Diario do Sul

Em parceria com a Unidade de Saúde Pública do ACES do Alentejo Central

Conversas sobre a deficiência, o tango, o voluntariado e o Natal em destaque na RTA

Os dias internacionais da deficiência, do tango e do voluntariado, a par do Natal, foram as temáticas abordadas na edição de dezembro do programa emitido na Rádio Telefonia do Alentejo (RTA), feito em parceria com a Unidade de Saúde Pública (USP) do Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) do Alentejo Central.

Autor :Marina Pardal

08 Janeiro 2019

Para falar destes temas, contámos com a presença do médico de saúde pública Augusto Santana Brito, da médica
interna de saúde pública Vera Pessoa e das enfermeiras Rita Leão e Maria Conceição Pimenta.
Foi a 3 de dezembro que se assinalou o Dia Internacional da Deficiência, tendo sido esta a escolha da enfermeira
Rita Leão.
Destacou que “esta celebração realiza-se desde 1998, ano em que a Organização das Nações Unidas (ONU)
avançou com a convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência”, constatando que “a data tem como
principal finalidade sublinhar a necessidade de uma maior atenção por parte da sociedade civil e do poder político
para os assuntos relacionados com a deficiência”.
A enfermeira sublinhou que “pretende também mobilizar a sociedade civil e as entidades com poder para se
mobilizarem em torno da defesa da dignidade, dos direitos e do bem-estar das pessoas”, apontando que “entre
estes direitos está a integração das pessoas com deficiência na vida política, social, económica e cultural”.
Relativamente a dados sobre esta realidade no nosso país, Rita Leão adiantou que, “segundo a publicação
'Estatísticas sobre Deficiências ou Incapacidades', existem em Portugal 980 mil pessoas que não conseguem
andar ou subir escadas, além de 27 659 pessoas que não conseguem ver ou 26 860 que não conseguem ouvir”.
Para além disso, “há 68 029 pessoas que não conseguem compreender os outros ou fazer-se compreender e
quase 30 mil têm muita dificuldade em tomar banho ou vestir-se sozinhos”.
Na sua perspetiva, “a deficiência não é mais uma característica da pessoa, mas sim da sociedade, que não
consegue se adaptar e permitir que todos exerçam os seus direitos e deveres com o maior grau de autonomia
possível e em condições de igualdade com os demais”, considerando que “o problema está na sociedade, que não
possui os meios, serviços e instrumentos adequados para que todas as pessoas sejam consideradas incluídas”.
Para a mesma enfermeira, “a sociedade deveria proporcionar e promover a inclusão social e profissional das
pessoas com deficiência, demonstrando que a deficiência não pode ser vista como uma barreira social e que é
necessário eliminar a desigualdade”.
Por sua vez, o médico de saúde pública Augusto Santana Brito deu nota do Dia Internacional do Tango, celebrado
a 11 de dezembro, “em homenagem a dois dos seus maiores criadores, nascidos nesta data: Carlos Gardel,
cantor, e Julio de Caro, compositor”.
Recordou que “a origem do tango encontra-se na área de Rio da Prata, na América do Sul, nas cidades de Buenos
Aires e Montevidéu”, lembrando, contudo, que “a música do tango não tem uma origem muito clara”.
O mesmo médico evidenciou que “o tango foi considerado Património Oral e Imaterial da Humanidade pela
UNESCO, a 30 de setembro de 2009”.
De acordo com Augusto Santana Brito, “dançar tango pode ajudar na capacidade de concentração, melhora a
capacidade de trabalhar em grupo e o sentido de equilíbrio”, focando que “quem dança tango liberta energia na
forma de autoconfiança, estilo e capacidade de organização, assim como criatividade”.
Disse ainda que “o tango é uma atividade física, podendo assim ajudá-lo a ter um coração saudável e a prevenir
as doenças cardiovasculares”, reforçando que “a dedicação à prática de qualquer dança pode melhorar
significativamente a sua saúde, ao mesmo tempo que ajuda à socialização”.
Outro tema em destaque foi o Dia Internacional do Voluntariado, comemorado a 5 de dezembro “com o principal
objetivo de sensibilizar e incentivar a sociedade civil a dar visibilidade e a valorizar o trabalho realizado por todos
os voluntários que existem a nível mundial e que, diariamente e de forma não remunerada, apoiam a comunidade
onde se encontram inseridos”, referiu a médica interna de saúde pública Vera Pessoa.
Salientou que “a celebração desta data foi proclamada pela ONU em dezembro de 1985 e, segundo esta mesma
organização: 'voluntário é o jovem ou o adulto que, devido ao seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico,
dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de
bem-estar social ou outros campos'".
No que diz respeito ao voluntariado no nosso país, a médica mencionou que, “em Portugal, o voluntariado tem
vindo a aumentar, tanto ao nível das organizações que o promovem, como ao nível da quantidade de voluntários
existentes”, alertando que, “no entanto, o número de voluntários no nosso país é ainda considerado reduzido,
quando comparado à média europeia”.
Na sua opinião, “o voluntariado é um ato de cidadania que se está a tornar cada vez mais uma componente
importante no percurso de vida das pessoas e que contribui, não só para reduzir as desigualdades sociais, mas
também para promover a necessidade e o dever de ajudar o próximo”.
Vera Pessoa sustentou que “o voluntário tem a grande oportunidade de minorar as diferenças sociais, de
proporcionar bem-estar e contribuir, nem que seja um bocadinho, para a felicidade de alguém, porque se criam
relações, porque se promove a pessoa, porque se estimula e desenvolve o que cada um tem de melhor”.
Precisou que “ajudar pode ser dar bens, mas também pode ser muito mais do que isso”, exemplificando que “pode
ser dar importância, escutar, dar tempo, orientar, acolher ou integrar”.
A mesma médica constatou que “o voluntariado pode ser feito em vários âmbitos, como cultural, científico,
ambiental, cívico ou social e cada pessoa pode procurar aquele com o qual mais se identifica”, reforçando que

