para ações subaquáticas "bastante complexas e de elevada dificuldade", devido às irregularidades do terreno e à profundidade do poço.
Ou seja, explicou, "além de uma profundidade variável, há imensos objetos e de grande dimensão, com carros", o que representa riscos acrescidos e dificuldades para os mergulhadores, que se debateram ainda com uma água muito barrenta o que representou um obstáculo à visibilidade.
Domingo o cenário agravou-se. "A última monitorização feita à escarpa pelos técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) alertou para a instabilidade no terreno e ameaça de novo desabamento. A chuva intensa que caiu na região complicou ainda mais a nossa tarefa e aumentou essa instabilidade na pedreira", disse Simão Velez.
O mesmo coordenador revelou ao Diário do Sul que a informação sobre a monitorização do LNEC, dando conta da instabilidade da escarpa, foi fornecida pelo comandante de operações de socorro, tendo o LNEC reportado a existência de uma "massa de terra com elevada probabilidade de cair" como consequência da precipitação do fim de semana.
Ou seja, os mergulhadores deixaram de "ter reunidas as condições mínimas para continuarem os mergulhos", avançou ontem ao Diário do Sul Simão Velez, que é simultaneamente o comandante dos Bombeiros de Ponte de Sor.
Diz o mesmo responsável que todos os cuidados são necessários para evitar acidentes com os operacionais face à complexidade das operações de resgate, pelo que as recomendações dos técnicos do LNEC foram levadas "muito a sério" pelas equipas de mergulho que têm estado no teatro de operações.
Além da USADP, também têm participado elementos da GNR e Força Especial de Bombeiros. A unidade de Portalegre envolve diferentes corpos de bombeiros do distrito, tendo sido projetados cinco a seis mergulhadores por dia entre os 24 operacionais das diferentes especialidades desta unidade que estiveram em Borba.
No poço - numa zona de difícil acesso - vão continuar a decorrer as buscas para encontrar mais três vítimas mortais e duas viaturas, com recurso à drenagem de água para uma ribeira ali próxima, com recurso a quatro motobombas, e ações de busca, mantendo-se no local elementos da Marinha, do Instituto Hidrográfico e da GNR.
Para o comandante distrital de Operações de Socorro (CODIS) de Évora, José Ribeiro, as expetativas em torno da operação devem ser "moderadas" para os próximos dias, garantindo que o empenho dos operacionais vai continuar, numa altura em que as autoridades desconhecem ainda a localização das duas viaturas que foram arrastadas para esta pedreira na sequência do colapso da estrada.

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