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Diario do Sul
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Receio de nova seca

Falta de chuva já afeta sementeiras, gado e barragens no Alentejo

A falta de chuva no Alentejo já começou a afetar o desenvolvimento das pastagens, comprometendo mesmo algumas culturas relativas às sementeiras de outono/inverno.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

24 Janeiro 2019

Olha-se agora com especial atenção para as barragens da região, mas por lá os níveis de água também não são generosos, pelo que - tal como aconteceu no ano passado - ainda não é possível definir estratégias para o ano agrícola.
Isso mesmo é assumido por Aristides Chinita, gerente da Associação de Beneficiários do Caia, que confessa estar "apreensivo". O dirigente revela que depois da seca e do tempo quente que caracterizaram dezembro e a maioria dos dias de janeiro vai ser preciso esperar pela "generosidade de São Pedro" para programar a utilização da água da albufeira.
A barragem do Caia, que rega uma área de 7500 hectares entre Elvas, Campo Maior e Arronches, encontra-se aos dias de hoje nos 33% da sua capacidade máxima - em ano normal estaria sempre com um nível superior aos 50% - o que quer dizer que "pode haver dificuldades em garantir uma campanha normal de rega", diz Aristides Chinita, para quem "é sempre preocupante esta situação, embora este ano tenhamos já uma capacidade de água superior à que tínhamos no ano passado por esta altura."
Resta aguardar pela chuva que venha a cair na região nas próximas semanas para se avaliar com os agricultores alentejanos como poderá a água da albufeira ser dividida pelos associados, tendo de ser garantido o abastecimento público às populações durante três anos. Uma questão que implica assegurar uma reserva na casa dos 30 milhões de metros cúbicos, que se traduzem em 15% da capacidade máxima da albufeira.
Uma percentagem que, além da rede pública para consumo doméstico, tem ainda em linha de conta a capacidade morta e a própria evaporação.
Ainda assim a barragem da Vigia (Redondo) encontra-se em pior estado que a barragem do Caia, com uma capacidade de armazenamento de na casa dos 22%, segundo avança o Boletim de Armazenamento nas Albufeiras de Portugal Continental, que mostra como o cenário está longe de ser animador entre a maioria das barragens na bacia do Guadiana.
Abrilongo está nos 54.7%, Lucefecit (55%), Monte Novo (63.4%) e , Beliche (64.4%). Só Alqueva, com 82.3%, e Enxoé (81.5) exibem capacidades mais folgadas.
Já a bacia do Sado exibe um cenário igualmente pouco animador. Campilhas (9.7%), Fonte Serne (33.4%), Monte da Rocha (11.3%), Odivelas (45.5%), Roxo (38.2%) e Vale do Gaio (48.2%). Seis albufeiras que mostram as maiores dificuldades, enquanto as restantes quatro se perfilam, por agora, mais em sintonia com os valores da época: Alvito (76.2%), Monte Gato (64.8%), Monte Migueis (76.4%) e Pego do Altar (53.7%).
Os agricultores garantem que os próximos dias são decisivos para os animais e sementeiras de outono/inverno, que também mergulharam num futuro incerto, depois de terem começado por ter boas perspetivas entre outubro e novembro. Mas as contas saíram furadas aos agricultores perante as sucessivas semanas sem chuva.

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