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Luís Serrano Mira foi o promotor da obra, apresentada no Arquivo Distrital de Évora

Livro de José Calado mostra a importância do vinho no Alentejo

“Apontamentos para a História da Vinha e do Vinho no Alentejo – Legado de uma família a produzir desde 1667" é o novo livro do investigador José Calado.

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

24 Janeiro 2019

O nome da obra é extenso, fazendo jus à importância que o vinho tem tido no Alentejo ao longo dos séculos. Foi precisamente para atestar essa relevância que o promotor desta investigação, Luís Serrano Mira, proprietário da Herdade das Servas, lançou o desafio a José Calado.

Na passada quinta-feira, o livro foi apresentado no Arquivo Distrital de Évora, onde está patente, até 29 de janeiro, a mostra documental “Quanto mais velho melhor: Contributo dos arquivos para o estudo da vinha e do vinho no Alentejo”, na qual estão alguns documentos que serviram de base ao livro.

A sessão contou com a presença do autor e do promotor da obra, bem como do presidente da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), Francisco Mateus.

À margem da apresentação, Luís Serrano Mira explicou que “a existência de vários artefactos, essencialmente talhas de 1667, fizeram-nos ter curiosidade em conhecer a história da família ao nível do setor do vinho que, segundo a nossa memória, já alcançava alguns séculos”, reiterando que “queríamos investigar e conhecer a origem”.

Na sua opinião, “conhecendo a história de uma das famílias também estamos a conhecer um pouco mais a história da própria região, pelo que desafiámos o José Calado a fazer esta investigação”.

O proprietário da Herdade das Servas confessou que “acreditamos que se conhecermos a história ficamos mais ricos e melhor preparados para o futuro, podendo este ser um contributo para a história da região e da identidade de um povo, bem como um ponto de partida para outras investigações”.

Por sua vez, José Calado salientou que “a principal conclusão prende-se com o facto de ser possível comprovar a importância do vinho e da vinha no Alentejo, não como uma importância recente, mas uma importância que já tem muitos séculos”.

Acrescentou que, “tal como comprovámos neste estudo, essa importância já existe desde a fundação das próprias localidades”.

O autor da obra disse que “logo desde o início da nacionalidade, o vinho foi importante para a fixação das pessoas nas localidades e no Alentejo isso também se verificou”.

Focou ainda que, “em termos de qualidade, o vinho do Alentejo sempre foi muito relevante e a cultura da vinha para a economia da região também sempre foi muito importante, embora, obviamente, em algumas localidades tenha mais importância do que em outras”.

Para além disso, José Calado apontou que “foi possível comprovar que desde 1667 que, pelo menos, uma família tem produção de vinho ininterruptamente e certamente não será o único caso”.

Já o diretor do Arquivo Distrital de Évora, Jorge Janeiro, destacou que “a ideia da exposição partiu das conversas que fomos tendo com o autor da obra, já que ele foi indicando alguns documentos que usou para a elaboração do livro”, frisando que “temos aqui documentos com cerca de 300 anos”.

Nesse sentido, “pensámos fazer uma mostra documental, que apesar de curta, já é muito elucidativa do potencial que poderá haver neste arquivo e que nós desconhecemos na sua totalidade”, evidenciou, prevendo que “ainda levará alguns anos até se completar a descrição”.

Durante a sessão de apresentação, o presidente da CVRA falou da importância do setor vitivinícola para a região, mas também da sua relação com a história.

Um dos aspetos salientados por Francisco Mateus foi que “o vinho é um produto que mexe com as sensações, com os territórios, com as pessoas e com a economia, levando a que se fale sobre a qualidade, o preço ou as características das diferentes marcas”, opinando que “de facto está intrinsecamente ligado à história de cada local”.

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