“todos podemos ser voluntários”.
Destacou ainda algumas razões para realizar voluntariado, nomeadamente “ajudar o próximo; o bem-estar físico,
mental e social que lhe está associado; a oportunidade de conhecer novas pessoas e conviver; ganhar
experiências; conhecer realidades, por vezes, bem diferentes das nossas; ou vencer obstáculos”.
Por fim, no mês de dezembro era imperativo focar o tema do Natal, abordado pela enfermeira Maria Conceição
Pimenta.
Recordou que “o Natal é uma data que simboliza o nascimento de Jesus Cristo”, reiterando que “esta celebração
acontece há mais de 1600 anos no dia 25 de dezembro”.
Segundo a mesma enfermeira, “o Natal é o nome da festa religiosa cristã que celebra o nascimento de Jesus
Cristo, a figura central do Cristianismo”, referindo que “o dia de Natal a 25 de dezembro foi estipulado pela igreja
católica no século IV e começou a ser celebrado para substituir a festa pagã da Saturnália, que por tradição
acontecia entre 17 e 25 de dezembro”.
Assegurou que “a comemoração do Natal em substituição dessa celebração foi uma tentativa de facilitar a
aceitação do Cristianismo entre os pagãos”.
Quanto à oferta de presentes nesta data, realçou que “presente significa dádiva, ou seja, algo que se oferece a
alguém sem esperar nada em troca”, considerando que “é uma demonstração de afeto, não apenas em palavras,
mas em atitude”.
Maria Conceição Pimenta evidenciou que “esta altura tornou-se um período de grande consumismo, com um forte
impacto a nível económico”.
No entanto, ressalvou que “esta é a festa da família e é uma época em que se promove a amizade, a fraternidade
e a solidariedade, na qual os homens procuram enaltecer o melhor que o ser humano tem”.

Os elementos da USP do ACES do Alentejo Central: a enfermeira Rita Leão; a médica interna de saúde pública
Vera Pessoa; o médico de saúde pública Augusto Santana Brito; o médico interno de ano comum Nuno do
Amparo; e a enfermeira Maria Conceição Pimenta.

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