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Corredor Évora-Caia continua a ser contestado por várias entidades

Moradores recorrem judicialmente ao Tribunal Administrativo

O troço ferroviária entre Évora Norte e Elvas/Caia, da Linha de Évora, anunciado através da publicação em Diário da República, continua a gerar contestações por parte quer das entidades oficiais, como a Câmara Municipal, quer dos moradores. O “Diário do Sul” falou com alguns residentes cuja ligação vai passar nas suas propriedades e garantiram que não vão desistir de tentar fazer o Governo recuar.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

24 Janeiro 2019

Também o Grupo Pró-Évora que tem tido uma posição também assertiva sobre esta situação já afirmou não haver nenhum argumento que justifique esta decisão quando foram apontadas outras hipóteses que, a seu ver, não têm o impacto negativo que são apontadas.

Ao longo do tempo têm aparecido vários movimentos de contestação sobre esta linha ferroviária. São os moradores e os autarcas que os lideram. As exigências são as mesmas: executar um traçado o mais longe possível da cidade.
Os residentes consideram que a Évora pode vir a sofrer de um “crime lesivo” dos interesses de Évora Património Mundial, alegando que a encosta do centro histórico, vista a nascente, vai ser completamente “mutilada”. E voltam a denunciar que serão cerca de mil e poucas pessoas lesadas.
Recorde-se que os bairros da cidade de Évora que poderão vir a ser afetados são: Santa Luzia, Cotovelos, Quintinhas do Evaristo, Quintas do Monte Novo, Bairro de Santo António, Montinho de Ferro e Garraia.
Em declarações ao “Diário do Sul”, Luísa Quitério, uma das residentes que vai ser afetada caso se concretize a trajetória anunciada e publicada em Diário da República, um grupo de moradores já entregou o assunto a um escritório de advogados. “O que queremos é que estes reajam judicialmente face a esta decisão”, salientou, adiantando que o processo vai entrar no Tribunal Administrativo.
A hipótese dos advogados colocarem uma providência cautelar está colocada de parte, uma vez que a partir do momento em que há o estatuto de utilidade pública urgente da expropriação, não adianta de nada.

Grupo Pró-Évora alerta para prospeção
de património no traçado

Outra das denúncias relativas a este troço é “a existência neste corredor de uma estrada romana, um poço romano ainda a funcionar e dois cruzeiros do século XV”.
Marcial Rodrigues, presidente do Grupo Pro-Évora voltou a insurgir-se contra a decisão tomada pelo Governo e lembrou que a uma associação de defesa do património da cidade de Évora continua preocupada com esta situação e já fez vários comunicados para chamar a atenção para o património ambiental, paisagístico e urbano.
O representante do Pro-Évora afirmou que, para além de tudo, ainda continua sem saber se a Direção Regional de Cultura do Alentejo e a Direção Geral do Património Cultural “foram ouvidas sobre se existem edificados com importância patrimonial nesta linha”.
O responsável reafirma, contudo, que o corredor apontado é “a decisão mais gravosa” porque “não respeita aspetos ambientais, arquitetónicos e degrada a imagem da cidade”.
Marcial Rodrigues considera mesmo que “não há nenhum argumento, não há nenhuma justificação para o Governo não ter tido em conta os nossos pareceres”. Em seu entender, esta traçado “vai criar descontinuidades urbanas, contribuir para uma maior fragmentação da cidade, impedir tomadas de vista do centro histórico e vai pôr em causa a qualidade de vida das pessoas”.
Ontem à tarde, este grupo reuniu-se e colocou na agenda obviamente esta situação para que possa voltar a ser discutida.

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